> Esportes > Atenas 2004  > História
Veja mais sobre Atenas no celularAtenas 2004 em:


 Boletim

 Fale conosco

História
Tóquio 1964

Os Jogos da XVIII Olimpíada, com sede na cidade japonesa de Tóquio em 1964, foram os primeiros a ser realizados na Ásia. Ressalta-se que a capital do império do sol nascente já havia sido eleita sede do evento 24 anos antes, mas circunstâncias (invasão da China Continental) impediram a hospedagem.

Tóquio-1964 mostrou como se havia reconstruído um país devastado pela guerra e por uma rendição humilhante apenas vinte anos antes, e como começava a se colocar como uma nação na vanguarda tecnológica do planeta. Inclusive foram chamados de "Os Jogos da Eletrônica", pois a intenção dos japoneses era penetrar nos mercados mundiais, mostrando ao mundo os progressos alcançados no terreno comercial e tecnológico, mesmo com a derrota na Segunda Guerra Mundial.

Ao mesmo tempo, o enigmático e extraordinário universo japonês era ainda desconhecido para a maioria do mundo ocidental. O Japão encontrava nos Jogos uma maneira perfeita para se abrir ao exterior; o que se viu foi um país que se ainda guardava suas tradições ancestrais, mas que desejava também a integração ao resto do planeta. O ocidente também pretendia descobrir as virtudes daquela antiga civilização.

A organização japonesa foi exemplar. Os arquitetos Kenzo Tange e Isozaki construíram uma piscina, um palácio de esportes, e um pavilhão para o judô (seu esporte nacional), assombrando os visitantes estrangeiros. Para a conclusão do Estádio Olímpico aproveitou-se uma construção já existente, ampliada e adaptada para torná-lo mais confortável, mas sem pretensões em excesso. A Vila Olímpica foi outro exemplo da arquitetura nipônica. Além disso, foi colocada à disposição de atletas e visitantes uma frota de bicicletas, que poderiam ser usadas livremente. Também foi liberada uma Vila Olímpica exclusiva aos jornalistas credenciados (ainda que nesta não houvesse bicicletas disponíveis).

Se em Berlim-1936 foram provadas as transmissões televisivas dos Jogos, e em Roma conseguiu-se expandir os sinais do veículo a toda Europa, em 1964, graças ao satélite artificial Symcom III, foi possível difundi-los a mais de 600 milhões de espectadores.

O Japão viveu momentos de preocupação dias antes da cerimônia de abertura. Os meteorologistas prognosticavam que o tufão Wilma poderia atingir áreas próximas a Tóquio. Mas, afortunadamente, o fenômeno atmosférico perdeu intensidade. No entanto, os japoneses não puderam controlar o clima, e a chuva e o frio terminaram sendo fatores de impedimento para o aperfeiçoamento dos índices de inúmeros atletas.

No ambiente político internacional que envolveu esta edição das Olimpíadas, cabe mencionar as ausências da África do Sul, excluída devido à política interna segregacionista contra a população negra, e da China continental. A Alemanha, por sua vez, apresentou pela última vez uma equipe unificada. Quatro anos depois, no México em 1968, apareceria a República Democrática Alemã (RDA).

Os Jogos de Tóquio tiveram início em 10 de outubro, com uma cerimônia de abertura presidida pelo imperador Hirohito, e que ademais teve como último integrante do revezamento da tocha olímpica o atleta de 19 anos Yoshinori Sakai, nascido em 6 de agosto de 1945, numa aldeia próxima a Hiroshima. A data de nascimento de Sakai coincide com o dia em que a cidade foi destruída pela bomba atômica, sem dúvida um dos acontecimentos mais tristes da História.

No âmbito esportivo, em Tóquio-1964 participaram 5.140 atletas no total (683 mulheres), representando 94 países. Competiram em 163 provas de 19 esportes oficiais. A Olimpíada desenvolveu-se até o dia 24 de outubro.

O etíope Abebe Bikila voltou a brilhar intensamente e se converteu em um dos maiores atletas de todos os tempos ao ratificar, quatro anos depois, sua medalha de ouro na maratona. Bikila correu e ganhou esta desgastante prova menos de seis semanas depois de ter sido submetido a uma operação de apêndice.

