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História
Munique 1972

Logo após as últimas edições na Ásia e na América, os Jogos voltaram à Europa. Nesta ocasião à Alemanha Ocidental, em Munique, 36 anos depois da primeira Olimpíada no país.

Mas esta edição se converteu na mais trágica da história do evento, quando na noite de 5 de setembro, a cinco dias do término dos Jogos, oito terroristas palestinos do grupo conhecido como "Setembro Negro" aproveitaram a escuridão e, vestidos como atletas, entraram na Vila Olímpica. Invadiram mais precisamente as habitações de israelenses, e começaram a disparar. O resultado foi a morte instantânea do treinador de luta Moshe Weinberg, e a do halterofilista Joseph Romano. Somente um deles, Touviah Sokolovski, pôde escapar pulando de uma janela. Os nove restantes foram capturados e seqüestrados pelos terroristas, cuja exigência era clara: a libertação de 200 prisioneiros palestinos detidos em Israel. Se as autoridades não atendessem, os reféns seriam assassinados.

Depois de angustiosas negociações, que se estenderam durante horas, as autoridades alemãs conseguiram levar os seqüestradores e os reféns ao aeroporto militar de Führstenfeldbrück, onde aparentemente um avião estaria esperando para levá-los ao Egito. Uma vez no Cairo, e segundo o previsto no acordo, os terroristas palestinos entregariam os atletas em troca dos prisioneiros. No entanto, era uma armadilha. Helicópteros começaram a sobrevoar a área, e dentro deles atiradores de elite alemães começaram a disparar sobre os terroristas. Estes, cegos pelos refletores do terminal aéreo, responderam atirando em todas as direções, incluindo no lugar onde estavam os reféns. O resultado foi dramático: 17 mortos (os nove atletas de Israel, cinco dos oito terroristas, um policial alemão e o piloto de um dos helicópteros). Foi, sem dúvida, a pior noite vivida em Olimpíadas.

Esta tragédia marcou de forma definitiva o resto dos Jogos, ao mesmo tempo em que se fez uma pausa de 34 horas para a realização de cerimônias fúnebres; ademais, foram reforçadas ao máximo as medidas de segurança (por mais que isto não tenha sido impedimento para que na prova de maratona um jovem adentrasse o estádio e, diante da ovação de milhares de espectadores, aparentasse ser o vencedor), e os atletas se distanciaram do público.

Os norte-americanos Vince Matthews e Wayne Collett, os dois primeiros lugares dos 400m, lembraram no pódio o "black power" da edição mexicana dos Jogos em 1968. No entanto, a lista de problemas em Munique-1972 não parava por aí. Durante a final do basquete, entre URSS e EUA, partida que havia terminado 50 a 49 a favor dos norte-americanos, a equipe soviética protestou na mesa dos juízes, assinalando que depois da última cesta, e com três segundos por jogar, havia solicitado tempo. Os árbitros voltaram atrás, e posteriormente Serguei Belov lançou a bola até o lado oposto, onde estava seu irmão Alexander, que acabou virando o placar para 51 a 50. Os norte-americanos perdiam a medalha de ouro; ficaram tão irritados que nem aceitaram as medalhas de prata e tampouco estiveram presentes à cerimônia de premiação. Hoje, estas medalhas estão sob proteção do COI.

No que diz respeito à organização, os alemães fizeram um grande esforço para demonstrar que o país tinha um novo espírito no pós-guerra. Para instituir esta Olimpíada, os gastos foram de aproximadamente US$ 800 milhões. As cifras eram suficientes para a construção de instalações modernas e confortáveis. Aproveitou-se, por exemplo, o antigo aeroporto (Oberwiessenfeld), integrado à cidade e com mais de 300 hectares, para dedicá-lo às instalações olímpicas. Edificaram um revolucionário estádio com uma cobertura de plástico que alcançava também o novo palácio de esportes e uma piscina. Nesta mesma área, foi construída uma luxuosa Vila Olímpica, que deveria hospedar 12 mil pessoas, e um centro de imprensa para 4 mil jornalistas. Tais profissionais puderam trabalhar com facilidades desconhecidas até aquele momento. Munique inaugurou, inclusive, sua rede de metrô por motivo dos Jogos.

