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História
Moscou 1980

Depois do abandono de países africanos na Olimpíada de Montreal, quatro anos antes, os Jogos de Moscou voltaram a sofrer com esta manifestação política e contrária ao espírito esportivo.

No dia 27 de novembro de 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão, o que provocou o aumento da tensão nas já difíceis relações entre o bloco comunista e o "ocidente". Com isso, o presidente norte-americano Jimmy Carter pediu oficialmente a mudança dos Jogos para fora do território soviético, ou a suspensão do evento se antes de um mês as tropas do Pacto de Varsóvia não abandonassem o Afeganistão.

Diante do fracasso dessa intervenção, o governo dos EUA decidiu que seus atletas não competiriam na XXII Olimpíada. Somando-se a esta iniciativa, outros 37 países também resolveram não participar. Estiveram presentes em Moscou 81 países (dos 142 reconhecidos pelo COI), mas, durante o desfile inaugural, 18 delegações (britânica, espanhola, italiana, francesa e australiana, entre outras) marcharam sem suas respectivas bandeiras, anunciando que no caso de alguns de seus atletas subirem ao pódio os hinos nacionais não seriam interpretados. Seria tocada a Sinfonia Olímpica.

A cerimônia de abertura foi realizada no dia 19 de julho no Estádio Central Lênin, e foi conduzida pelo presidente Leonid Brejnev. De acordo com a tradição, a bandeira olímpica deveria ser levada por alguma autoridade governamental da sede anterior, neste caso Jean Drapeau, prefeito de Montreal. Mas como o Canadá participava do boicote, Drapeu não esteve presente. Para representá-lo, enviou Sandra Henderson e Stephane Prefontaine, os dois jovens que levaram a tocha olímpica no último revezamento dos Jogos de 1976. O mascote oficial da olimpíada soviética foi o ursinho Misha, que contrastou a ternura de sua imagem com as rivalidades ideológicas que tristemente marcaram a festa do esporte.

Apesar da ausência de delegações inteiras, Moscou-1980 contou com a participação de 1.124 atletas do sexo feminino e 4.093 do sexo masculino, que disputaram 203 provas, correspondentes a 21 esportes oficiais. Compareceram ainda 5.615 jornalistas de todo o mundo. Cabe ressaltar que diante da falta de competidores norte-americanos os principais patrocinadores comerciais se afastaram, como a Coca-Cola ou a rede de televisão NBC.

No âmbito esportivo, Moscou-1980 contou com destaques relevantes. O poderio da "cortina de ferro" se fez notar, sobretudo, na piscina, onde os alemães orientais impuseram um domínio quase absoluto. A equipe feminina, encabeçada por Barbara Krause e Renate Reinich conseguiu a vitória em 11 das 13 competições do programa.

No atletismo, os primeiros lugares também foram divididos entre atletas do bloco comunista. Na competição feminina, por exemplo, as alemãs foram superiores, ganhando sete títulos olímpicos (200m, 400m, 800m com obstáculos, 4x100m, arremeso de peso, disco e pentatlo) contra seis das soviéticas (100m, 800m, 100m com obstáculos, 1.500 m, salto em distância e 4x400m).

Em compensação, na disputa masculina foram os soviéticos que somaram mais vitórias. Foram oito títulos olímpicos (400m, salto triplo, peso, disco, dardo, martelo, 4x100m e 4x400m), enquanto os alemães orientais conquistaram cinco (110m com obstáculos, 400m com obstáculos, altura, salto em distância e maratona).

Os britânicos Sebastian Coe e Steve Ovett mantiveram de pé o público do Estádio Olímpico nas corridas de 800m (vencida por Ovett) e 1.500m (a vitória foi para Coe).

Outro símbolo destes jogos foi o pugilista cubano Teófilo Stevenson, que conseguiu em Moscou seu terceiro título olímpico na categoria peso-pesado. Foi considerado o melhor boxeador do mundo, mas sua permanência no campo do amadorismo lhe privou de tornar essa superioridade oficial.

Os Jogos da URSS entraram para a história pelas irregularidades. Por um lado, muito se discutiu e se sofreu pela falta de imparcialidade dos juízes, na maioria soviéticos. Dois casos servem de exemplo. O primeiro envolve um atleta brasileiro, Carlos de Oliveira, que teve anulados vários saltos na prova do salto triplo. O outro diz respeito ao mexicano Carlos Girón, que na prova de trampolim masculino de 3m tinha a oportunidade de ganhar o primeiro lugar. Seu máximo concorrente era o soviético Portnov, que no último salto falhou gravemente, caindo de costas na piscina.

A delegação da URSS pressionou os juízes, alegando que o ruído proveniente da multidão que abarrotava as arquibancadas desconcentrou o competidor. Os juízes concederam a repetição do salto a Portnov, que terminou vencendo a prova. Ninguém protestou a favor de Girón, nem mesmo o presidente da Federação Mexicana de Natação, Javier Ostos.

A outra nota negativa destes jogos foi o doping. Moscou viu como aparecia em maior intensidade a utilização de produtos estimulantes e anabolizantes por parte de muitos atletas, como testosterona, o hormônio masculino que regula o crescimento muscular, ou bem outros produtos que a Comissão Médica do COI tinha em sua incipiente lista de substâncias proibidas.

QUADRO DE MEDALHAS

País

Ouro Prata Bronze
1. URSS URS 80 69 46
2. Alemanha Oriental (1955-1990) GDR 47 37 42
3. Bulgária BUL 8 16 17
4. Cuba CUB 8 7 5
5. Itália ITA 8 3 4
6. Hungria HUN 7 10 15
7. Romênia ROM 6 6 13
8. França FRA 6 5 3
9. Grã-Bretanha GBR 5 7 9
10. Polônia POL 3 14 15
11. Suécia SWE 3 3 6
12. Finlândia FIN 3 1 4
13. Checoslováquia TCH 2 3 9
14. Iugoslávia YUG 2 3 4
15. Austrália AUS 2 2 5
16. Dinamarca DEN 2 1 2
17. Brasil BRA 2 0 2
18. Etiópia ETH 2 0 2
19. Suíça SUI 2 0 0
20. Espanha ESP 1 3 2
21. Áustria AUT 1 2 1
22. Grécia GRE 1 0 2
23. Índia IND 1 0 0
24. Bélgica BEL 1 0 0
25. Zimbábue ZIM 1 0 0
26. Coréia do Norte PRK 0 3 2
27. Mongólia MGL 0 2 2
28. Tanzânia TAN 0 2 0
29. México MEX 0 1 3
30. Holanda NED 0 1 2
31. Irlanda IRL 0 1 1
32. Uganda UGA 0 1 0
33. Venezuela VEN 0 1 0
34. Jamaica JAM 0 0 3
35. Líbano LIB 0 0 1
36. Guiana GUY 0 0 1
Medallero, Moscú 1980. Altius, Citius, Fortius
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