Relembre cenas históricas dos Jogos Olímpicos.
Além de poder realizar o sonho de apertar a mão de Vanderlei, o ilustre torcedor ainda se dispôs a depor a favor do maratonista, que foi agarrado durante a prova pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan. O julgamento, se realizado, acontecerá na Corte de Arbitragem do Esporte (Suíça), a quem o COB enviou um recurso pedindo o ouro ao brasileiro, sem prejuízo ao italiano Stefano Baldini, vencedor da prova.
"Em qualquer momento que for preciso eu vou estar presente em qualquer tribunal para testemunhar a favor do Vanderlei. Fiquei muito chateado com o fato dele ter ficado em terceiro lugar. Vou dizer até morrer que ele foi o campeão e que merecia a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Atenas", disse o "anjo" nesta sexta-feira.
"O ataque que ele sofreu foi muito violento. Tive que fazer força para livrá-lo do padre irlandês e disse pra ele: vá, vá. Voltei pra casa para acompanhar o final da prova pela televisão e fiquei impressionado com a superação do Vanderlei. Ele teria vencido a prova se não tivesse sido atacado, pois tinha força e determinação para isso", completou.
No encontro de hoje em Atenas, Nuzman enalteceu a atitude de Kossivas. "Você passa a fazer parte da galeria dos heróis do esporte brasileiro. Sua atitude e desprendimento são dignos de todos os elogios e do nosso eterno reconhecimento", afirmou dirigente.
Emocionado, o grego chorou duas vezes. "Fiz o que qualquer outro grego faria e agi como um desportista. Quando vi o atleta sendo atacado agi com o instinto de ajudar", afirmou ele, que deverá se encontrar com Vanderlei na primeira quinzena de dezembro, durante o Prêmio Brasil Olímpico.
Vanderlei, que está em Cruzeiro do Oeste (PR), sua cidade natal, não escondeu a gratidão pelo até então desconhecido torcedor, que foi apelidado de de Zeus, o deus dos deuses mitologia grega.
"De certa forma ele fez parte da conquista da minha medalha. Ele teve uma atitude imediata de me ajudar, agindo mais rapidamente que a própria segurança da prova. Quero agradecer o que ele fez por mim e será um prazer conhecê-lo. Quero criar um vínculo de amizade com ele, saber mais da vida dele", revelou o medalhista olímpico.
Polyvios Kossivas, de 53 anos, é gerente de produção de uma fábrica de sorvetes em Atenas. Casado e pai de três filhas, ele carrega o esporte nas veias, já que é ex-jogador e árbitro de basquete e conhece o presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Gerasime Bozikis, o Grego. Em dezembro, o "anjo" irá trazer sua mulher e de uma das filhas ao Brasil.
Além de abraçar Vanderlei, Kossivas quer também conhecer Pelé, ir a uma escola de Samba e conhecer o Corcovado, no Rio.
Pedido
O COB encaminhou nesta sexta-feira à Federação Internacional de Atletismo (Iaaf) o pedido para que uma medalha de ouro seja entregue também a Vanderlei Cordeiro de Lima.
O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta, foi à sede da Iaaf, em Mônaco, para entregar o documento.
O COB vai usar o testemunho de Polyvios Kossivas como parte da defesa. Além disso, está anexa uma carta feita pelo técnico de Vanderlei Cordeiro com uma análise técnica de tudo o que poderia ter acontecido na prova caso não houvesse a intervenção do padre irlandês.
"O testemunho do senhor Kossivas será muito importante porque ele nos disse que vai relatar toda a agressividade com a qual o padre segurou o Vanderlei", disse Carlos Osório, diretor-geral do Co-Rio, que organiza o Pan e Parapan de 2007, no Rio.
"Ele ficou preocupado com aquele ato, porque acreditava que dificilmente o brasileiro voltaria à prova. A força com a qual ele atacou o Vanderlei foi imensa", concluiu.
O prazo para entrega da ação na Justiça é até 29 de outubro. O COB espera uma manifestação positiva da Iaaf para encaminhar o documento à Corte de Arbitragem do Esporte, mas fará isso mesmo que a Federação Internacional não fique do seu lado.
O caso é julgado por três juízes: um indicado pelo COB, um pela Iaaf e um pela própria Corte. O trâmite é lento e a decisão deve demorar meses a ser revelada.