Outro grande destaque destes Jogos foi a nadadora australiana Dawn Fraser, que se proclamou, por terceira vez consecutiva, campeã dos 100m em estilo livre, marcando uma das mais notáveis trajetórias profissionais na história da natação olímpica. O nadador norte-americano Don Schollander, por sua vez, obteve quatro medalhas de ouro, e o húngaro Dezso Gyarmatim, membro da equipe de pólo aquático de seu país, conseguiu sua quinta medalha consecutiva.

Nesta edição dos Jogos de Verão, a ginasta soviética Larissa Latynina competiu pela última vez em Olimpíadas. A bela atleta se afastava depois de estar presente em três edições consecutivas e obter um total de 18 medalhas (nove de ouro, cinco de prata e quatro de bronze).

O velocista norte-americano Bob Hayes foi o vencedor dos 100m rasos. Durante a semifinal marcou um tempo de 9,99s; recorde que foi invalidado quando os juízes apresentaram as medições de vento a favor. No entanto, ganhou a final igualando o recorde que ostentava o alemão Armin Harry com 10s. Hayes também foi protagonista no revezamento 4x100m, sendo o encarregado de correr como último da equipe. Quando chegou a vez de Bob, os norte-americanos estavam em quinto lugar. Houve uma fantástica recuperação e a equipe acabaria levando o ouro, quebrando ainda o recorde mundial.

A nota mais dramática dos Jogos foi provocada pelo judô japonês. O esporte nacional mergulhou todo um povo na tristeza e na vergonha mais absoluta, quando sua grande estrela Akio Kaminaga caiu no tatame, vencido pelo holandês Geesink. O impacto desta derrota foi tão profundo que provocou até suicídios entre os japoneses que enxergaram o fato como uma humilhação internacional.

Mas o grande escândalo de Tóquio-1964 surgiu com atletas dos então chamados "países do Leste", diante da dúvida sobre o verdadeiro sexo de integrantes de suas equipes. A "competidora" soviética Tamara Press, vencedora das provas de arremesso de peso e lançamento de disco, cuja aparência era indiscutivelmente masculina, abandonaria as competições um ano depois sem dar explicações, e sob muitas suspeitas.

Algo parecido aconteceu com a irmã de Tamara, Irina, segunda no pentatlo, e com a romena Iolanda Balas, ouro no salto em altura. A polonesa Ewa Klobukowska, bronze nos 100m rasos, não superou um exame de controle de sexo no ano seguinte, confirmando assim as inúmeras dúvidas já levantadas até aquele momento.

QUADRO DE MEDALHAS

País

Ouro Prata Bronze
1. Estados Unidos USA 36 26 28
2. URSS URS 30 31 35
3. Japão JPN 16 5 8
4. Equipe Alemã Unificada (1956, 1960, 1964) EUA 10 22 18
5. Itália ITA 10 10 7
6. Hungria HUN 10 7 5
7. Polônia POL 7 6 10
8. Austrália AUS 6 2 10
9. Checoslováquia TCH 5 6 3
10. Grã-Bretanha GBR 4 12 2
11. Bulgária BUL 3 5 2
12. Finlândia FIN 3 0 2
13. Nova Zelândia NZL 3 0 2
14. Romênia ROM 2 4 6
15. Holanda NED 2 4 4
16. Turquia TUR 2 3 1
17. Suécia SWE 2 2 4
18. Dinamarca DEN 2 1 3
19. Iugoslávia YUG 2 1 2
20. Bélgica BEL 2 0 1
21. França FRA 1 8 6
22. Canadá CAN 1 2 1
23. Suíça SUI 1 2 1
24. Etiópia ETH 1 0 0
25. Bahamas BAH 1 0 0
26. Índia IND 1 0 0
27. Coréia KOR 0 2 1
28. Trinidad e Tobago TRI 0 1 2
29. Tunísia TUN 0 1 1
30. Pakistão PAK 0 1 0
31. Filipinas PHI 0 1 0
32. Argentina ARG 0 1 0
33. Cuba CUB 0 1 0
34. Irã IRI 0 0 2
35. Irlanda IRL 0 0 1
36. Gana GHA 0 0 1
37. Brasil BRA 0 0 1
38. Quênia KEN 0 0 1
39. México MEX 0 0 1
40. Nigéria NGR 0 0 1
41. Uruguai URU 0 0 1
Medallero, Tokio 1964 Altius, Citius, Fortius
« Volta