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História
Seul 1988

A capital sul-coreana obteve o direito de sediar a XXIV Olimpíada, em 1988, registrando, depois de 16 anos, o reencontro da rivalidade entre norte-americanos e soviéticos no esporte (antagonismo que por certo teria sua última edição, pois pouco tempo depois começaria a queda da URSS).

Participaram 160 países, quase a soma dos presentes nas duas edições anteriores dos Jogos. No entanto, seis delegações - Coréia do Norte, Cuba, Nicarágua, Etiópia, Albânia e Ilhas Seychelles - realizariam um boicote. Seul-1988 passou à história por um acontecimento vergonhoso dentro do movimento esportivo internacional: o primeiro escândalo de doping em um campeão dentro da prova principal do atletismo, os 100m rasos.

O canadense Ben Johnson venceu esta competição derrotando o lendário norte-americano Carl Lewis. Johnson bateu os recordes mundial e olímpico com um incrível tempo de 9,79s que assombrou a todos. No entanto, esta foi uma proeza efêmera. Dois dias depois, no exame antidoping, foi descoberto o uso de anabolizantes pelo canadense. A substância encontrada na urina de Johnson foi um esteróide proibido pelo regulamento do Comitê Olímpico Internacional, cujo uso provoca um grande aumento da massa muscular, mas que acarreta também um grave risco para a saúde do atleta. Depois do incidente, teve início uma crise no esporte mundial, e todos os campeões ficaram sob suspeita.

Este fato mudou radicalmente, e de uma vez por todas, a concepção geral que se tinha do doping. Muitas pessoas começaram a se perguntar se marcas como as de Johnson eram realmente possíveis sem a ajuda de substâncias farmacológicas. Teve início uma investigação sobre inúmeros atletas "aposentados" (na maioria pertencentes a países comunistas da Europa Oriental), nos quais produziam-se graves transtornos físicos. Desta forma, foram notadas mortes de jovens ex-atletas por problemas do coração. A partir daquele momento, a Comissão Médica do COI passou a trabalhar duramente para erradicar o doping e limpar o nome do movimento olímpico.

Por outra parte, a Coréia do Sul foi capaz de organizar Jogos espectaculares, que deixaram, sobretudo, lucros de cerca de US$ 350 milhões. O destaque neste sentido ficou por conta do investimento feito pela rede de televisão norte-americana NBC, que pagou cerca de US$ 300 milhões pelos direitos de transmissão do evento.

Para abrigar a Olimpíada, o governo sul-coreano construiu 22 instalações esportivas, além das Vilas Olímpicas de Seul e Pusan, o Centro de Imprensa de Seul e o Comitê Organizador. Entre todas, merece destaque o grandioso estádio de atletismo (com capacidade para 100 mil espectadores), dotado de avanços tecnológicos: chegadas cronometradas desde ângulos distintos, registros nas áreas de revezamento, etc.

Esta Olimpíada foi celebrada de 17 de setembro a 2 de outubro, onde além da enorme quantidade de nações presentes, participaram 8.465 atletas (2.186 mulheres), que competiram em 237 eventos. Cobriram o evento 11.331 jornalistas de todo o mundo, e colaboraram 27.221 voluntários - na maioria jovens coreanos - na organização e desenvolvimento dos Jogos.

Durante a cerimônia de abertura, o Comitê Organizador apresentou grupos de bailarinos, provenientes de todos os países que haviam sido sede dos jogos. Pombas brancas foram soltas na festa. A mascote - chamada Hodori - representava o tigre, personagem que aparece com frequência nas lendas coreanas como amigo do homem.

O grande número de atletas preocupou a organização. Para evitar uma cerimônia interminável, foi sugerido à maioria das delegações deixar dois terços de seus atletas fora do desfile. O desfile foi o único momento em que todos os competidores estavam em condições de igualdade. Durante as provas se destacaram apenas os melhores. No final, mulheres coreanas entregaram velas a mulheres espanholas para simbolizar a mudança de sede da Olimpíada, que seria realizada posteriormente em Barcelona.

Já nas competições, e diante da desclassificação de Ben Johnson, os juízes deram a vitória ao norte-americano Carl Lewis, que havia ocupado o segundo lugar na prova com um tempo de 9,92s. Lewis, que vinha de quatro títulos olímpicos em Los Angeles, também brilhou nestes Jogos. Além dos 100m, venceu o salto em distância e foi medalha de prata nos 200m, ficando atrás de seu compatriota Deloach.

