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Vôlei de Praia
Sexta, 28 de maio de 2004, 16h14 
Melhor dupla da praia promete novidades em Atenas
 
Marcela Mourão
Da Redação Terra
 
Divulgação
Emanuel e Ricardo prometem surpresas
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"Estamos treinando para surpreender. Ser o número 1 do mundo exige mudanças". É com essa consciência que a melhor dupla de vôlei de praia mundial, formada pelo baiano Ricardo e o paranaense Emanuel, está se preparando para os Jogos Olímpicos de Atenas, a partir de 13 de agosto. "Temos a plena certeza de que, por sermos a dupla número 1, todos têm nossas estratégias bem estudadas; precisamos mudar para criar o efeito-surpresa", avaliou Emanuel, em entrevista ao Terra.

É por isso que os dois estão voltando todas as suas atenções, dedicação e treinamento para a Olimpíada, apesar do apertado e intenso calendário do Circuito Mundial (até agosto, a dupla ficará quase dois meses fora do Brasil em competições).

Na opinião de Ricardo, essa é a hora de pegar ritmo de jogo e estudar os adversários, mas nem por isso deixar de se dedicar a esses jogos. "Estamos entrando para jogar 100%, até porque as vitórias servem de estímulo para essa nossa preparação". A preocupação principal é manter o bom condicionamento físico até lá, espantando, assim, as possibilidades de lesões.

Mesmo sendo os favoritos à medalha de ouro, Ricardo e Emanuel sabem que em uma Olimpíada é preciso ter muito cuidado porque todas as duplas vão muito preparadas e com condições de disputar a final. Apesar disso, uma final com duas duplas brasileiras, na opinião de Ricardo, seria o mais justo "pelo o que o vôlei de praia brasileiro vem fazendo e ganhando mundo afora".

No entanto, a filosofia deles é entrar para disputar toda bola, porque, segundo Ricardo, "ninguém ganha no nome e quem errar, quem bobear, volta mais cedo para casa". Para isso, os dois estão estudando bem os adversários com estatísticas e vídeotape. As duplas que mais preocupam são as americanas, alemãs e suíças. Para neutralizá-las, de acordo com Emanuel, uma boa estratégia é usar Ricardo no bloqueio (seu melhor fundamento), "mas estamos aproveitando o saque dele também. Por isso, muitas vezes eu fico no bloqueio para permitir que ele force o saque".

Quando não estão competindo, os jogadores treinam em dois períodos, cerca de cinco a seis horas, por dia: pela manhã realizam um treino técnico na praia e de tarde, trabalham musculação e parte física. Além dessa preparação, a dupla realiza um trabalho no campo psicológico com a Dra. em Ciências Desportivas Joice Stefanello, visando a diminuir os erros e aumentar o aproveitamento, controlando a ansiedade em momentos decisivos.

Apesar de ser um esporte que agrada o público brasileiro, que sempre lota as arenas, e que tem altas chances de medalhas, ambos concordam que a modalidade, por recém estar formando sua leva de ídolos, ainda carece de maior divulgação. "Se o vôlei de praia estivesse na televisão aberta, ajudaria muito. Mas vejo que há uma simpatia enorme dos meios de comunicação e do público", diz Ricardo.

Mesmo assim, o vôlei de praia apresenta uma rápida evolução no Brasil. Há alguns anos, a maioria dos atletas saía das quadras e ia para a areia. "Esta história já está mudando. Nos últimos dois anos, jogadores naturais de praia estão sendo formados, principalmente no Rio de Janeiro, que tem excelentes escolinhas da modalidade", avalia Emanuel.

"Gostaria de ver no Brasil um circuito infantil e juvenil. Esta idéia formaria mais talentos", sugere o atleta.
 

Redação Terra