 A
Olimpíada
de 1912, em Estocolmo, foi um modelo de eficiência. Estes jogos
são considerados
os primeiros a se realizar
tal e como são nos dias atuais.
A Suécia deu um impulso vital ao movimento olímpico,
que lhe permitiu sobreviver
oito anos
sem quaisquer realizações devido à Primeira Guerra
Mundial, que começou
em 1914.
Estocolmo 1912 foi uma olimpíada pioneira em muitos aspectos
hoje fundamentais. Pela primeira vez, os jogos foram disputados em um
tempo pré-estabelecido, de 5 a 27 de julho,
longe do amparo das feiras
ou exposições universais.
Além do mais, os ganhadores dos três primeiros
lugares em cada prova subiram ao pódio
e receberam seus prêmios
ao mesmo tempo em que eram hasteadas as respectivas bandeiras
nacionais no estádio.
Também
foram os primeiros jogos nos quais houve um superávit
econômico - se é descontada a construção de instalações esportivas -,
graças à perfeita organização, entre outras coisas. O balanço positivo
foi de 46.767 coroas suecas, e, na ausência
de televisão,
a filatelia e a numismática contribuíram seu grão de areia para
a comercialização e financiamento do
movimento olímpico.
No que diz respeito às competições,
estes jogos também constituíram um ponto de partida
para o
atletismo moderno.
Foram estabelecidas bases técnicas e um código escrito
e rigoroso, que serviu para
classificar e julgar atletas. Utilizou-se, pela primera
vez, o foto-finish para eliminar dúvidas nas chegadas
mais concorridas. De fato, o estádio de Djurgarden,
primeiro que se construía
expressamente para uma Olimpíada, seguia funcionando
satisfatoriamente oitenta anos depois.
Muitos recordes foram batidos -
alguns dos quais perduraram durante muitos anos -
e começou a forjar-se a figura do mito esportivo. Mas também
cabe lamentar a primeira morte em plena disputa.
O português
Lázaro
não resistiu à dureza da maratona e faleceu depois de
sofrer um colapso. Apesar de idéias defendidas por Coubertin,
muito conservador na abertura dos jogos às mulheres, destaca-se
a presença
de 57 delas.
No total, participaram 2547 atletas provenientes de 28
países, em 102 eventos correspondentes a 14 modalidades esportivas.
Nesta edição, o boxe foi retirado das
competições; sua prática estava
proibida na Suécia. Mas foi incorporado o pentatlo moderno como
modalidade olímpica, e também as provas de natação para mulheres.
Depois do término dos jogos, o Comitê Olímpico
Internacional decidiu limitar
o poder de decisão do país anfitrião
de determinar as características das competições;
na corrida de ciclismo de estrada, por exemplo, o trajeto foi de 320km,
o mais longo disputado em olimpíada; e na luta greco-romana,
a semifinal da categoria peso médio, entre o russo Martin Klein e o finlandês
Alfred Asikainen, durou onze horas.
Mas sem dúvida o herói olímpico
mais destacado nesta edição foi o norte-americano Jim Thorpe.
A fenomenal atuação do "gigante índio de Carlisle",
cujo nome verdadeiro era Destino Brilhante, foi histórica:
no decatlo, "destruiu" o recorde
mundial de todas as provas, e no pentatlo
ganhou em cada uma das modalidades.
No entanto, a desgraça caiu sobre
Thorpe quando uma foto de um jornal sensacionalista,
que mostrava uma equipe profissional de beisebol do estado norte-americano
de Carolina,
foi publicada. Nela, aparecia o campeão incluído entre
os demais jogadores, e informava-se que o mesmo cobrava um salário
de US$ 70 por mês. Sob
a
acusação de "profissionalismo",
Thorpe foi penalizado e teve seus títulos olímpicos revogados,
cedendo suas medalhas aos atletas que haviam ficado em segundo lugar.
Estes renunciaram aos "presentes" como gesto de admiração
para com
o atleta norte-americano.
Thorpe jamais superou o fato. Até a sua morte,
em 1952, reclamou o reconhecimento dos títulos
obtidos com legitimidade e sem qualquer ajuda. O objetivo foi conquistado
apenas 30 anos depois de sua morte, nos jogos de Los Angeles,
em 1984, quando seus netos receberam, de Juan Antonio Samaranch, então
presidente do COI, as duas medalhas que haviam
sido retiradas.
Os norte-americanos dominaram as provas de atletismo -
100m, 800m, 110m com obstáculos
e arremesso
de peso -, tanto que seus atletas ocuparam os três lugares do
pódio.
Até estes jogos, atletas de pequena estatura sempre haviam vencido
a maratona. Em Estocolmo, no entanto, a vitória ficou com um homem
alto: K. McArthur, policial sul-africano.
O finlandês Hannes Kohlemainen ganhou duas medalhas
de ouro nas corridas de longa distância: 5km e 10km. Na primeira
prova, bateu o recorde mundial e foi o primeiro ser humano a correr a
distância em menos de 15 minutos. Também ganhou
uma medalha de prata nos 5km por equipe.
Enquanto isso, no futebol, esporte que
começava a se converter no mais popular do mundo, o primeiro lugar ficou com a equipe da Grã-Bretanha,
a prata com a Dinamarca, e a Holanda ganhou o bronze.
QUADRO DE MEDALHAS
| Medallero, Estocolmo 1912. |
Altius, Citius, Fortius |
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