Na categoria feminina, a estrela foi, sem dúvida, a norte-americana Florence Griffith Joyner, apelidada de "gazela negra". Nos 100m, onde os três primeiros lugares baixaram em 11 segundos, Griffith melhorou os recordes mundial e olímpico com um excelente tempo de 10,54s. Também obteve o ouro nos 200m rasos, superando o recorde mundial, e conseguiu sua terceira medalha de ouro no revezamento 4x100m.

Outro destaque de Seul-1988 foi Greg Louganis, norte-americano de origem escandinava - embora nascido em Samoa (ilha do Pacífico) -, que, depois de treinar sete horas diárias todos os dias da semana, durante muitos anos, consagrou-se como um dos melhores de todos os tempos tanto na plataforma de 10m como no trampolim de 3m. Ratificou a conquista das medalhas de ouro que já havia obtido em Los Angeles. Nem o espetacular golpe que sofreu na cabeça durante um salto - os médicos lhe deram cinco pontos - o atrapalhou.

Seul-1988 também foi uma vitrine para que o atleta russo de salto com vara Sergey Bubka mostrasse sua hegemonia nas alturas. Bubka dominava a especialidade desde que se proclamou campeão no campeonato mundial de atletismo de Helsinque, em 1983.

Na piscina, dois atletas sobressaíram. A alemã Kristin Otto foi a nadadora com mais vitórias ao longo da história esportiva moderna, conseguindo, em todas as competições que disputou, o primeiro lugar. Poderia ter igualado a façanha de Mark Spitz (ganhar sete medalhas de ouro) se o revezamento de 4x200m livres estivesse no programa feminino. Conseguiu seis medalhas de ouro: 50m e 100m livres, 100m costas, 100m borboleta e revezamentos 4x100m livres e 4x100m borboleta.

Por sua vez, o nadador norte-americano Matt Biondi, batizado como "O Torpedo", foi aos Jogos sem vida fácil nos treinamentos, por passar dificuldades financeiras; ainda assim se converteu no segundo nadador da história capaz de obter sete medalhas em uma mesma Olimpíada. Biondi conseguiu medalhas de ouro nos 50m e 100m livres, 4x100m estilo combinado e 4x400m livres; uma de prata nos 100m borboleta; e uma de bronze nos 200m livres.

QUADRO DE MEDALHAS

País

Ouro Prata Bronze
1. URSS URS 55 31 46
2. Alemanha Oriental (1955-1990) GDR 37 35 30
3. Estados Unidos USA 36 31 27
4. Coréia do Sul KOR 12 10 11
5. Alemanha Ocidental (1950-1990) FRG 11 14 15
6. Hungria HUN 11 6 6
7. Bulgária BUL 10 12 13
8. Romênia ROM 7 11 6
9. França FRA 6 4 6
10. Itália ITA 6 4 4
11. China CHN 5 11 12
12. Grã-Bretanha GBR 5 10 9
13. Quênia KEN 5 2 2
14. Japão JPN 4 3 7
15. Austrália AUS 3 6 5
16. Iugoslávia YUG 3 4 5
17. Checoslováquia TCH 3 3 2
18. Nova Zelândia NZL 3 2 8
19. Canadá CAN 3 2 5
20. Polônia POL 2 5 9
21. Noruega NOR 2 3 0
22. Holanda NED 2 2 5
23. Dinamarca DEN 2 1 1
24. Brasil BRA 1 2 3
25. Espanha ESP 1 1 2
26. Finlândia FIN 1 1 2
27. Turquia TUR 1 1 0
28. Marrocos MAR 1 0 2
29. Áustria AUT 1 0 0
30. Suriname SUR 1 0 0
31. Portugal POR 1 0 0
32. Suécia SWE 0 4 7
33. Suíça SUI 0 2 2
34. Jamaica JAM 0 2 0
35. Argentina ARG 0 1 1
36. Antilhas Holandesas AHO 0 1 0
37. Chile CHI 0 1 0
38. Costa Rica CRC 0 1 0
39. Indonésia INA 0 1 0
40. Irã IRI 0 1 0
41. Ilhas Virgens ISV 0 1 0
42. Senegal SEN 0 1 0
43. Peru PER 0 1 0
44. México MEX 0 0 2
45. Bélgica BEL 0 0 2
46. Colômbia COL 0 0 1
47. Djibuti DJI 0 0 1
48. Mongólia MGL 0 0 1
49. Grécia GRE 0 0 1
50. Filipinas PHI 0 0 1
51. Paquistão PAK 0 0 1
52. Tailândia THA 0 0 1
Medallero, Seúl 1988. Altius, Citius, Fortius
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