 
Nesta Olimpíada, a segunda depois da última grande
guerra mundial, o ambiente internacional começava a respirar as conseqüências
da Guerra Fria, marcadas sobretudo pelo conflito na Coréia e pela recente
divisão européia entre países capitalistas e comunistas,
a famosa 'cortina de ferro'.
É em Helsinque que a União Soviética participa
pela primeira vez nos jogos como uma nova nação (em 1912 participou,
mas somente sob bandeira russa). No início, os atletas soviéticos
não se misturavam com os demais, alojando-se em uma Vila Olímpica
na localidade de Otamieni. A Alemanha também competiu nestes jogos,
mas o fez com duas seleções: uma representando a zona oeste e
outra com atletas da região do Sarre (mais ao sul do país). A
Alemanha Oriental, comunista, então República Democrática
Alemã (RDA),
não participou.
O espírito esportivo foi além das divergências políticas e ideológicas. Quando um norte-americano ganhou a prova de salto com vara, os outros dois integrantes do pódio, ambos soviéticos, se lançaram até ele para felicitar-lhe pelo triunfo. Este clima de amizade e a boa predisposição do público finlandês relançaram os jogos; só se falou de esporte.
O fervor de quatro milhões de finlandeses, sabedores da importância e transcendência de uma olimpíada, culminou com uma espetacular organização. Helsinque ofereceu um estádio olímpico para 70 mil espectadores, uma piscina para 11 mil, e uma Vila Olímpica para seis mil, que depois seria utilizada por famílias locais com baixos recursos.
No aspecto esportivo, os Jogos de Helsinque seguiram a escala ascendente iniciada anos atrás. Registrou-se um novo recorde de participação, tanto no número de países como no total de atletas: 69 nações e 4.925 esportistas, dos quais 518 eram mulheres. Os esportes oficiais ascenderam a 17, com 149 eventos. O calendário, mais uma vez programado para se desenvolver em duas semanas, foi estabelecido entre 19 de julho e 3 de agosto.
E assim chegava o dia de abertura dos jogos. Os organizadores tinham um ás sob a manga, pois haviam mantido em segredo o nome do penúltimo corredor do revezamento da tocha olímpica: Paavo Nurmi, o finlandês voador. Quando os milhares de espectadores que presenciavam a cerimônia de abertura reconheceram Nurmi, todo o estádio explodiu de alegria, gritando seu nome. Foi uma homenagem magnífica ao grande Nurmi, que tinha no currículo doze medalhas olímpicas (nove delas de ouro), e uma tentativa de corrigir a injustiça provocada pelo Comité Olímpico Internacional, que acusou o corredor de "profissionalismo". Paavo entregou, no meio de grande ovação, a tocha para que Hannes Kokehmainen acendesse a pira com o fogo olímpico.
Mas na mesma cerimônia inaugural houve um incidente, que registrou o primeiro susto para a segurança e organização dos jogos naquele ano. Uma estudante alemã de 28 anos, pacifista e partidária da reunificação alemã, conseguiu furar a vigilância e subir ao palco. Diante do microfone, apenas pôde dizer: "Senhoras e senhores... queridos amigos".
A olimpíada de 1952 ofereceu um grande espetáculo nas provas de atletismo. Os triunfos obtidos não possuíam precedentes; 20 marcas olímpicas - das quais quatro eram mundiais - foram quebradas.
O primeiro campeão olímpico destes jogos foi o norte-americano Walter Davis, vencedor da competição de salto em altura com 2m04. Os finlandeses, acostumados a ter grandes corredores de fundo, ficaram impressionados com a exibição do checo Emil Zatopek, que já havia conquistado o ouro nos 10.000m e a prata nos 5.000m nos jogos anteriores. Em Helsinque, ganhou os 5.000m e os 10.000m rasos com somente uma hora de diferença. Também venceria depois a maratona, convertendo-se assim no único atleta a ganhar estas três provas em uma mesma olimpíada. Além disso, sua esposa Dana Zatopek, a quem havia conhecido nos jogos anteriores, venceu na prova de arremesso de dardo. Logo, o matrimônio Zatopek levou para casa quatro medalhas de ouro.
A participação soviética, que como já foi mencionado fazia sua estréia, começou a brilhar nas provas inaugurais. Alexander Anoufriev, terceiro lugar na prova dos 10.000m rasos, foi o primeiro medalhista soviético da história, enquanto que na prova dos 400m venceu um atleta de nome Lituyev. Mas quem chamou a atenção mesmo foram as ginastas da URSS: ganharam com folga a competição por equipes, dando início assim a um domínio que perduraria por 40 anos, até a ruptura dos estados que compunham a União Soviética, em 1991. Ao final dos jogos de Helsinque, os soviéticos ocupariam o segundo lugar no quadro de medalhas, o que marcaria o início da rivalidade com os norte-americanos pelas primeiras colocações.
Uma das primeiras mulheres a receber autorização
para competir contra os homens foi a amazona Lis Hartel, da Dinamarca,
que
ganhou a
medalha de prata mesmo paralisada do joelho para baixo - devido à poliomielite -,
mesmo precisando de ajuda para montar em seu cavalo. Lars Hall, um carpinteiro
sueco, foi o primeiro civil (participante não-militar) a ganhar
a primeira posição no pentatlo moderno.
Estes jogos marcaram o triunfo de Frank Havens na canoagem. Bill, seu pai e representante norte-americano da equipe de remo favorita em 1924, havia desistido de participar naquelas olimpíadas, pois sua esposa estava esperando o primeiro filho: Frank, logicamente.
QUADRO DE MEDALHAS
| Medallero, Helsinki 1952 |
Altius, Citius, Fortius |
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