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Vôlei de Praia
Quarta, 25 de agosto de 2004, 15h43  Atualizada às 18h34
Brasil volta a ser ouro na praia após oito anos
 
Antonio Prada
Direto de Atenas
 
Reuters
Ricardo e Emanuel beijam a medalha de ouro
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O segundo ouro do Brasil em Atenas veio hoje com Ricardo e Emanuel. A melhor dupla de vôlei de praia do mundo confirmou seu favoritismo e conquistou a primeira medalha dourada da modalidade no masculino, no confronto contra os espanhóis Bosma e Herrera. Os brasileiros foram unânimes: os fracassos do passado os ajudaram, agora, a chegar ao Olimpo.

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    "Acredito que o esporte tem momentos difíceis e de glória, por isso sempre acreditei que podia chegar a um título olímpico. Foram oito anos de luta e a parceria com o Ricardo permitiu que eu pudesse chegar à medalha de ouro", acrescentou o paranaense, que até então estava com as derrotas nas edições anteriores engasgadas na garganta.

    "É muito difícil perder como aconteceu naqueles momentos. Você se sente um fracassado, acha que não deu certo. Não quero que nenhum atleta sinta o mesmo que eu", disse Emanuel.

    No entanto, segundo ele, os tropeços dos Jogos anteriores tiveram certa utilidade para a conquista solidificada nesta quarta-feira.

    "Sou uma pessoa movida a desafios, me alimentei do sentimento de derrota para jogar tranqüilo", complementou Emanuel, eleito o Rei da Praia após o Mundial de 2003.

    Para Ricardo, a medalha de ouro foi o resultado que ele não conseguiu obter em Sydney/2000, quando ficou com a prata ao lado de Zé Marco.

    "Em alguns momentos, pensamos nas Olimpíadas passadas, mas quando entramos em quadra isso desapareceu. Tivemos momentos difíceis, porém não deixamos eles nos atrapalharem. Todos os momentos ruins passaram, foram embora rapidamente", comentou o paraibano, que, assim como seu parceiro, não conteve as lágrimas após a vitória sobre os espanhóis nesta quarta-feira.

    "Não tem como segurar. Vou sentir cada momento desse título. Se tiver que chorar vou chorar, se tiver que sorrir, vou sorrir. Uma conquista como essa inclui tudo isso", disse Ricardo.

    Emanuel concordou e também não economizou na hora de extravasar. "Não tem como não chorar. Guardei o choro da semifinal (contra a dupla suíça) para chorar nos ombros do Ricardo hoje", afirmou ele, para em seguida mostrar o bom humor de um campeão. "Mas tudo no bom sentido."

    Para Emanuel, hexacampeão do Circuito Mundial e bicampeão mundial, era o único título importante que faltava em seu currículo. "Estou muito feliz. Era o que faltava para completar esse currículo brilhante que eu conquistei", desabafou Emanuel, que esteve em Atlanta e Sydney com outros parceiros, mas não tinha conseguido nenhuma medalha.

    O jogo do ouro

    Os brasileiros começaram bem, com bons saques, incluindo um ace, e defendendo bem. A dupla conseguia manter dois pontos de vantagem. Ricardo abusava das bolas pingadas não dando chance nem para o bloqueio, nem para a cobertura espanholas, mas também não economizava força nas cortadas. Emanuel estava muito atento nas defesas e ainda conseguia mais um ace para ampliar em 14 a 9, a diferença. Com mais um ace, agora de Ricardo, o Brasil ficou a um ponto de fechar e, na seqüência venceu em 21 a 16.

    Para o segundo set, os brasileiros continuavam no mesmo ritmo e a dupla abria 4 a 1 com mais um ponto de saque de Ricardo. Emanuel continuava pontuando com saques e Ricardo justificando seu apelido de "block machine" ia parando os ataques de Herrera. Os brasileiros abriam fáceis 13 a 6 e se encaminhavam para o ouro, que veio com o placar de 21 a 15.

    A história do Brasil na praia

    Com dois ouros, quatro pratas e um bronze, o Brasil domina o vôlei de praia na história olímpica. Desde que estreou em Atlanta-1996, o vôlei de praia sempre teve brasileiros nas finais. Na primeira edição, deu uma dobradinha brasileira. Jacqueline Silva e Sandra Pires foram ouro e Mônica Rodrigues e Adriana Samuel ficaram com a prata. Foi o primeiro ouro olímpico feminino do Brasil.

    Em Sydney-2000, novamente o Brasil mostrava uma boa campanha. Adriana Behar e Shelda e Zé Marco e Ricardo ficaram com a prata e Adriana Samuel e Sandra Pires levaram o bronze.


     

  • Redação Terra