Relembre cenas históricas dos Jogos Olímpicos.
"Ainda não caiu a ficha por eu agora ser considerado um herói olímpico e nacional. Se eu cheguei lá é por todo o trabalho que fiz. Ninguém vira herói de um dia para o outro. Mesmo tendo orgulho e glória, a humildade vai continuar sempre comigo", disse o atleta.
A entrevista coletiva de Vanderlei foi acompanhada por duas emissoras de televisão japonesas. Segundo os repórteres orientais, o brasileiro já é ídolo no Japão.
"A ajuda do meu treinador (Ricardo D'Ângelo) foi uma das coisas mais importantes", disse Vanderlei, que recebeu uma carta do amigo e comandante antes de disputar a maratona. "Desistir nunca, acreditar sempre", lembrava o texto.
O maratonista ficou emocionado e chorou quando lembrado que o padre irlandês Cornelius Horan, que o atrapalhou durante a prova, disse que Deus irá recompensá-lo pelo ouro perdido. "Não tenho mais relação nenhuma com ele. Nada vai pagar a medalha. Se tem alguma que eu não penso faz um bom tempo é em dinheiro", disse Vanderlei, que recebeu ainda um cheque de R$ 200 mil do seu patrocinador.
"Graças a Deus que eu cheguei aqui são e salvo. No começo eu achei que o cara era só uma pessoa que queria aparecer na televisão. Mas depois ele veio para cima de mim, me agarrou e eu me apavorei. Ele me levou para a calçada e alguém conseguiu me tirar dos braços dele, mas eu não sei quem foi", disse o atleta.
"Os Deuses gregos estavam comigo e talvez tenham em ajudado a levantar e seguir em frente", completou Vanderlei, que reclamou ainda das declarações do vencedor da prova. O italiano Stefano Baldini disse que, mesmo que o brasileiro não tivesse sido atrapalhado, ele seria o vencedor.
"Ele foi muito infeliz. A gente não perde nada em ser humilde. Do jeito que está, está bom. Não precisa dividir a medalha de ouro com ele", completou, comentando o pedido do Comitê Olímpico Brasileiro à Associação Internacional de Atletismo (Iaaf) para que ele receba uma medalha de ouro.