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 Os
Jogos Olímpicos na cidade alemã de Berlim, em 1936, são
lembrados pelo afã de Hitler em provar e impor sua teoria de superioridade
da raça ariana. No entanto, o herói olímpico mais popular
desta edição foi o atleta negro Jesse Owens.
Berlim oficializou sua candidatura para sediar os jogos em
1932, um ano antes da chegada de Adolf Hitler ao poder, e obteve esse
direito
conseguindo
20 votos a mais que Barcelona.
Já instalado no poder, o departamento de propaganda do partido Nacional-Socialista (Nazista) rapidamente se deu conta da enorme força do esporte e dos jogos olímpicos na orientação - e neste caso manipulação - da juventude e das massas. Logo, não teve dúvidas em aproveitar a ocasião, utilizando o evento como vitrine para uma concepção político-ideológica.
Não querendo fazer parte do jogo de manipulação
fascista de Hitler, Inglaterra, França e Estados Unidos pressionaram
o COI para que a Alemanha garantisse a segurança dos participantes e
evitasse a segregação racial. Em Berlim 1936, a vaidade não
encontrou limites na megalomania nazista. Ademais, não economizaram e investiram
mais de US$ 30 milhões na organização, construindo
também um novo
estádio com capacidade para 110 mil espectadores, diversas
instalações para abrigar as competições e uma Vila Olímpica de luxo, rodeada
de lagos e bosques a tão somente 10km de Berlim.
Devemos reconhecer que a máquina propagandista do nazismo
alemão converteu os jogos de Berlim nos melhores da história
até o momento, já que Hitlher ordenou que tudo saísse à perfeição
do ponto de vista técnico e também esportivo, com nível
muito elevado em quase todas as provas. Como parte das inovações,
destaca-se nesta olimpíada a transmissão das competições
mais importantes pela televisão. Vinte e cinco telas gigantes foram
posicionadas em diferentes espaços públicos de Berlim, para
que o povo alemão pudesse assistir aos jogos. O aspecto comercial também
foi um êxito nesta edição; foram comercializados quatro
milhões de ingressos durante a olimpíada.
A chama sagrada chegou pela primeira vez desde Olimpia, na
Grécia, e para percorrer os 3.076km foi necessária a ajuda de
3.300 pessoas no revezamento. A cerimônia inaugural foi solene mas simples,
uma ponte entre o estilo grego clássico e o rigor alemão. As
competições se desenvolveram novamente ao longo de suas semanas,
entre 1º e 16 de agosto, e a presença dos atletas foi numerosa:
4.066 esportistas, dos quais 328 eram mulheres, representando um total de 49
países. O programa incluía 19 esportes. Nesta edição
foram incorporados o basquete e o handebol. O pólo apareceu como esporte
olímpico pela última vez.
Nas competições, a Finlândia voltou a brilhar nas corridas de longa distância; os escandinavos levaram as três medalhas na final dos 10.000m e o ouro e prata nos 5.000m, enquanto os americanos conseguiam as três medalhas no decatlo.
Os alemães dominaram os arremessos e lançamentos:
Hans Woelke bateu o recorde olímpico em arremesso de peso com 16,20m.
No lançamento de martelo ganhou Karl Hein, e no dardo o primeiro lugar
ficou para Gerhard Stock. Na ginástica com aparelhos, a equipe alemã obteve
o ouro. Ressalta-se que a Alemanha não ganhou uma prova sequer
nos jogos anteriores. Os triunfos foram justificados pelos nazistas como um
atestado
do progresso esportivo da juventude, parte do programa de Hitler para o novo
Reich.
Jesse Owens: tetracampeão olímpico
Antes do início dos jogos, existiam ressalvas por parte de alguns países no que diz respeito à discriminação de seus atletas não-brancos por parte do regime nazista. Receios que tristemente se confirmaram, com apelidos depreciativos dados aos atletas negros norte-americanos em jornais alemães, por exemplo.
Em Berlim 1936 foi escrita uma das páginas mais
brilhantes do movimento olímpico como integrador e de reconhecimento à igualdade
de todos os seres humanos. Jesse Owens, um corredor de raça negra dos
EUA proveniente da Universidade de Ohio, bateu o recorde mundial nas semifinais
dos 100m, com 10"02, diante da complacência
de Hitler. Esta ocasião significou uma primeira chamada de atenção
para o governante alemão e suas desafortunadas teorias sobre a inferioridade
das raças não-arianas, que pelo menos nas pistas não
foram cumpridas.
Owens passaria à história como um dos melhores
atletas de todos os tempos, graças à performance nestes jogos:
ganhou o ouro nos 100m, 200m, salto à distância e no revezamento
4x100m. Bateu ou igualou no mesmo dia, em um espaço de 100 minutos,
cinco marcas mundiais diante do olhar incrédulo do Führer, que
se negou a premiar o atleta norte-americano, abandonando o estádio.
A serenidade, habilidade fenomenal e cavalheirismo converteram
Owens em um ícone, inclusive entre o público alemão. Depois
de disputar estas olimpíadas, passou ao profissionalismo e se dedicou às
apresentações.
Inge Sorensen, competidora dinamarquesa, ganhou uma medalha de bronze na prova dos 200m nado peito, quando tinha apenas 12 anos, sendo a pessoa mais jovem na história moderna dos jogos a ganhar uma medalha. Em outro episódio importante, o membro da equipe húngara de pólo aquático, Olivier Halassy, conseguiu sua terceira medalha olímpica; além disso, Halassy só tinha uma perna, pois a outra havia sido amputada após um acidente automobilístico.
O remador Jack Beresford, representante de Grã-Bretanha,
agregou mais uma medalha de ouro à sua coleção; esta
olimpíada foi a quinta consecutiva obtendo ao menos uma medalha. Por último,
Kristjan Palusalu, da Estônia, venceu os dois estilos de luta: greco-romana
e livre, na categoria dos pesos-pesados.
QUADRO DE MEDALHAS
| Medallero, Berlín 1936 |
Altius, Citius, Fortius |
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