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Vôlei
Sexta, 11 de junho de 2004, 16h53 
Estrelas conciliam treinos com vidas pessoais
 
Marcela Mourão
Da Redação Terra
 
AP
Leila vai para a 4ª Olimpíada
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Na busca pela medalha de ouro em Atenas, as principais atletas da Seleção Brasileira feminina de vôlei têm de mostrar habilidade para conciliar treinos com tarefas da vida cotidiana.

Fernanda Porto Venturini nasceu no dia 24 de outubro de 1970, em Araraquara. Aos 11 anos começou a jogar por recomendação médica, por causa de uma escoliose. Com 17 anos, já na seleção juvenil, passava a ser apontada com uma das principais revelações.

Casada com o técnico do time masculino, Bernardinho, a levantadora divide a atenção com a filha Júlia. Foi para se dedicar à maternidade que a jogadora parou em 1998 e não chegou a participar do time de Sydney. O seu retorno à Seleção foi, segundo ela, uma decisão madura "para ir para a última olimpíada e ajudar a seleção a conquistar uma medalha inédita."

Presença constante nos jogos de Fernanda, a filha Júlia pode estar começando aos poucos a desenvolver sua paixão pelo vôlei. "Ela brinca com o grupo, gosta das pessoas e de estar no ônibus conosco. Tem afinidade com algumas jogadoras. Ela nasceu nesse meio e adora estar em quadra. Quando termina um jogo ela já quer entrar. É precoce, mas, enfim, espero que o esporte esteja na vida dela, não precisa ser só o vôlei", diz a mamãe.

Leila

Leila Gomes de Barros nasceu em 30 de setembro de 1971, em Brasília. Decidiu jogar vôlei depois de levar uma bolada no rosto, em um jogo de handebol, esporte em que começou, mas que não era muito aprovado por sua mãe.

Após defender a seleção em três olimpíadas e ser medalha de bronze em Atlanta e Sydney, Leila trocou a quadra pela areia, em 2001. Foi na época em que estava na praia que a jogadora passou por momentos de provação. "Foi um momento muito difícil com a minha separação e a morte da minha mãe. Perdi até o meu maior prazer que era jogar vôlei."

A jogadora conta que mesmo com os problemas, se sentia bem na praia e trouxe muitas lições ao retomar para a quadra. "A praia te dá uma qualidade de vida melhor. O atleta tem uma liberdade maior de escolher seus horários de treinamento. Além disso, tecnicamente é um esporte mais completo e o meu passe melhorou muito mais."

Leila diz que renasceu das cinzas e que houve um momento em que pensou em desistir de tudo. "A morte da minha mãe me abalou e eu perdi até o meu maior prazer que era jogar vôlei. Mas, voltando para a seleção percebi que eu tinha uma imagem bacana e que as pessoas gostavam de mim. Essa credibilidade que dão para nós só serve de motivação e eu me alimento disso. Ver que aos 32 anos eu ainda tenho aquele fôlego e o frio na barriga que sentia aos 22".

Fofão
Helia Rogério de Souza nasceu no dia 10 de março de 1970, em São Paulo. Aos 11 anos, a curiosidade a levou para o vôlei e viu que tinha jeito para o esporte. Foi o técnico Zé Roberto que a apelidou de Fofão, quando treinava a jogadora no Pão de Açúcar, em São Caetano do Sul, por achar seu nome muito difícil.

Logo após a convocação no início de maio, Fofão realizou outro sonho: casou-se com João Márcio, com quem namorava há nove anos. A cerimônia foi realizada em São Paulo e acabou sendo um dia de folga na vida das jogadoras e do exigente Zé Roberto, que assumiu a função de padrinho.


 

Redação Terra