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Atenas 2004
Domingo, 29 de agosto de 2004, 15h51 
Bernardinho entra para a história
 
Reuters
Bernardinho será lembrado pelo bicampeonato
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A perseverança e a magia implantada por Bernardinho na seleção de vôlei masculino do Brasil recuperaram o brilho olímpico do time, 12 anos depois da conquista do ouro nas Olimpíadas de Barcelona.

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    Em Atenas, Bernardinho chegou como favorito e não decepcionou. O técnico cumpriu seu objetivo, que havia estabelecido quando assumiu a direção da equipe, em abril de 2000.

    Há 12 anos, a seleção do Brasil conquistou em Barcelona seu único ouro nos Jogos Olímpicos pelas mãos de José Roberto Guimarães, hoje técnico da equipe feminina, que ficou às portas do Olimpo em Atenas.

    Em Atlanta e em Sydney, no comando do time feminino, ele conquistou o bronze e ao assumir o masculino, levou também três Ligas Mundiais, o primeiro Campeonato Mundial para o Brasil, na Argentina em 2002, e o resto de torneios continentais.

    O técnico soube transmitir perfeitamente a capacidade de liderança que implantou como jogador das quadras para a direção dos times por onde passou.

    O trabalho em equipe, a motivação, a perseverança e luta pela superação, o compromisso e cumplicidade e, sobretudo, a disciplina e a ética são os princípios pregados pelo treinador, que decidiu não prolongar mais do que o necessário sua carreira como levantador e levar sua sabedoria orientar o times que dirige.

    Bernardinho tem um histórico notável como jogador. Foi campeão do mundo na Argentina (1982) e vice-campeão olímpico em Los Angeles (84), antes de completar 30 anos. Certamente pensou que, mesmo tão jovem, o tempo transcorrido desde que um amigo lhe convenceu a jogar ao vôlei aos 11 anos até então já era mais que suficiente.

    Seu carisma e sua postura ativa levou-o diretamente à assistência técnica da seleção que disputou os Jogos de Seul, em 1988. Dois anos depois, empreendeu uma nova aventura sozinho e foi para a Itália para treinar a equipe feminina do Perugia até 1993. Depois se comprometeu com o Modena durante um ano.

    Ao voltar ao Brasil como técnico da seleção feminina, as conquistas não demoraram para aparecer. Vieram o Campeonato Mundial e o Grand Prix em 1994 e depois em 1996 elas conquistaram o bronze nas Olimpíadas de Atlanta. Sete temporadas marcaram a passagem de Bernardinho pelo time e em 2000, quando o vôlei feminino levou mais um bronze nos Jogos de Sydney, ele foi chamado para dirigir a equipe masculina.

    Abril de 2001 marcou o início da 'era Bernardinho' na seleção, que ganhou 13 dos 15 grandes torneios dos quais participou. Nos outros dois chegou à final.

    A Liga Mundial (Katowice, POL), o Pré-Mundial Sul-Americano (São Caetano do Sul), o Torneio Consórcio Metano (Vallecamonica, ITA), o torneio Sul-Americano (Cali, COL) e a Copa América (Buenos Aires) marcaram os sucessos da nova etapa brasileira em 2001, além do segundo lugar na Copa dos Grandes Campeões (Tóquio).

    Um ano depois, Bernardinho levou o Torneio das Seis Nações (ITA), o Campeonato Mundial em Buenos Aires e o vice-campeonato na Liga Mundial (Belo Horizonte).

    Os Jogos Olímpicos ressaltaram definitivamente este técnico, reconhecido mundialmente, professor mental sobre o ânimo de seus jogadores e mago tático nas quadras de voleibol.
     

  • EFE

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