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A diferença de 31 medalhas de ouro entre o Brasil e os Estados Unidos nos Jogos de Atenas é reflexo direto dos investimentos de cada país nos esportes olímpicos. Os norte-americanos investem R$ 449 milhões a mais do que o Brasil no período preparatório da Olimpíada.
Segundo dados divulgados pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em sua página na Internet, entre 2002 e 2004 foram destinados pouco mais de R$ 65 milhões às confederações nacionais, como parte do programa da Olimpíada de Verão (ou 12,7% da verba dos EUA).
Já os atletas norte-americanos receberam R$ 514 milhões nos quatro anos que antecederam os Jogos, montante que se refletiu na liderança do país no quadro de medalhas: foram 103 medalhas no total contra 10 do Brasil.
Os recursos brasileiros são provenientes da Lei Agnelo/Piva, que, desde 2002, passou a destinar uma fatia do faturamento das loterias aos esportes olímpicos.
"Os recursos da lei (Agnelo/Piva) estão na faixa de 15% do que os 10 primeiros países do ranking (de medalhas) têm", estimou o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, acrescentando que o presidente Luís Inácio Lula da Silva deverá enviar ao Congresso uma lei de incentivo fiscal para quem investir em esporte.
"Isso será uma grande virada no esporte nacional, espero que já em 2005, pois muitas empresas não colocam dinheiro no esporte porque não têm retorno fiscal", afirmou.
Entretanto, a 18ª colocação brasileira em Atenas foi superior à do Canadá (21ª). Mas os canadenses investiram quase R$ 389 milhões na preparação de seus atletas. No total de medalhas, o Canadá teve melhor desempenho do que o Brasil, 12 contra 10.
Confirmando o fosso que separa os países de Primeiro Mundo do bloco em desenvolvimento, os argentinos investiram somente R$ 27,4 milhões em quatro anos, segundo dados não oficiais. Como resultado, ficaram na 38ª posição, com duas medalhas de ouro, quebrando um jejum de 52 anos.
FONTES DE RECURSOS
Potências olímpicas têm diferentes fontes de recursos para os Jogos. Os norte-americanos não recebem um centavo de dinheiro público na preparação de seus atletas.
Já os britânicos se aproveitam de sua popular loteria para fomentar os atletas que defendem as cores do país em Olimpíadas.
Segundo disse um funcionário do governo da Grã-Bretanha, 9,6% dos lucros da loteria do país vão para o esporte.
Isso representa R$ 374 milhões de 2001 a 2004 para que os atletas se preparem. Resultado: a décima posição no quadro de medalhas, registrando nove de ouro.
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