Saiba como foi o jogo
Bernardinho disse que não é por opção, mas porque realmente não consegue pregar os olhos. "Fico estudando, vendo vídeos dos adversários. Até tento dormir, mas não consigo, então vou ler". De acordo com ele, está passando os olhos em dois livros. Um deles é Moneyball, de Michael Lewis, sobre beisebol, cujo título em inglês é Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game (Bola de Dinheiro: a arte de ganhar um jogo injusto).
Enquanto antes o treinador não dormia pensando nos Estados Unidos, agora o problema é um pouco maior. O pensamento está todo voltado para a Itália. "Vai ser um jogo ponto a ponto. A Itália está querendo jogar a responsabilidade para nós, mas isso não é verdade. A Itália de hoje não é a mesma da Itália que jogou a classificatória. O time está melhor e vive seu melhor momento em oito anos", alerta.
Bernardinho conta com a grande união do grupo para a palavra de ordem na partida final: concentração. "É um grupo muito unido que teve bons e maus momentos e construiu essa final nos últimos quatro anos. Queremos realizar este sonho, mas teve um preço muito alto a ser pago, que foi o sofrimento nos treinamentos e a saudade da família e dos amigos", diz, afirmando que mesmo no caso dele, que tem a mulher, a levantadora Fernanda Venturini, na Vila Olímpica não tem como aproveitar. "Mal vejo a Fernanda, só nas horas de folga. Isso porque ninguém pode ter privilégios".
Ao falar na mulher, Bernardinho aproveitou para lamentar a derrota da seleção feminina que, novamente, só poderá brigar por uma medalha de bronze. "Elas mereciam muito o ouro. Ficamos todos tristes, mas nós temos que seguir nosso caminho. Espero que nós consigamos o ouro e elas o bronze".
O treinador quer agora que todos os jogadores se concentrem na partida final. "Somente jogando coletivamente seremos capazes de vencer. A Itália tem jogadores muito experientes e vencedores. É preciso que não haja euforia. O Brasil tem que estar bem mental e fisicamente", disse.
Bernardinho disse que vai assistir ao jogo entre Itália e Rússia e depois analisar os erros que o Brasil cometeu na partida contra os italianos na primeira fase e vai fazer com que o grupo estude e converse bastante sobre os adversários.
Jogadores de peso
O técnico brasileiro disse que agora, mais do que nunca, será muito importante o papel de Nalbert, Giovane e Maurício, "que são líderes do grupo, porque passam segurança para a equipe". Maurício e Giovane conquistaram o ouro olímpico em 1992 e têm facilidade para passar suas experiências para os demais jogadores.
Além deles, Bernardinho chama a atenção para o líbero Sérgio, o Escadinha, que na opinião dele é o "motorzinho do time", e para o levantador Ricardinho. "Ele é o cérebro do time, mas tem muita emoção e isso é raro. Eu era assim, mas sem a metade da capacidade dele".
Polêmica?
Como tem sido costume nos últimos jogos, mais uma vez um adversário tenta criar polêmica. O jogador italiano Valerio Vermiglio disse, depois de passar pela Rússia, que o ouro já era da Itália. Sem querer entrar na discussão, Bernardinho encerrou o assunto: "Ele é um jogador antipático com todo mundo. Nem os italianos devem gostar muito dele".