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Atletismo
Sexta, 17 de setembro de 2004, 11h09  Atualizada às 22h43
"Anjo" vem ao Brasil e promete lobby por Vanderlei
 
COB/Divulgação
Kossivas, salvador do brasileiro, se emocionou
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O grego Polyvios Kossivas, que ajudou Vanderlei Cordeiro de Lima durante a maratona olímpica, se encontrou nesta sexta-feira em Atenas com o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, e acertou a vinda ao Brasil em dezembro para conhecer o atleta brasileiro.

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    Além de poder realizar o sonho de apertar a mão de Vanderlei, o ilustre torcedor ainda se dispôs a depor a favor do maratonista, que foi agarrado durante a prova pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan. O julgamento, se realizado, acontecerá na Corte de Arbitragem do Esporte (Suíça), a quem o COB enviou um recurso pedindo o ouro ao brasileiro, sem prejuízo ao italiano Stefano Baldini, vencedor da prova.

    "Em qualquer momento que for preciso eu vou estar presente em qualquer tribunal para testemunhar a favor do Vanderlei. Fiquei muito chateado com o fato dele ter ficado em terceiro lugar. Vou dizer até morrer que ele foi o campeão e que merecia a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Atenas", disse o "anjo" nesta sexta-feira.

    "O ataque que ele sofreu foi muito violento. Tive que fazer força para livrá-lo do padre irlandês e disse pra ele: vá, vá. Voltei pra casa para acompanhar o final da prova pela televisão e fiquei impressionado com a superação do Vanderlei. Ele teria vencido a prova se não tivesse sido atacado, pois tinha força e determinação para isso", completou.

    No encontro de hoje em Atenas, Nuzman enalteceu a atitude de Kossivas. "Você passa a fazer parte da galeria dos heróis do esporte brasileiro. Sua atitude e desprendimento são dignos de todos os elogios e do nosso eterno reconhecimento", afirmou dirigente.

    Emocionado, o grego chorou duas vezes. "Fiz o que qualquer outro grego faria e agi como um desportista. Quando vi o atleta sendo atacado agi com o instinto de ajudar", afirmou ele, que deverá se encontrar com Vanderlei na primeira quinzena de dezembro, durante o Prêmio Brasil Olímpico.

    Vanderlei, que está em Cruzeiro do Oeste (PR), sua cidade natal, não escondeu a gratidão pelo até então desconhecido torcedor, que foi apelidado de de Zeus, o deus dos deuses mitologia grega.

    "De certa forma ele fez parte da conquista da minha medalha. Ele teve uma atitude imediata de me ajudar, agindo mais rapidamente que a própria segurança da prova. Quero agradecer o que ele fez por mim e será um prazer conhecê-lo. Quero criar um vínculo de amizade com ele, saber mais da vida dele", revelou o medalhista olímpico.

    Polyvios Kossivas, de 53 anos, é gerente de produção de uma fábrica de sorvetes em Atenas. Casado e pai de três filhas, ele carrega o esporte nas veias, já que é ex-jogador e árbitro de basquete e conhece o presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Gerasime Bozikis, o Grego. Em dezembro, o "anjo" irá trazer sua mulher e de uma das filhas ao Brasil.

    Além de abraçar Vanderlei, Kossivas quer também conhecer Pelé, ir a uma escola de Samba e conhecer o Corcovado, no Rio.

    Pedido

    O COB encaminhou nesta sexta-feira à Federação Internacional de Atletismo (Iaaf) o pedido para que uma medalha de ouro seja entregue também a Vanderlei Cordeiro de Lima.

    O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta, foi à sede da Iaaf, em Mônaco, para entregar o documento.

    O COB vai usar o testemunho de Polyvios Kossivas como parte da defesa. Além disso, está anexa uma carta feita pelo técnico de Vanderlei Cordeiro com uma análise técnica de tudo o que poderia ter acontecido na prova caso não houvesse a intervenção do padre irlandês.

    "O testemunho do senhor Kossivas será muito importante porque ele nos disse que vai relatar toda a agressividade com a qual o padre segurou o Vanderlei", disse Carlos Osório, diretor-geral do Co-Rio, que organiza o Pan e Parapan de 2007, no Rio.

    "Ele ficou preocupado com aquele ato, porque acreditava que dificilmente o brasileiro voltaria à prova. A força com a qual ele atacou o Vanderlei foi imensa", concluiu.

    O prazo para entrega da ação na Justiça é até 29 de outubro. O COB espera uma manifestação positiva da Iaaf para encaminhar o documento à Corte de Arbitragem do Esporte, mas fará isso mesmo que a Federação Internacional não fique do seu lado.

    O caso é julgado por três juízes: um indicado pelo COB, um pela Iaaf e um pela própria Corte. O trâmite é lento e a decisão deve demorar meses a ser revelada.


     

  • Redação Terra