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Qual é o melhor esporte do Brasil em Atenas?
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Responsáveis pela conquista da segunda medalha de ouro para o Brasil em Atenas, Ricardo e Emanuel não esperam receber um presente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) pelo feito realizado nesta quarta-feira no vôlei de praia.
A entidade nacional, nesta semana, anunciou que presenteará o velejador Robert Scheidt com o barco utilizado na vitória da classe Laser, que garantiu a primeira medalha dourada para a delegação brasileira na Grécia. Para isso, desembolsará cerca de R$ 19 mil.
"A areia a gente não pode levar?", brincou Emanuel, para em seguida dizer que a vitória inédita já o deixou satisfeito. "Não quero ganhar nada. Levar o ouro já foi um presente que pagou todo o sofrimento. Me sinto como um guerreiro ganhando uma batalha", completou o brasileiro, que faturou sua primeira medalha olímpica após participar de três edições dos Jogos.
Em Atlanta e Sydney, porém, Emanuel ainda não era o parceiro do baiano Ricardo. A dupla se formou apenas no ano passado. Ricardo também já havia disputado uma Olimpíada antes de embarcar para a Grécia. Em 2000, ao lado de Zé Marco, ele foi derrotado na final e trouxe para o Brasil a medalha de prata.
Agora, com a conquista de Atenas, Ricardo grava seu nome entre os atletas mais vitoriosos da história do País nos Jogos. Seleto grupo em que figuram Robert Scheidt (dois ouros e uma prata), Adhemar Ferreira da Silva (dois ouros), Torben Grael (um ouro, uma prata e dois bronzes), Joaquim Cruz (um ouro e uma prata), Aurélio Miguel (um ouro e um bronze) e Gustavo Borges (duas pratas e dois bronzes).
"Ainda estou meio zonzo com tudo isso, estou viajando, ainda não desci. Vencer aqui é o máximo para um atleta", disse Ricardo. "É impressionante a quantidade de títulos que o vôlei de praia conquistou em pouco tempo, espero que nas próximas Olimpíadas o esporte possa manter o mesmo ritmo de medalhas", acrescentou o baiano, referindo-se às sete medalhas já conquistas pelo Brasil em três edições.
Mas, para assegurar este ouro, Ricardo e Emanuel precisaram fazer um longo e desgastante planejamento. Eles deixaram o Brasil há três meses, período em que disputaram dez campeonatos, garantindo, de quebra, o título antecipado do Circuito Mundial.
"Foi uma verdadeira guerra, saímos do Brasil no dia 18 de maio para chegar na Olimpíada em condições de ganhá-la. Foi muita luta e muito sacrifício. Cada partida nessa Olimpíada foi o que tínhamos planejado e o resultado mostrou que trabalhamos muito para isso", avaliou Emanuel.
"Fizemos a coisa certa, mesmo passando tanto tempo fora do Brasil. Planejamos tudo. Viemos concentrados e determinados a vencer. Deixamos aquela badalação de medalha fora do nosso trabalho e viemos muito concentrados", acrescentou Ricardo.
Tanto tempo longe de casa e dos familiares poderia se converter num fator de desgaste entre a dupla, mas Ricardo e Emanuel apostam em um entrosamento afinado também fora das quadras de areia.
"Foram dois anos pensando só na Olimpíada e o Ricardo é um atleta que está sempre em busca da vitória, fica fácil para quem está do lado dele. Eu também não gosto de perder. Então tudo isso fez com que nós ganhássemos", disse Emanuel, que também recebeu elogios do parceiro.
"Estou muito feliz pelo Emanuel, que é um excelente atleta e uma excelente pessoa. Ele amadureceu muito", afirmou o baiano.
Ambos também fizeram questão de ressaltar o trabalho de toda a equipe de apoio que possuem. Se só a dupla entra em quadra e ganha destaque, poucos sabem que outras quatro pessoas tiveram papel destacado no caminho rumo ao ouro: Gilmario Batista (treinador), Rossini Freire (preparador físico), Joyce Stefanelo (psicóloga) e Juliana Ribas (responsável pelas estatísticas).
"Dedico esse título à nossa equipe, que abriu mão de uma série de coisas pessoais para concentrar nosso treinamento no título", elogiou Emanuel, que embarca junto com Ricardo às 18h desta quinta-feira (horário de Atenas) para o Brasil. Chegando a São Paulo, ambos ainda seguirão para a Paraíba, local de residência de Ricardo, antes de irem para suas casas com a medalha de ouro no peito.
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