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Paraolimpíada
Terça, 28 de setembro de 2004, 14h03  Atualizada às 18h58
Brasil bate expectativa em Paraolimpíada histórica
 
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"Phelps brasileiro", Clodoaldo foi o nome do Brasil em Atenas
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Superação, vitórias, recordes e medalhas, muitas medalhas. Foram tantos os feitos que o Brasil alcançou nesta Paraolimpíada que o resultado não poderia ser outro: os Jogos de Atenas foram os mais vitoriosos da história do esporte paraolímpico brasileiro.

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    No total foram 33 medalhas, sendo 14 ouros, 12 pratas e 7 bronzes. Até então, o maior número de pódios fora em Indianápolis-1984, com 28. A quantidade de ouros também superou o recorde de Sydney-2000, quando o Hino Nacional foi ouvido seis vezes.

    Outro número que mostra a evolução do paraolimpismo brasileiro é o de atletas que foram para Atenas. Foram 98 representantes, quase 50% a mais que em Sydney-2000, quando 64 disputaram a competição.

    Com tantos pontos a favor, a meta do Comitê Paraolímpico Brasileiro não poderia deixar de ser alcançada. A expectativa de terminar como o 20º melhor país do mundo foi até superada com a 14ª colocação.

    Destaques

    O Brasil contou com vários astros durante a campanha histórica, mas nenhum se destacou tanto como o nadador Clodoaldo Silva. Apelidado de ¿Michael Phelps brasileiro¿, ele volta ao País com seis ouros (100m livre, 200m livre, 50m borboleta, 150 medley, 50m livre e 4 x 50m medley) e uma prata (4 x 50m livre) na bagagem.

    A atuação de Clodoaldo, que tem paralisia cerebral, foi tão surpreendente que ele superou até o Phelps original, que em agosto faturou seis ouros e dois bronzes nos Jogos Olímpicos.

    Com sete ouros, três pratas e um bronze, a natação paraolímpica brasileira ficou entre as nove melhores do mundo, à frente até de potências como Austrália, Rússia e Alemanha. Em Sydney-2000, foram um ouro, sete pratas e quatro bronzes.

    No atletismo o Brasil também teve um fenômeno. Já conhecida do público, Ádria Santos, o maior nome do esporte paraolímpico nacional, confirmou favoritismo e foi ouro na prova de 100m e prata nas de 200m e 400m. No total, a atleta, que é cega, tem quatro ouros e sete pratas na carreira.

    Nos esportes coletivos o destaque foi o futebol. No de 7, para paralisados cerebrais, o Brasil foi vice ao perder para a Ucrânia na final - os atuais campeões mundiais venceram por 4 a 1. Neste jogo decisivo, os brasileiros não contaram com três titulares, já que Leandro Marinho, Flávio Dino e Luciano Rocha foram expulsos nas semifinais por se envolverem em uma briga com jogadores argentinos.

    Hoje, no último dia paraolímpico, o País fechou sua participação com chave, ou melhor, medalha de ouro. A decisão do futebol de 5 (deficiente visuais) contra a Argentina foi para os pênaltis após o 0 a 0 no tempo normal e o Brasil levou a melhor nas cobranças, conquistando, assim, um pódio que os olímpicos nunca alcançaram.

    "A equipe brasileira mostrou que ter deficiência não significa ser incapaz", disse o nadador Clodoaldo Silva. "Será muito interessante se na próxima edição dos Jogos o grupo aumente e as pessoas queiram ultrapassar nossos recordes."

    Apoio

    O desempenho do País empolgou também o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Vital Severino Neto, que anunciou hoje que os atletas paraolímpicos pertencentes à delegação brasileira continuarão recebendo a bolsa incentivo até o final do ano.

    "Em outubro deste ano, fecharemos o planejamento estratégico para os próximos quatro anos. No ano que vem, após as eleições, quem estiver no comando do CPB terá disponível o planejamento, mas sabemos que ainda é preciso melhorar a estrutura e trabalhar com novas fontes de financiamento", disse Vital.

    O dirigente ainda afirmou que o CPB buscará o maior número de empresários, tentando aumentar as parcerias e trabalhar juntamente com o governo. "Esperamos que a parceria com as Loterias Caixa continue. E bons resultados demandam mais responsabilidade para o Brasil. Agora o trabalho é dobrado", finalizou.
     

  • Redação Terra