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Brasil
Domingo, 29 de agosto de 2004, 21h14 
Com menos medalhas, Brasil atinge melhor campanha
 
AP
Vanderlei Cordeiro é atacado por exibicionista, mas ganha o bronze
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O Brasil encerra a participação nos Jogos de Atenas quebrando recordes. Com quatro ouros, três pratas e dois bronzes conquistados, o País esteve longe de superar marcas mundiais, mas bateu tabus de sua própria história olímpica e mantém acesa a chama de finais mais vistosas nas próximas Olimpíadas.

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    O primeiro recorde foi superado antes do início das provas em Atenas. Com 247 atletas classificados (122 deles, mulheres), o Brasil já festejava o embarque de sua maior delegação para uma edição dos Jogos Olímpicos.

    Esse número de representantes nas quadras, tatames, gramados teve resultados no quadro de medalhas. Após a conquista do ouro neste domingo pela Seleção masculina de vôlei, com a vitória sobre a Itália na final, o Brasil atingiu outro recorde: a quarta medalha dourada em Atenas. Em Atlanta/1996, Jogos nos quais os brasileiros ganharam 15 medalhas (o maior número de pódios já conquistados pelos atletas locais), foram três campeões olímpicos.

    Com isso, os brasileiros comemoram o 18º lugar no quadro de medalhas, colocação que perde apenas para a Olimpíada de Moscou/1980. Vale ressaltar, porém, que, lideradas pelos Estados Unidos, grandes potências olímpicas boicotaram os Jogos na então União Soviética, o que ajuda a explicar a surpreendente 17ª colocação brasileira naquele ranking.

    O Brasil confirma, contudo, uma trajetória descendente em seu movimento olímpico. Após as 15 medalhas de Atlanta/1996, conquistou 12 (nenhuma de ouro) em Sydney/2000 e dez neste ano. O salto de qualidade não significou aumentou de quantidade de medalhas olímpicas.

    Não fosse a renovação do quadro de atletas brasileiros, o País poderia ter trazido mais triunfos de Atenas. Em nenhuma das finais da natação, por exemplo, os brasileiros estiveram entre os três primeiros. No atletismo, o único premiado Vanderlei Cordeiro de Lima, bronze na maratona. Se não tivesse sido agarrado por um exibicionista, porém, poderia ter chegado ao ouro.

    Boa parte da equipe, porém, deve participar dos Jogos de Pequim, em 2008, quando se esperam resultados mais expressivos.

    Assim mesmo, o Brasil confirmou seu favoritismo em algumas modalidades e mostrou evolução em outras. A equipe masculina de vôlei ratificou a campanha praticamente irretocável da primeira fase e derrotou a Itália na final. O time feminino de futebol chegou à final, e ousou lamentar a prata depois da derrota para a equipe dos Estados Unidos, bicampeã olímpica.

    Na vela, o País conseguiu seu melhor resultado. Robert Scheidt foi ouro na classe Laser; Torben Grael e Marcelo Ferreira, na Star. A modalidade é, depois dos resultados de Atenas, a que mais medalhas conquistou. No hipismo, Baloubet du Rouet e Rodrigo Pessoa ganharam a prata, a redenção para a parceria que havia refugado quatro anos antes e virado sinônimo de fracasso para os brasileiros.

    Mas também houve decepções. Os mais animados sonhavam com dois ouros e duas pratas no vôlei de praia - mas apenas uma dupla masculina ganhou o ouro e outra feminina ficou com a prata. O judô, que ganhou duas pratas em Sydney, duplicou o bronze em Atenas. E Daiane dos Santos, mesmo tendo levado o Brasil a uma inédita final da ginástica artística, deixou a competição com gosto de derrota, na quinta colocação.

    Nada chegará perto da quarta posição da seleção feminina de vôlei. Menos badalada do que o time masculino, a Seleção chegou à semifinal depois de vencer rivais como Itália e Estados Unidos. Mas desperdiçou seis match points no quarto set da semifinal contra a Rússia e perdeu o bronze para Cuba. As lágrimas de Virna e suas companheiras ainda em quadra foram a explosão de um fracasso que não era esperado.

    Atenas não foi uma Olimpíada previsível. Os Estados Unidos foram ameaçados de perto pela China, o Japão fez sua melhor campanha em toda a história. Para o Brasil restou aprender com a lição de Matheus Inocêncio , zebra nos 110m com barreira. Apesar da sétima colocação na final (muito além do que qualquer especialista poderia prever), entrou para a história como o primeiro brasileiro a competir em edições dos Jogos de verão e inverno.

    Dois anos antes da Olimpíada de Atenas, em Salt Lake (Estados Unidos), Inocêncio fazia parte do quarteto brasileiro que participou da prova de trenó - o bobsled. Dos 247 brasileiros que estiveram na Grécia, é o único que deve viajar para a Itália, em 2006, para a disputa de mais uma Olimpíada de Inverno.


     

  • Redação Terra