 
Os Jogos deveriam ser celebrados originalmente em 1940, em Tóquio. No entanto, e devido à situação do mundo naquele período
(o Japão havia invadido a China), o governo do país foi obrigado
a devolver a concessão ao Comitê Olímpico Internacional.
Mais tarde, decidiu-se que a Finlândia hospedaria esta edição
do evento, o que contou com grande aceitação entre os finlandeses.
Só que em 1939 a URSS iniciou um conflito com o país nórdico,
e os jogos deparecem sem deixar vestígios. Também não
foram celebradas as olimpíadas de 1944, pois a Segunda Guerra Mundial
já estava em andamento.
Assim, e depois da exaltação do nazismo nos jogos anteriores, o renascer olímpico se produziu em uma das capitais que melhor simbolizaram a oposição a essa forma de totalitarismo durante a guerra: Londres. Após a morte do Barão de Coubertin, em 1937, e do sucessor à frente do COI, Baillet-Latour, em 1942, a eleição do sueco Sigfrid Edström, de 80 anos, foi um grande acerto. A posição neutra da Suécia durante a guerra foi um alívio para resgatar o ideal olímpico. Um dia depois do armistício, Edström organizou uma primeira reunião oficial do COI. Londres 1948 seguiu adiante, apesar de a Itália ser a única nação do Eixo a ter sido admitida na capital inglesa.
Devido à devastação causada pela guerra, os jogos londrinos evitaram qualquer luxo desnecessário. A Inglaterra, devastada pela guerra, não podia ter grandes despesas. Não foram construídas instalações importantes. Arrumou-se o estádio de Wembley (que com a renovação passou a acomodar até 70 mil espectadores) e houve melhoras no velódromo de Herne Hill. Tampouco houve Vila Olímpica, e no lugar foram aproveitados quartéis para abrigar os atletas.
Três anos depois do fim da guerra, não parecia muito recomendável, apesar das tentativas do COI, que Alemanha e Japão competissem em uma das cidades mais devastadas pela força aérea nazista. A URSS, por sua vez, não participou, mesmo sem ter sico boicotada. Já China e Israel estiveram em Londres para os jogos; ainda que o país judeu não chegasse o competir por temor à reação dos países árabes. O gigante asiático competiu pela última vez em muitos anos, meses antes da chegada ao poder de Mao Tse Tung.
Tudo esteve pronto para o dia 29 de julho. Conseguiu-se, inclusive, e apesar da ausência de Japão e Alemanha, uma cifra recorde de países participantes - em grande parte devido à independência das colônias britânicas -, 59 nações. Estrearam nos jogos Bulgária e Romênia. No total, estiveram presentes 4.099 esportistas, das quais 385 pertenciam ao sexo feminino. As provas voltaram a ajustar-se no formato de duas semanas, de 29 de julho a 14 de agosto. No calendário, ocorreram 136 provas em 17 esportes oficiais.
A cerimônia de abertura foi transmitida ao vivo pela televisão, algo até então inédito, ainda que pouquíssimas famílias inglesas possuíssem um aparelho receptor naqueles dias difíceis. Como era de se esperar, os jogos foram muito pobres no que se referiu a recordes. A guerra e os 12 anos de ausência foram fatais. Alguns atletas haviam perdido seus melhores anos de competição. Outros caíram na guerra. Os mais afortunados, por sua vez, não encontraram as condições necessárias para se preparar. Apenas dez recordes olímpicos foram batidos nas provas sobre a pista de atletismo.
Entre os destaques esportivos encontramos a holandesa de 30 anos
Francine Blankers-Koen, que ficou com o ouro em quatro provas, os 100m e 200m
rasos, os 80m com obstáculos e o revezamento 4x100m. Também
sobressaiu o checo Emil Zatopeck, apelidado de "locomotiva humana",
e que nestes jogos cravou a marca mundial dos 10.000m, conseguindo ainda a
prata nos 5.000m. Para Zatopeck, estas medalhas marcariam apenas o princípio
de uma brilhante trajetória olímpica; quatro anos mais tarde,
em Helsinque, ganharia os 5.000m, 10.000m e a maratona, consagrando-se como
um dos melhores fundistas de todos os tempos.
Também despontou Bob Mathias, californiano inscrito
no decatlo que, aos 17 anos de idade, e depois de ser um completo desconhecido
até aquele momento, se converteu no atleta masculino mais jovem a ganhar
uma medalha de ouro, título que repetiria ainda em 1952. Igual a Weissmuller,
Mathias passou das pistas ao cenário do cinema e da televisão,
e ainda foi capitão de barco e político durante três legislaturas.
Malvin G. Whitifield, atleta americano então com 23 anos de ascendência
mexicana e francesa conseguiu o ouro nos 800m, o bronze nos 400m e o ouro por
equipes no 4x400m. Voltaria a repetir o feito nesta última prova quatro
anos depois.
Dois atletas campeões em 1936 voltaram a conquistar o ouro 12 anos depois, em Londres: a húngara Ilona Elek na esgrima e Jan Brzak, participante no remo e representante da Checoslováquia. Enquanto isso, a pianista francesa Micheline Ostermeyer venceu as provas de arremeso de peso e lançamento de disco. Karoly Takacs, membro da equipe húngara de tiro que ganhou o campeonato mundial em 1938, também conseguiu o título olímpico nestes jogos. Takacs perdeu a mão direita na guerra ao explodir uma granada, e obteve o ouro nesta competição disparando apenas com a esquerda.
QUADRO DE MEDALHAS
| Medallero, Londres 1948 |
Altius, Citius, Fortius |
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