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Adriana Behar e Shelda vislumbram apenas um futuro: o ouro olímpico. A dupla brasileira de vôlei de praia já tem a prata de Sydney e agora está trabalhando pesado para chegar no lugar mais alto do pódio. E enquanto Atenas não chega, as duas estão dando o máximo nos circuitos nacional e mundial. Esse ano, na competição do Banco do Brasil, elas já venceram quatro das cinco etapas disputadas.
No entanto, Adriana e Shelda estão cientes de que não há favoritismo e que têm pela frente, chinesas, australianas, brasileiras (Sandra e Ana Paula) e, claro, as americanas Walsh e May. "O vôlei de praia é um esporte que vence quem errar menos. Se quisermos vencê-las temos que jogar 100%", disse Adriana, em entrevista ao Terra, ao lado da companheira com quem joga há nove anos. Além disso, claro, as atletas também são adeptas do vídeo-tape para analisar as táticas das adversárias, mas não abrem o jogo quando a pergunta é se existe uma jogada "carta na manga" para surpreender: "Você não vai querer que eu te conte!", risos.
Com apenas 1,65m, Shelda é considerada a melhor defensora do mundo e, evidentemente, a principal arma da dupla. Numa competição internacional, onde os ataques precisos, em vez das deixadinhas típicas dos brasileiros, são a constante nas partidas, uma boa cobertura é fundamental para permitir o contra-ataque. "Com certeza as defesas dela fazem muita diferença no final da partida", elogia Adriana, acrescentando que a companheira é seu ídolo do vôlei. Shelda completa que a recíproca é verdadeira.
Essa afinidade entre elas é também muito importante. "Gostamos muito uma da outra. Acho que por isso estamos juntas a tanto tempo. Mas, como qualquer relacionamento, existe um desgaste. É natural que no meio desse caminho tenham acontecido bate-bocas. Mas nada que não tenha sido rapidamente resolvido. Acima de tudo nos respeitamos muito e uma faz questão de ouvir sempre a opinião da outra", conta Shelda.
O ritmo de treinamento da dupla é bastante puxado, de segunda a sábado, começando às 8h até às 11h na beira da praia. No período da tarde, por volta das 15h, elas fazem trabalho de musculação. Além disso, como a maioria dos jogos da modalidade em Atenas deve ser realizada durante a noite com iluminação artificial, Adriana e Shelda estão trocando o sol pela lua e treinando também das 18h às 20h.
Além disso, elas aproveitam as competições que antecedem os Jogos como forma de preparação, mas sem por isso deixar de dar o máximo de esforço por medo de lesões. "Se ficarmos pensando nisso, nem saímos de casa, ou melhor, nem levantamos da cama; podemos torcer o pé ao levantarmos", brinca Adriana.
A jogadora só deixa de brincar quando o assunto é a questão da segurança. "Cada dia a gente fica lendo as notícias dos jornais. O fato preocupa porque a gente sabe qual é a realidade do mundo hoje. Nas Olimpíadas, estarão quase todos os países e é um evento que chama atenção. Dá medo; é uma crise mundial".
Atualmente, ao lado de Ana Paula e Sandra (ouro olímpico em Atenas, na época com Jaqueline), Adriana Behar e Shelda são as principais jogadoras de vôlei de praia do Brasil. São heptacampeãs do circuito brasileiro (1996/1997/1999/2000/2001/2002/2003) e penta do circuito mundial (1997/1998/1999/2000/2001). Ao todo, elas possuem 104 títulos, incluindo aí a medalha de prata em Sydney, quando perderam a final para as australianas Cook e Pottharst.
"Não vemos a prata como um fracasso. Pelo contrário. Pouquíssimos atletas em todo o mundo conseguem ter uma medalha de prata pendurada no peito", orgulha-se Adriana. Shelda completa dizendo: "estamos habituadas com a pressão e não vamos deixar que isso mude a nossa postura em quadra. Fizemos tudo o que podíamos em Sydney e vamos repetir esta postura agora em Atenas".
A parceria de nove anos está no seu auge, mas já enfrentou momentos de dificuldades: "quando não tínhamos patrocínio, usamos a premiação para pagar, do nosso bolso, viagens e hotéis. Não sobrava nada para nós", lembra Adriana.
Shelda
Shelda Kelly Bruno Bede nasceu em Fortaleza, no dia 1º de janeiro de 1973. Começou a estudar Educação Física, mas não terminou o curso. A jogadora de 1,65m e 58 quilos diz que desde pequena queria jogar vôlei e começou na quadra, na capital cearense, mas a baixa estatura pesava contra. "Aí me encantei pela praia e em 1992 me transferi".
Tendo como melhor fundamento a defesa, Shelda tem em seu currículo, além da prata olímpica, o tri-campeonato de Rainha da Praia (1995/1996/1999), foi eleita a melhor jogadora de Vôlei de Praia pelo Comitê Olímpico Brasileiro também em três ocasiões (1999/2000/2001), e a melhor jogadora do Campeonato Mundial de 2002, no Rio de Janeiro. Shelda é ainda a atleta que mais venceu etapas do Circuito Banco do Brasil.
Nas horas vagas, não dispensa sair com os amigos para jantar e ir ao cinema. Morando no Rio de Janeiro, a jogadora gosta de descer para a orla e andar de skate, o que considera uma terapia. Em 1991, sofreu um acidente automobilístico e, na época, os médicos disseram que ela não voltaria mais ao esporte, mas seis meses depois estava novamente jogando vôlei, desta vez, na praia.
Adriana
Adriana Brandão Behar nasceu no Rio de Janeiro em 14 de fevereiro de 1969. Assim como Shelda, ela também não completou a faculdade de Educação Física. A jogadora de 1,78m e 64 quilos tem como arma o saque e o bloqueio.
Quando pequena, Adriana começou no esporte fazendo patinação artística no Flamengo e depois, aos 12 anos, passou para o vôlei de quadra no clube. A jogadora chegou a ir para a Itália, mas a vontade de ficar com a família fez com que voltasse, agora na praia, em 1993. Por intermédio da técnica Letícia Pessoa, iniciou a parceria pentacampeã mundial ao lado de Shelda a partir de 1995.
Fora das quadras, a jogadora gosta de jantar com os amigos e passear com o cachorro Nick. Outro passatempo é ler e ficar horas diante do computador.
Vôlei de praia
Para as jogadoras é fundamental que o atleta que queira ir para a praia "adore areia, sol e calor. Caso contrário, não tem jeito". Shelda conta que as duas adoram estar na praia: "terminar uma partida ensopada de suor e lambuzada de areia é o nosso maior prazer. Dizemos que temos o luxo de ter a praia como nosso escritório".
Para elas, a principal vantagem de se jogar na areia é para quem não tem altura. "O voleibol mundial está cada vez mais dos altos. Na praia, a gente ainda se destaca pela nossa habilidade e visão de jogo", explica Adriana.
A dupla destaca que somente agora estão surgindo jogadores de praia que não têm a quadra como origem. "O voleibol de praia é um esporte novo. Todas as duplas que já conquistaram títulos importantes fazem parte dessa primeira geração, que ainda está em atividade. Mas novos talentos estão surgindo". Elas citam como novas promessas Talita, Renata, Maria Clara e Carol (filhas da ex-jogadora Isabel), Juliana e Shaylyn (irmã de Shelda).
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