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Atletismo
Quarta, 1 de setembro de 2004, 12h26 
Vanderlei estranha fama de herói brasileiro
 
Tarian Chaud
Especial para o Terra
 
AP
Vanderlei mostra o cheque de R$ 200 mil e a medalha que conquistou pelo desempenho em Atenas
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O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima revelou um sentimento de estranheza pelo status de herói que recebeu após a participação nos Jogos Olímpicos de Atenas. Ele ficou com a medalha de bronze, mas a conquista ganhou caráter dramático pelo fato de ele ter sido derrubado por um invasor enquanto liderava a prova.

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    "Ainda não caiu a ficha por eu agora ser considerado um herói olímpico e nacional. Se eu cheguei lá é por todo o trabalho que fiz. Ninguém vira herói de um dia para o outro. Mesmo tendo orgulho e glória, a humildade vai continuar sempre comigo", disse o atleta.

    A entrevista coletiva de Vanderlei foi acompanhada por duas emissoras de televisão japonesas. Segundo os repórteres orientais, o brasileiro já é ídolo no Japão.

    "A ajuda do meu treinador (Ricardo D'Ângelo) foi uma das coisas mais importantes", disse Vanderlei, que recebeu uma carta do amigo e comandante antes de disputar a maratona. "Desistir nunca, acreditar sempre", lembrava o texto.

    O maratonista ficou emocionado e chorou quando lembrado que o padre irlandês Cornelius Horan, que o atrapalhou durante a prova, disse que Deus irá recompensá-lo pelo ouro perdido. "Não tenho mais relação nenhuma com ele. Nada vai pagar a medalha. Se tem alguma que eu não penso faz um bom tempo é em dinheiro", disse Vanderlei, que recebeu ainda um cheque de R$ 200 mil do seu patrocinador.

    "Graças a Deus que eu cheguei aqui são e salvo. No começo eu achei que o cara era só uma pessoa que queria aparecer na televisão. Mas depois ele veio para cima de mim, me agarrou e eu me apavorei. Ele me levou para a calçada e alguém conseguiu me tirar dos braços dele, mas eu não sei quem foi", disse o atleta.

    "Os Deuses gregos estavam comigo e talvez tenham em ajudado a levantar e seguir em frente", completou Vanderlei, que reclamou ainda das declarações do vencedor da prova. O italiano Stefano Baldini disse que, mesmo que o brasileiro não tivesse sido atrapalhado, ele seria o vencedor.

    "Ele foi muito infeliz. A gente não perde nada em ser humilde. Do jeito que está, está bom. Não precisa dividir a medalha de ouro com ele", completou, comentando o pedido do Comitê Olímpico Brasileiro à Associação Internacional de Atletismo (Iaaf) para que ele receba uma medalha de ouro.
     

  • Redação Terra