Desta forma, na cerimônia de abertura em 26 de agosto, houve muita alegria, música e cores; assistiram como convidados inúmeros ícones do esporte como Zatopek, Weismuller, Owens e Abebe Bikila. Surgiu ainda o primeiro mascote: Wald, um cachorro. Como primeiro ato da inauguração, foi reeditado um desfile tradicional efetuado em Munique a cada sete anos para agradecer a sobrevivência da cidade à peste na Idade Média. Atrás vinham as bandeiras dos países participantes e os atletas. Pela primeira vez na história olímpica, uma mulher, a alemã Heidi Schueller, fez o juramento dos atletas. Durante a cerimônia, foi feita uma homenagem aos mortos no campo de concentração de Dachau na Segunda Guerra Mundial.

Estes Jogos alcançaram uma cifra recorde de participação com 7.144 atletas, dos quais 1.299 eram mulheres. Estiveram presentes 122 países, e a competição transcorreu entre 26 de agosto e 11 de setembro. Dois destaques foram deslumbrantes: a nadadora australiana Shane Gould e o também nadador norte-americano Mark Spitz. Gould possuía, antes do início da Olimpíada, todos os recordes mundiais da natação feminina no estilo livre, dos 100m aos 1.500m. Logo, as três medalhas de ouro, uma de prata e outra de bronze obtidas pela australiana recompensaram o enorme esforço de uma jovem que a cada manhã se levantava às cinco para treinar duro antes de ir à escola.

Spitz, por sua vez, conseguiu sete títulos na piscina olímpica e outros tantos recordes mundiais que lhe converteram no "rei" de Munique. Este grande campeão olímpico marcou, ademais, uma nova era na comercialização do esporte: compareceu a uma das entregas de medalhas com sapatos esportivos de uma conhecida marca na mão e não deixou de agitá-las ao público a todo momento, diante das câmeras fotográficas e de televisão. Um trabalho publicitário de grande eficácia e sem precedentes.

QUADRO DE MEDALHAS

País

Ouro Prata Bronze
1. URSS URS 50 27 22
2. Estados Unidos USA 33 31 30
3. Alemanha Oriental (1955-1990) GDR 20 23 23
4. Alemanha Ocidental (1950-1990) FRG 13 11 16
5. Japão JPN 13 8 8
6. Austrália AUS 8 7 2
7. Polônia POL 7 5 9
8. Hungria HUN 6 13 16
9. Bulgária BUL 6 10 5
10. Itália ITA 5 3 10
11. Suécia SWE 4 6 6
12. Grã-Bretanha GBR 4 5 9
13. Romênia ROM 3 6 7
14. Finlândia FIN 3 1 4
15. Cuba CUB 3 1 4
16. Holanda NED 3 1 1
17. França FRA 2 4 7
18. Checoslováquia TCH 2 4 2
19. Quênia KEN 2 3 4
20. Iugoslávia YUG 2 1 2
21. Noruega NOR 2 1 1
22. Coréia do Norte PRK 1 1 3
23. Nova Zelândia NZL 1 1 1
24. Uganda UGA 1 1 0
25. Dinamarca DEN 1 0 0
26. Suíça SUI 0 3 0
27. Canadá CAN 0 2 3
28. Irã IRI 0 2 1
29. Grécia GRE 0 2 0
30. Bélgica BEL 0 2 0
31. Áustria AUT 0 1 2
32. Colômbia COL 0 1 2
33. Argentina ARG 0 1 0
34. Coréia do Sul KOR 0 1 0
35. Líbano LIB 0 1 0
36. México MEX 0 1 0
37. Mongólia MGL 0 1 0
38. Paquistão PAK 0 1 0
39. Tunísia TUN 0 1 0
40. Turquia TUR 0 1 0
41. Etiópia ETH 0 0 2
42. Brasil BRA 0 0 2
43. Espanha ESP 0 0 1
44. Gana GHA 0 0 1
45. Níger NGR 0 0 1
46. Nigéria NIG 0 0 1
47. Jamaica JAM 0 0 1
48. Índia IND 0 0 1
Medallero, Munich 1972. Altius, Citius, Fortius
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