 
A cidade australiana de Melbourne foi eleita sede dos
Jogos Olímpicos de 1956 com apenas um voto de vantagem sobre
Buenos Aires, capital da Argentina. O Comitê Olímpico Internacional
(COI) considerava a escolha merecida, pois poucos povos no mundo amavam
tanto o esporte como os australianos. Assim, a Olimpíada seria
celebrada pela primeira vez fora da Europa ou dos Estados Unidos.
No entanto, houve alguns problemas antes e durante a organização
do evento. Para começar, a diferença nas datas do começo
do verão entre os distintos hemisférios fez com que o mês
de dezembro fosse proposto para início dos jogos. No final, chegou-se
a um acordo: seriam realizados entre 22 de novembro e 8 de dezembro,
como era de se esperar. Ressalta-se que a data tardia alterava o programa
habitual de treinamento dos atletas. Considerava-se também o caro
deslocamento até um lugar tão afastado no globo. Depois,
as provas hípicas acabaram sendo realizadas na Suécia,
devido à quarentena
vigente na Austrália para os animais procedentes do exterior.
Assim, muitos foram os problemas para Melbourne, que ainda contava com
a oposição de 40% dos australianos à realização
dos jogos no país.
Mas isso não era o bastante. A XVI Olimpíada
sofreu pressões do exterior, provenientes da tensa situação
geo-política que imperava naquele momento. Judeus e árabes
estavam na disputa pelo Canal de Suez, conflito que também mesclou
interesses anglo-franceses. A mesma França não tinha as
melhores relações com a Argélia (colônia do
país que iria obter a independência anos depois). Pouco
antes da celebração dos jogos, a URSS havia invadido a
Hungria, fazendo com que Espanha, Holanda, Suíça, Coréia
do Sul, Egito e Iraque boicotassem os jogos olímpicos, e estabelecendo
assim um perigoso precedente que seria seguido por outros países
mais tarde. Em plena olimpíada, a China se recolheu ao ser hasteada
a bandeira de Formosa. Pequim alegou que a presença da equipe
de China Formosa era uma manifestação de caráter
político dos jogos, e que não poderiam partilhar a participação
com a equipe de Taiwan. A Alemanha, por sua vez, havia conseguido enviar
apenas uma equipe, unindo sob a mesma bandeira atletas orientais, ocidentais
e da região do Sarre. Logo, não era de se admirar que Avery
Brundage, presidente do COI que dirigia em Melbourne seus primeiros jogos,
advertisse na inauguração que "os jogos olímpicos
são competições entre indivíduos e não
entre nações".
No entanto, os australianos imprimiram uma grande organização para os jogos. Disponibilizaram um grande estádio de críquete, que acolheu 110 mil pessoas na cerimônia inaugural, além de uma moderna piscina e de uma Vila Olímpica composta por 841 casas situadas a 12km da cidade, nas quais reinou um ambiente fraterno e esportivo.
Havia chegado o dia 22 de novembro de 1956, e no Main Stadium do Melbourne Cricket Ground desfilaram 3.184 atletas (cifra inferior à registrada em edições anteriores) representando a 67 nações que disputaram 145 eventos de 17 esportes oficiais; exceção feita à competição hípica, que como já foi mencionado se realizou em Estocolmo, na Suécia, entre 10 e 17 de junho. Destaca-se que do total de esportistas presentes no evento, 371 eram mulheres.
E como nas edições anteriores, Melbourne
1956 também teve seus próprios heróis. O primeiro
deles foi o norte-americano Robert Morrow, que ganhou três medalhas
de ouro nos 100m, 200m e no revezamento 4x100m; sobressai o recorde olímpico
dos 200m que bateu com uma marca de 20,6''. Seria o último velocista
norte-americano "branco" a dominar a velocidade nos jogos. Por sua vez,
o corredor Vladimir Kutz, da URSS, mostrou que os atletas daquele país
estavam no nível dos melhores, conseguindo o título nas
provas de 5.000m e 10.000m rasos: na primeira bateu, por 20 segundos,
o recorde que possuía Zatopek, marcando um tempo de 13'39''6.
Conseqüentemente, a invasão da equipe soviética alterou
o equilíbrio que até então se havia mantido nas
competições, principalmente na natação e
no atletismo, que foram as grandes modalidades daqueles jogos. Estados
Unidos e Austrália tiveram que dividir a atenção
popular - e os resultados - com os atletas da então União
Soviética. Mas também cederam a eles o primeiro lugar no
quadro de medalhas. A URSS conseguiu reunir 37 medalhas de ouro, 29 de
prata e 32 de bronze.
O húngaro Lazlo Papp se converteu no primeiro boxeador a ganhar três medalhas de ouro. O ginasta ucraniano Viktor Chukarin conseguiu cinco medalhas, três delas de ouro, somando durante toda a carreira um total de onze medalhas, sete só como vencedor.
Enquanto isso, no lado feminino, as rainhas foram sem dúvida a ginasta húngara Agnes Keleti, que nesta olimpíada conquistou quatro medalhas de ouro e duas de prata, e a australiana Betty Cuthbert, que alcançou seus três primeiros títulos olímpicos nos 100m, 200m e 4x400m. Outra competidora local, de nome Shirley de la Hunty, venceu a prova de 80m com obstáculos, batendo os recordes olímpico e mundial, com um tempo de 10''7. A norte-americana Pat McCormick ganhou nas duas competições de salto ornamental: plataforma de 10m e trampolim de 3m.
Antes de Melbourne, os atletas desfilavam na cerimônia de encerramento por países, assim como na de abertura. Mas, nesta edição dos jogos, e graças à iniciativa de um jovem australiano chamado John Ian Wing, os atletas entraram juntos no estádio como um símbolo de unidade.
QUADRO DE MEDALHAS
| Medallero, Melbourne 1956 |
Altius, Citius, Fortius |
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