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Vôlei de Praia
Sexta, 28 de maio de 2004, 16h17 
Márcio e Benjamin recorrem ao videoteipe
 
Marcela Mourão
Da Redação Terra
 
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A dupla brasileira de vôlei de praia formada por Márcio e Benjamin carimbou o passaporte para a Grécia na etapa mundial do final de semana passado, na China. Até então, apesar de praticamente garantidos pela matemática, Tande e Franco ainda tinham chance, mas no fim, confirmou-se que ao lado de Ricardo e Emanuel estarão o cearense Márcio e o sul-mato-grossense Benjamin. E é pensando em Atenas que os dois estão caprichando na preparação. Benjamin contou ao Terra que acha difícil o ouro não ir para o Brasil "do jeito que os brasileiros estão jogando" e, dependendo do sorteio das chaves, ele aposta ainda numa dobradinha no pódio.

O treinamento de sete horas diárias da dupla ocupa seis dias da semana. Os dois treinam o mesmo esquema de jogo - Benjamin no bloqueio e Márcio na defesa. Além disso, assistem bastante a jogos gravados dos principais adversários, como os americanos e os suíços - jogadores que podem surpreender, na opinião de Benjamin.

O atleta explica que a dupla está treinando muito os fundamentos para poder jogar com tranqüilidade nas Olimpíadas, mas nem por isso está se poupando nas etapas nacional e mundial dos circuitos. "Estamos jogando muito forte as etapas para alcançarmos o nosso objetivo de atingir o degrau mais alto do pódio olímpico".

Benjamin sabe bem o que é jogar no sacrifício devido a uma lesão e diz que, caso se machuque, vai repetir o feito de 2000. "Naquele ano, na etapa do circuito mundial disputada no Guarujá, disputamos o qualifying e fomos campeões. Mas eu joguei com o tendão de Aquiles machucado e por pouco não o rompi. Mesmo aconselhado pelos médicos a desistir da competição, fui até a final com muita dor e sacrifício. A sensação de vencer aquela etapa no Brasil superou a dor sentida durante as partidas. Joguei quase todo o torneio com o pé imobilizado", relembra Benjamin, acrescentando que esse é um dos momentos mais marcantes da sua carreira.

Benjamin
Benjamin Insfran nasceu em Dourados (MS) no dia 14 de abril de 1972. Com 1,96m e 97 quilos, é considerado um dos mais completos jogadores brasileiros, tendo o passe e o bloqueio seus melhores fundamentos. E, a exemplo da maioria, também começou no voleibol indoor, aos 12 anos, influenciado pelo pai que fazia parte do time do Exército. Em 1996, começou a jogar na praia e já em 1998 foi eleito o atleta revelação do circuito nacional.

Para ele, a principal vantagem de jogar na areia é "que somos nosso próprio patrão. Fazemos nosso horário de treinamento e temos mais controle sobre o que está acontecendo". No entanto, ressalta que a falta de patrocínio é a grande desvantagem da modalidade, o que torna o processo de preparação mais difícil para os atletas. Hoje a dupla é apoiada pelas marcas Cebion, Banco do Brasil e Benjamin ainda conta com o governo do Mato Grosso do Sul

Nas poucas horas vagas, Benjamin se dedica à família ao lado da mulher, a canadense Isabel, e das quatro filhas. "Elas sabem que preciso me dedicar muito para atingir os meus sonhos. Minha mulher entende porque também já foi atleta de vôlei de praia e conhece muito bem a rotina de treinos. Mas a falta que elas fazem é muito ruim".

Apesar do medo de atentados assustar a maioria dos jogadores, Benjamin se agarra na fé e diz acreditar que os jogos serão "de muita paz e harmonia".

Márcio
Márcio Henrique Barroso Araújo, nasceu no dia 12 de outubro de 1973, em Fortaleza. O jogador tem 1,92m e pesa 86 quilos. Há nove anos joga vôlei de praia e, junto com Benjamin, foi campeão do Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia em 2000 e vice em 2001 e 2002 e vice-campeão do Circuito Mundial em 2003. Individualmente, foi eleito o jogador com a melhor defesa do circuito nacional em 2000 e 2002.

Quando não está treinando, o cearense descansa na praia de Taíba junto com a filha Mirela. Além disso, tem como hobby surfar e andar de skate.

Vôlei de praia
Benjamin diz que hoje, no Brasil, o vôlei de praia conquistou um equilíbrio entre as duplas. "É difícil uma dupla considerada favorita manter a regularidade e vencer todas as etapas. Quase todos os atletas têm uma estrutura profissional com técnico e preparador físico".

O jogador destaca que entre as maiores promessas está Pedro Cunha que, aos 21 anos, está chegando a finais ao lado do parceiro, o experiente Pará. "Além de jogar muita bola, ele tem muita personalidade dentro de quadra, pois já foi campeão mundial na categoria sub-20 e traz experiência", elogia.

Benjamin diz que já houve uma boa evolução em termos do espaço ocupado na imprensa pelo vôlei de praia e que, com o ouro olímpico (aposta certa do jogador), a situação deve melhorar. No entanto, ele ressalta: "ainda fico chateado com o espaço dedicado. Temos o melhor circuito do mundo, os melhores jogadores e acho que merecíamos uma atenção melhor por parte dos veículos".
 

Redação Terra