 
Os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1932, marcaram a segunda participação dos Estados Unidos como hóspedes do evento. Os norte-americanos se empenharam em não cometer os erros da primeira, realizada em Saint Louis, mesmo com a situação financeira preocupante; ainda repercutiam no mundo os efeitos do 'crack' de 1929. Somente nos EUA o número de desempregados rondava os 12 milhões. Mas ao mesmo tempo a organização dos jogos significava oxigênio para a atividade econômica do país, particularmente na necessitada Costa Oeste. Esta reação, impulsionada em grande parte pela cidade de Los Angeles devido ao auge da indústria cinematográfica e à divulgação olímpica, desempenharia papel importante na participação do país na Segunda Guerra Mundial.
Se as olimpíadas de Londres (1908) e Estocolmo (1912) significaram a integração da técnica esportiva nas disputas e em seus regulamentos, não resta dúvidas de que os jogos de Los Angeles tiveram sua cota de "espetacularização" e de criação de uma imagem mais popular. Até aquele momento, os jogos e o movimento olímpico careciam de tais características.
Esta edição do evento contou, além da
participação ativa dos cidadãos, com o apoio de figuras
públicas queridas e admiradas como Douglas Fairbanks, Gary Cooper
e Charles Chaplin. Tudo isso resultou em lucro para os jogos: no final das
competições, o balanço comercial registrado era de cerca
de US$ 1 milhão para os organizadores. A quantidade
era fantástica, principalmente quando comparada à perspectiva
daqueles anos.
No esporte, observou-se a presença de menos da metade dos atletas que haviam participado nas duas edições anteriores: 1.408 no total (127 eram mulheres). Pertenciam a 37 países diferentes e disputaram 117 provas no total, em 14 esportes oficiais. As competições se desenvolveram ao longo de duas semanas, entre 30 de julho e 14 de agosto.
O estádio olímpico foi ampliado para 105 mil lugares. O velódromo tinha capacidade para 85 mil espectadores. A piscina e o resto das instalações sintetizavam os progressos técnicos que o esporte exigia. Tudo construído - e financiado - com a ajuda popular, em um exemplo do sentimento esportivo californiano.
Construiu-se também uma Vila Olímpica a uns 20km do centro de Los Angeles, apesar de que as 127 competidoras não puderam ter acesso à vila e alojaram-se em um hotel.
Estes jogos foram realmente marcantes. Estiveram presentes mais
de 100 mil espectadores na cerimônia de abertura, e pela primeira vez
a olimpíada durou 16 dias, implementando o pódio de três
lugares (1º, 2º e 3º) e o hasteamento de bandeiras. Da mesma
forma, foi agregada a medição automática oficial dos tempos
nas provas de pista.
Nas competições, um adolescente japonês de 14 anos se converteu no atleta masculino mais jovem a ganhar um título olímpico: Kusuo Kitamura venceu os 1.500m de natação estilo livre. Por sua vez, a norte-americana Mildred Didrikson, de apenas 18 anos, fez história ao classificar-se à final de todos os eventos de pista e campo, mas sua participação só foi permitida em três. Ela conquistou o primeiro lugar em lançamento de dardo, e registrou recorde mundial no salto em altura e nos 80m com obstáculos.
Ivar Johansson, um policial sueco, venceu nos esportes de luta,
tanto no estilo libre como na greco-romana; Carl Westergren, outro atleta sueco,
obteve a terceira medalha de ouro em jogos olímpicos, na luta greco-romana
na luta greco-romana (outra categoria). Como exemplo de jogo limpo e espírito
esportivo, a britânica Judy Guinness, que competia na esgrima, disse
aos juízes que não havia tocado em sua oponente ao terminar
o combate final; a notícia acabou lhe custando a medalha de ouro.
Umas das anedotas históricas nestes jogos foi protagonizada pela polonesa Stanislawa Walasiewicz, medalha de ouro nos 100m rasos. Após sua morte, em 1981, a autópsia revelaria que Stanislawa era, na verdade, um homem.
QUADRO DE MEDALHAS
| Medallero, Los Ángeles 1932 |
Altius, Citius, Fortius |
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