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Vôlei de Praia
Sexta, 28 de maio de 2004, 16h15 
Sacrifícios cercam a carreira de dupla olímpica
 
Marcela Mourão
Da Redação Terra
 
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A dupla de vôlei de praia Ricardo/Emanuel é uma das maiores esperanças do Brasil para o ouro. Não só Emanuel é atualmente o melhor jogador individual de vôlei de praia e o com maior número de títulos na carreira, como Ricardo foi medalha de prata em Sydney e sabe o que é importante em uma final olímpica. Saiba um pouco mais sobre os dois jogadores:

Emanuel
Curitibano, Emanuel Fernando Scheffer Rêgo nasceu no dia 15 de abril de 1973. Antes do vôlei, tentou jogar futsal, mas não se deu muito bem. "Era muito magro e no contato físico sempre saía perdendo. Como o vôlei não tem disso, resolvi arriscar, gostei, aprendi a jogar e me dei muito bem". Emanuel começou, então, a treinar no colégio em que estudava, em 1984, e em 1991 estava disputando torneios tanto na quadra, quanto na praia.

Com 1,90 metro e 82 quilos, Emanuel diz ter facilidade natural em saltar e, por isso, se destaca no ataque e no saque. Com essas armas e toda a versatilidade que mostra durante as partidas, o jogador lidera o ranking mundial, posição que já ocupou em outras quatro ocasiões (2001, 1999, 1997 e 1996). Hoje, é o maior vencedor da história do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, com 42 títulos e 81 pódios.

Mesmo ainda não tendo uma medalha olímpica, Emanuel esteve presente em Sydney (2000) e Atlanta (1996), de onde guarda o momento mais marcante de sua carreira: "Na entrada no estádio olímpico de Atlanta, no desfile, me senti mais brasileiro do que nunca. Uma correria dos atletas para entrar logo na pista. Foi emocionante e até hoje arrepia ".

Para ser um atleta de peso do país é preciso fazer alguns sacrifícios, principalmente, na vida pessoal. "Realmente é um desafio, principalmente nas segundas-feiras, por causa do acúmulo (contas para pagar, amigos, família a até o descanso). No meu aniversário de 31 anos (comemorado durante a etapa de Porto Alegre) trabalhei muito. Só fui me dar conta de que era meu aniversário quando, no final do jantar de um evento, colocaram um bolo com velinhas acesas na minha frente".

Emanuel já jogou com Aloízio, Zé Marco, André, Loiola, Pará, Tande e, desde agosto de 2002, está com Ricardo. "Quando formo uma parceria, penso em melhorar o máximo que posso. A confiança na equipe aumenta na medida em que o tempo vai passando. Hoje, confio plenamente no meu parceiro, porque ele é um jogador que gosta de vencer como eu. Vamos longe somente com este espírito vitorioso".

Os planos para o futuro ainda estão abertos. "Penso em jogar até os 36 anos, mas tudo pode mudar conforme o meu desempenho. Se estiver ainda competitivo quero ir mais longe. Tenho vontade de ser campeão pan-americano ainda¿.

Ricardo
Ricardo Alex Costa Santos, ou "Block Machine", como é conhecido, nasceu em 6 de janeiro de 1975 em Salvador e é torcedor do Bahia. Em 1992, começou a jogar por incentivo do primo Paulão, seu ídolo do vôlei, e em 1995 já treinava como profissional na praia.

Do alto de seus 2 metros e com 102 quilos, Ricardo tem como melhor fundamento o bloqueio (o melhor do mundo). Isso ajudou com que, junto com Zé Marco, em 2000, fosse prata em Sydney. Para ele, esse foi um dos momentos mais marcantes da carreira, ao lado da sua primeira vitória internacional e da conquista do Campeonato Mundial, em outubro do ano passado, em Copacabana, com Emanuel. "Essa é a mais vitoriosa das minhas parcerias, e estamos em um excelente momento. Mas não podemos achar que está tudo bom. Precisamos estar sempre evoluindo."

Na carreira, Ricardo acumula, entre vários títulos, os de "Rei da Praia 2002" e "Rei dos Reis 2002", competições cujo objetivo é eleger o melhor jogador do Brasil e do Mundo, respectivamente.

Hoje, com 29 anos, ele diz que quer jogar ainda por muito mais tempo "até quando minha condição física agüentar" e que vai dar o máximo durante Atenas para "corresponder às expectativas do torcedor brasileiro que tanto incentiva e acredita".

Mas ressalta: "Não podemos criar uma expectativa de que o único resultado que interessa é a medalha. Claro, todo mundo quer voltar com uma, principalmente de ouro, mas apenas um a ganha. Vamos lá para brigar por ela, mas uma medalha olímpica não tem cor, qualquer medalha tem um valor inestimável", diz Ricardo, que sabe bem disso.


 

Redação Terra