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Artística
Segunda, 23 de agosto de 2004, 16h05 
Daiane erra e fica sem medalha em Atenas
 
Antonio Prada
Direto de Atenas
 
AP
Daiane dos Santos ficou somente com o 5º lugar
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A brasileira Daiane dos Santos não conseguiu nenhuma medalha na prova de solo da ginástica artística em Atenas. A atleta foi a primeira a se apresentar e ficou com nota 9,375. No seu primeiro salto, o difícil duplo twist esticado, ela saiu da área do tablado, e no segundo, o "Dos Santos", ela deu um passo a mais.

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    A romena Catalina Ponor ficou em 1º com uma nota de 9,750 e garantiu sua terceira medalha de ouro, já que hoje havia conquistado na trave de equilíbrio e, na semana passada, no geral por equipes. A também romena Nicoleta Daniela ficou com a prata, com 9,562 e o bronze foi para a espanhola Patricia Moreno com 9,487. A chinesa Fei Cheng ficou em 4º, com 9,412 e Daiane, em 5º.

    Como prometido, Daiane apresentou seus dois saltos inéditos, o duplo twist carpado (o Dos Santos) e o duplo twist esticado, ambos de valor super E. Nos dois, porém, ela teve falhas.

    "Eu entrei muito nervosa. Imagina você numa Olimpíada. Dei dois passos no esticado e coloquei o pé fora da linha, e dei um passo a mais no carpado", explicou Daiane. A ginasta disse que ali mesmo ela já sabia que estava prejudicada. "O atleta sente quando não foi bem", disse.

    Mas demonstrou espírito olímpico ao revelar que não torceu contra as suas adversárias na seqüência. "Isso não é ganhar. Isso é pior do que perder. O vencedor vê que perdeu e luta para ganhar na próxima", afirmou. E rasgou elogios para a medalhista de ouro, a romena Catalina Ponor. "Ela está de parabéns. Já tinha dito que ela era a minha principal rival. Ela merece. É uma menina exata, que não comete erros. Também treinou muito para estar aqui."

    Daiane realizou a versão ousada da série "Brasileirinho" após tomar a decisão com seu técnico, o ucraniano Oleg Ostapenko. "Foi uma decisão nossa e achamos que para tentar um ouro, tínhamos que ousar. Fiz a mesma série várias vezes no treinamento e acertei. Aqui acabei errando. Tive ansiedade, pois fiquei uma semana esperando por esse dia. Assim é a ginástica". Após a apresentação, segundo Daiane, o ucraniano lhe disse: "isto é esporte, você perde e você ganha".

    A ginasta disse que não sentiu dores durante a apresentação, mas admitiu que seu desempenho ficou prejudicado pela cirurgia no joelho. "Antes da operação eu controlava bem minha explosão na aterrissagem."

    Apesar da decepção, Daiane não estava triste, pelo contrário, se mostrava tranqüila. "Eu poderia ter vencido se tivesse optado por uma mais conservadora. Mas não me arrependo de nada. Tive uma cobrança pessoal, podia muito bem ter feito a outra série. Sabia do risco e resolvi assumir. Podia estar mais feliz se o resultado fosse melhor. Mas estou contente por ter superado, desde o ano passado, duas operações e chegar aonde eu queria. Fui reserva em Sydney e agora a primeira brasileira a disputar uma final olímpica", declarou, acrescentando que vai ter uma semana de folga e depois voltar a treinar mais para a final da Copa do Mundo, que se realizará nos dias 11 e 12 de dezembro em Birmingham, na Inglaterra.

    Sobre a possibilidade de participar dos Jogos de Pequim-2008, a ginasta deixou aberta a possibilidade. "Vontade eu tenho, mas não sei se meu joelho vai agüentar. Também tem outras garotas vindo aí, querendo competir."

    Se Daiane conquistasse uma medalha, ela poderia se tornar a primeira ginasta negra em todo o mundo a subir no pódio. Para o Brasil, seria a primeira medalha individual conquistada por uma mulher, além da primeira na ginástica artística.

    Daiane chegou a Atenas vinda de uma cirurgia no joelho, e estava com problemas para fazer o duplo twist esticado, sua maior arma. Mas nos últimos dias, já afirmava estar tranqüila para realizar a prova.
     

  • Redação Terra