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Atletismo
Terça, 14 de setembro de 2004, 08h33  Atualizada às 08h36
Herói da maratona quer apenas aperto de mão
 
Reuters
Polyvios Kossivas parte em defesa de Vanderlei Cordeiro de Lima
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Polyvios Kossivas, 53 anos, quer encontrar o maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima e dar-lhe um aperto de mão. Esta é a única recompensa que o grego quer por ter ajudado o atleta a se desvencilhar do ex-padre irlandês Cornelius Horan, protagonista da cena mais marcante dos Jogos Olímpicos de Atenas.

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    Kossivas é "Zeus", o torcedor misterioso que, revoltado com a interferência de Horan no momento em que Vanderlei liderava a prova, deixou seu posto de espectador na avenida Mizogeon para ajudar o atleta (que, enfim, ficou com a medalha de bronze).

    "Quero dizer ao brasileiro que, depois de tê-lo ajudado, uma parte de mim também correu com ele", disse Kossivas ao jornal Folha de S.Paulo, que o localizou na Grécia.

    Vestido com camisa azul, bermuda e mocassim, o grego foi a única pessoa a se atracar com Vanderlei e Horan no momento da agressão. Ele conta que viu o brasileiro caído no chão, "como um pássaro ferido", e que procurou incentivá-lo a continuar na prova.

    Depois que o atleta saiu do chão e voltou à rua rumo ao estádio Panathinaiko, Kossivas conta que o irlandês foi agredido pelo público. Segundo ele, as pessoas gritavam "o que você fez?". Horan teria levado tapas antes de ser algemado por um policial que acompanhou toda a cena.

    "Um dia, espero encontrar Vanderlei e explicar como é grande a minha admiração pelo feito que ele conseguiu. Quero contar que respeito sua coragem e força e, finalmente, dizer que ele é o verdadeiro medalhista de ouro da maratona."

    Ex-jogador de basquete, Kossivas tem outra relação com o Brasil além do ato de heroísmo que ficará para sempre marcado na história da Olimpíada: entre 1964 e 1975, ele jogou basquete no Sporting de Atenas, mesmo time que Gerasime Bozikis (hoje presidente da Confederação Brasileira de Basquete) defendeu.


     

  • Redação Terra