 
Os Jogos da XXI Olimpíada chegaram em 1976 ao frio
Canadá. O abandono de 17 nações africanas em protesto
contra a visita de autoridades da Nova Zelândia à África
do Sul, sancionada pelo regime discriminatório do Apartheid, lançou
as primeiras dificuldades para o evento, registrando o primeiro boicote oficial na história do movimento
olímpico.
Logo viria outro incidente com os atletas de Taiwan (Formosa), que não
puderam competir em representação da República Popular
China.
O governo central canadense não financiou a construção
de infra-estrutura necessária, e os encargos financeiros
ficaram sob responsabilidade do regime local da cidade de Montreal,
administração
que teve de se endividar. O déficit
da candidatura acabou muito elevado. Esta falta de apoio tornou-se
aguda se for levada em conta a sempre difícil relação
entre as comunidades que falam inglês e francês no Canadá.
Para enfrentar a falta de recursos econômicos, as autoridades da
cidade-sede assinaram contratos para a transmissão das competições
por televisão, criou-se uma loteria olímpica, e foram vendidos
os direitos da mascote Amik para uso comercial. Com tais medidas, queriam
demonstrar também que uma Olimpíada poderia se sustentar
sozinha.
Os organizadores canadenses, assim como fizeram os alemães havia
quatro anos, promoveram importantes reorganizações urbanas.
Inauguraram um moderno metrô, um novo aeroporto e, sobretudo, planificaram
uma cidade no subsolo, o que, em lugares de muito frio como Montreal,
significava um alívio para comerciantes, atletas, jornalistas
e visitantes em geral. A Vila Olímpica, o estádio e o velódromo
foram também construídos para os Jogos.
Na cerimônia de abertura, a rainha Elizabeth, da Inglaterra, pronunciou
o discurso inicial tanto em inglês como em francês. Em seguida,
75 índios de diversas etnias do Canadá entraram marchando
no Estádio Olímpico, anunciando a chegada dos atletas.
Lord Killanin, presidente do COI, foi recebido por três casais
de atletas gregos, canadenses e soviéticos. Eles representavam
os primeiros Jogos (1886), os de Montreal e os seguintes em Moscou. Em
homenagem aos esportistas assassinados em Munique, a delegação
de Israel desfilou com uma fita negra.
Os Jogos foram disputados entre 17 de julho e 1º de agosto. Estiveram
presentes 6.028 atletas (1.247 mulheres), representando 92 países.
Foram realizadas 198 competições, divididas em
21 esportes oficiais.
O destaque indiscutível desta Olimpíada foi a ginasta romena Nádia
Comaneci, de apenas 14 anos de idade, 1,53m de altura e 40kg de peso.
Assim, na fronteira da infância com a adolescência, a graciosa
romena de olhos tristes conseguiu presentear o mundo, pela primeira vez
na história, e ao vivo, com a unanimidade dos juízes na
distribuição de 10 como nota máxima,
após
exercitar-se nas barras assimétricas e na trave de equilíbrio.
Nádia
somou, ao final, cinco medalhas: três de ouro, uma de prata e uma
de bronze.
Para o atletismo dos Estados Unidos, Montreal-1976 não foi uma
boa Olimpíada. Ganharam apenas os 400m com obstáculos e
as duas provas de revezamento. Perderam competições que habitualmente
haviam dominado, como as curtas de 100m, 200m e 400m. Já o cubano
Alberto Juantorena, apelidado de "O Cavalo", ganhou duas
provas:
os 400m rasos e os 800m; nesta última bateu o recorde
olímpico
e mundial com um tempo de 1min42s50.
Na natação, a alemã Kornelia Ender, demonstrando
muita força
e uma facilidade de deslizamento espetacular, melhorou o recorde
mundial dos 100m (55s65) e registrou o início da superioridade de seu país neste tipo de competição. Também se
destacou o italiano Klaus Dibiasi, que venceu nestes Jogos sua
terceira medalha de ouro consecutiva nos saltos ornamentais.
QUADRO DE MEDALHAS
| Medallero, Montreal 1976. |
Altius, Citius, Fortius |
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