 
Logo após as últimas edições
na Ásia
e na América, os Jogos voltaram à Europa. Nesta ocasião à Alemanha
Ocidental, em Munique, 36 anos depois da primeira Olimpíada no
país.
Mas esta edição se converteu
na mais trágica da história do evento, quando na noite
de 5 de setembro, a cinco dias do término dos Jogos, oito terroristas
palestinos do grupo conhecido como "Setembro Negro" aproveitaram
a escuridão e, vestidos como atletas,
entraram na Vila Olímpica. Invadiram mais precisamente as
habitações
de israelenses, e começaram a disparar. O resultado
foi a morte instantânea
do treinador de luta Moshe Weinberg, e a do halterofilista
Joseph Romano. Somente um deles, Touviah Sokolovski, pôde escapar
pulando de uma janela. Os nove restantes foram capturados e seqüestrados
pelos terroristas, cuja exigência era clara: a libertação
de 200 prisioneiros palestinos detidos em Israel. Se as autoridades não
atendessem, os reféns seriam assassinados.
Depois de angustiosas negociações, que se estenderam durante
horas, as autoridades alemãs conseguiram levar os seqüestradores
e os reféns ao aeroporto militar de Führstenfeldbrück,
onde aparentemente um avião estaria esperando para levá-los
ao Egito. Uma vez no Cairo, e segundo o previsto no acordo, os terroristas
palestinos entregariam os atletas em troca dos prisioneiros. No entanto,
era uma armadilha. Helicópteros começaram a sobrevoar a área,
e dentro deles atiradores de elite alemães começaram
a disparar sobre os terroristas. Estes, cegos pelos refletores do terminal
aéreo,
responderam atirando em todas as direções, incluindo
no lugar onde estavam os reféns. O resultado
foi dramático:
17 mortos (os nove atletas de Israel, cinco dos oito terroristas, um
policial
alemão
e o piloto de um dos helicópteros). Foi, sem dúvida, a
pior noite vivida em Olimpíadas.
Esta tragédia marcou de forma definitiva o resto dos Jogos, ao
mesmo tempo em que se fez uma pausa de 34 horas para a realização
de cerimônias fúnebres; ademais, foram reforçadas
ao máximo
as medidas de segurança (por mais que isto não tenha sido
impedimento para que na prova de maratona um jovem adentrasse o estádio
e, diante da ovação de milhares de espectadores, aparentasse
ser o vencedor), e os atletas se distanciaram do público.
Os norte-americanos Vince Matthews e Wayne Collett, os dois primeiros
lugares dos 400m, lembraram no pódio o "black power" da edição
mexicana dos Jogos em 1968. No entanto, a lista de problemas em Munique-1972 não parava por aí. Durante a final do basquete, entre
URSS e EUA, partida que havia terminado 50 a 49 a favor dos norte-americanos,
a equipe soviética protestou na mesa dos juízes, assinalando
que depois da última cesta, e com três segundos por jogar,
havia solicitado tempo. Os árbitros voltaram atrás, e posteriormente
Serguei Belov lançou a bola até o lado oposto, onde estava
seu irmão Alexander, que acabou virando o placar para 51 a 50.
Os norte-americanos perdiam a medalha de ouro; ficaram tão irritados
que nem aceitaram as medalhas de prata e tampouco estiveram presentes à cerimônia
de premiação. Hoje, estas medalhas estão sob proteção
do COI.
No que diz respeito à organização, os alemães
fizeram um grande esforço para demonstrar que o país tinha
um novo espírito no pós-guerra. Para instituir esta Olimpíada,
os gastos foram de aproximadamente US$ 800 milhões. As cifras
eram suficientes para a construção de instalações
modernas e confortáveis. Aproveitou-se, por exemplo, o antigo
aeroporto (Oberwiessenfeld), integrado à cidade e com mais de
300 hectares, para dedicá-lo às instalações
olímpicas. Edificaram um revolucionário estádio
com uma cobertura de plástico que alcançava também
o novo palácio de esportes e uma piscina. Nesta mesma área,
foi construída uma luxuosa Vila Olímpica, que deveria hospedar
12 mil pessoas, e um centro de imprensa para 4 mil jornalistas.
Tais profissionais puderam trabalhar com facilidades desconhecidas até aquele
momento. Munique inaugurou, inclusive, sua rede de metrô por motivo
dos Jogos.
Desta forma, na cerimônia de abertura em 26 de agosto, houve muita
alegria, música e cores; assistiram como convidados inúmeros ícones do esporte como Zatopek, Weismuller, Owens e Abebe Bikila.
Surgiu ainda o primeiro mascote: Wald, um cachorro. Como primeiro ato
da inauguração, foi reeditado um desfile tradicional efetuado
em Munique a cada sete anos para agradecer a sobrevivência da cidade à peste
na Idade Média. Atrás vinham as bandeiras dos países
participantes e os atletas. Pela primeira vez na história olímpica,
uma mulher, a alemã Heidi Schueller, fez o juramento dos atletas.
Durante a cerimônia, foi feita uma homenagem aos mortos no campo
de concentração de Dachau na Segunda Guerra Mundial.
Estes Jogos alcançaram uma cifra recorde de participação
com 7.144 atletas, dos quais 1.299 eram mulheres. Estiveram presentes
122 países, e a competição transcorreu entre 26
de agosto e 11 de setembro. Dois destaques foram deslumbrantes: a nadadora
australiana Shane Gould e o também
nadador norte-americano Mark Spitz. Gould possuía, antes do início da
Olimpíada,
todos os recordes mundiais da natação feminina
no estilo livre, dos 100m aos 1.500m. Logo, as três medalhas de
ouro, uma de prata e outra de bronze obtidas pela australiana recompensaram
o enorme esforço de uma jovem que a cada manhã se levantava às
cinco para treinar duro antes de ir à escola.
Spitz, por sua vez,
conseguiu sete títulos na piscina olímpica e outros tantos
recordes mundiais que lhe converteram no "rei" de Munique.
Este grande campeão olímpico marcou, ademais,
uma nova era na comercialização do esporte: compareceu
a uma das entregas de medalhas com sapatos esportivos de uma conhecida
marca na mão e não deixou de agitá-las ao
público a todo momento, diante das câmeras fotográficas
e de televisão. Um trabalho publicitário de grande eficácia
e sem precedentes.
QUADRO DE MEDALHAS
| Medallero, Munich 1972. |
Altius, Citius, Fortius |
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