> Esportes > Atenas 2004  > História
Veja mais sobre Atenas no celularAtenas 2004 em:


 Boletim

 Fale conosco

História
Berlim 1936

Os Jogos Olímpicos na cidade alemã de Berlim, em 1936, são lembrados pelo afã de Hitler em provar e impor sua teoria de superioridade da raça ariana. No entanto, o herói olímpico mais popular desta edição foi o atleta negro Jesse Owens.

Berlim oficializou sua candidatura para sediar os jogos em 1932, um ano antes da chegada de Adolf Hitler ao poder, e obteve esse direito conseguindo 20 votos a mais que Barcelona.

Já instalado no poder, o departamento de propaganda do partido Nacional-Socialista (Nazista) rapidamente se deu conta da enorme força do esporte e dos jogos olímpicos na orientação - e neste caso manipulação - da juventude e das massas. Logo, não teve dúvidas em aproveitar a ocasião, utilizando o evento como vitrine para uma concepção político-ideológica.

Não querendo fazer parte do jogo de manipulação fascista de Hitler, Inglaterra, França e Estados Unidos pressionaram o COI para que a Alemanha garantisse a segurança dos participantes e evitasse a segregação racial. Em Berlim 1936, a vaidade não encontrou limites na megalomania nazista. Ademais, não economizaram e investiram mais de US$ 30 milhões na organização, construindo também um novo estádio com capacidade para 110 mil espectadores, diversas instalações para abrigar as competições e uma Vila Olímpica de luxo, rodeada de lagos e bosques a tão somente 10km de Berlim.

Devemos reconhecer que a máquina propagandista do nazismo alemão converteu os jogos de Berlim nos melhores da história até o momento, já que Hitlher ordenou que tudo saísse à perfeição do ponto de vista técnico e também esportivo, com nível muito elevado em quase todas as provas. Como parte das inovações, destaca-se nesta olimpíada a transmissão das competições mais importantes pela televisão. Vinte e cinco telas gigantes foram posicionadas em diferentes espaços públicos de Berlim, para que o povo alemão pudesse assistir aos jogos. O aspecto comercial também foi um êxito nesta edição; foram comercializados quatro milhões de ingressos durante a olimpíada.

A chama sagrada chegou pela primeira vez desde Olimpia, na Grécia, e para percorrer os 3.076km foi necessária a ajuda de 3.300 pessoas no revezamento. A cerimônia inaugural foi solene mas simples, uma ponte entre o estilo grego clássico e o rigor alemão. As competições se desenvolveram novamente ao longo de suas semanas, entre 1º e 16 de agosto, e a presença dos atletas foi numerosa: 4.066 esportistas, dos quais 328 eram mulheres, representando um total de 49 países. O programa incluía 19 esportes. Nesta edição foram incorporados o basquete e o handebol. O pólo apareceu como esporte olímpico pela última vez.

Nas competições, a Finlândia voltou a brilhar nas corridas de longa distância; os escandinavos levaram as três medalhas na final dos 10.000m e o ouro e prata nos 5.000m, enquanto os americanos conseguiam as três medalhas no decatlo.

Os alemães dominaram os arremessos e lançamentos: Hans Woelke bateu o recorde olímpico em arremesso de peso com 16,20m. No lançamento de martelo ganhou Karl Hein, e no dardo o primeiro lugar ficou para Gerhard Stock. Na ginástica com aparelhos, a equipe alemã obteve o ouro. Ressalta-se que a Alemanha não ganhou uma prova sequer nos jogos anteriores. Os triunfos foram justificados pelos nazistas como um atestado do progresso esportivo da juventude, parte do programa de Hitler para o novo Reich.

Jesse Owens: tetracampeão olímpico

Antes do início dos jogos, existiam ressalvas por parte de alguns países no que diz respeito à discriminação de seus atletas não-brancos por parte do regime nazista. Receios que tristemente se confirmaram, com apelidos depreciativos dados aos atletas negros norte-americanos em jornais alemães, por exemplo.

Em Berlim 1936 foi escrita uma das páginas mais brilhantes do movimento olímpico como integrador e de reconhecimento à igualdade de todos os seres humanos. Jesse Owens, um corredor de raça negra dos EUA proveniente da Universidade de Ohio, bateu o recorde mundial nas semifinais dos 100m, com 10"02, diante da complacência de Hitler. Esta ocasião significou uma primeira chamada de atenção para o governante alemão e suas desafortunadas teorias sobre a inferioridade das raças não-arianas, que pelo menos nas pistas não foram cumpridas.

Owens passaria à história como um dos melhores atletas de todos os tempos, graças à performance nestes jogos: ganhou o ouro nos 100m, 200m, salto à distância e no revezamento 4x100m. Bateu ou igualou no mesmo dia, em um espaço de 100 minutos, cinco marcas mundiais diante do olhar incrédulo do Führer, que se negou a premiar o atleta norte-americano, abandonando o estádio.

A serenidade, habilidade fenomenal e cavalheirismo converteram Owens em um ícone, inclusive entre o público alemão. Depois de disputar estas olimpíadas, passou ao profissionalismo e se dedicou às apresentações.

Inge Sorensen, competidora dinamarquesa, ganhou uma medalha de bronze na prova dos 200m nado peito, quando tinha apenas 12 anos, sendo a pessoa mais jovem na história moderna dos jogos a ganhar uma medalha. Em outro episódio importante, o membro da equipe húngara de pólo aquático, Olivier Halassy, conseguiu sua terceira medalha olímpica; além disso, Halassy só tinha uma perna, pois a outra havia sido amputada após um acidente automobilístico.

O remador Jack Beresford, representante de Grã-Bretanha, agregou mais uma medalha de ouro à sua coleção; esta olimpíada foi a quinta consecutiva obtendo ao menos uma medalha. Por último, Kristjan Palusalu, da Estônia, venceu os dois estilos de luta: greco-romana e livre, na categoria dos pesos-pesados.

QUADRO DE MEDALHAS

País

Ouro Prata Bronze
1. Alemanha GER 33 26 30
2. Estados Unidos USA 24 20 12
3. Hungria HUN 10 1 5
4. Itália ITA 8 9 5
5. Finlândia FIN 7 6 6
6. França FRA 7 6 6
7. Suécia SWE 6 5 9
8. Japão JPN 6 4 8
9. Holanda NED 6 4 7
10. Grã-Bretanha GBR 4 7 3
11. Áustria AUT 4 6 3
12. Checoslováquia TCH 3 5 0
13. Argentina ARG 2 2 3
14. Estônia EST 2 2 3
15. Egito EGY 2 1 2
16. Suíça SUI 1 9 5
17. Canadá CAN 1 3 5
18. Noruega NOR 1 3 2
19. Turquia TUR 1 0 1
20. Nova Zelândia NZL 1 0 0
21. Índia IND 1 0 0
22. Polônia POL 0 3 3
23. Dinamarca DEN 0 2 3
24. Letônia LAT 0 1 1
25. Romênia ROM 0 1 0
26. África do Sul RSA 0 1 0
27. Iugoslávia YUG 0 1 0
28. México MEX 0 0 3
29. Bélgica BEL 0 0 2
30. Austrália AUS 0 0 1
31. Portugal POR 0 0 1
32. Filipinas PHI 0 0 1
Medallero, Berlín 1936 Altius, Citius, Fortius
« Volta