> Esportes > Atenas 2004  > Paraolimpíada
Veja mais sobre Atenas no celularAtenas 2004 em:


 Boletim

 Fale conosco

Paraolimpíada
Quinta, 30 de setembro de 2004, 17h27 
Phelps brasileiro deve virar garoto-propaganda
 
Últimas de Paraolimpíada
» Três atletas paraolímpicos são punidos por doping
» Medalhistas britânicos são homenageados em Londres
» Lula recebe 55 atletas paraolímpicos no Planalto
» Lula recebe atletas paraolímpicos nesta quinta
Busca
Busque outras notícias no Terra:

As seis medalhas de ouro e uma de prata conquistadas na Paraolimpíada de Atenas já começam a render dinheiro para Clodoaldo da Silva. O nadador, chamado pela própria delegação de Michael Phelps brasileiro, recebeu uma proposta de uma marca de cosméticos para integrar sua próxima campanha publicitária, ao lado de outros atletas do país.

De todos os procurados, Clodoaldo é o único paraolímpico. Os demais são da delegação olímpica nacional.

O nadador não quer falar muito sobre o assunto, por enquanto. Garante que só vai analisar a proposta quando chegar ao Brasil. Até porque só então saberá de todos os detalhes. Atualmente, sua renda mensal é de R$ 2,5 mil, entre a bolsa-atleta e o bônus por medalha de Sydney-2000, do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), e mais um dinheiro que recebe de um patrocinador pessoal, uma rede hoteleira de sua cidade, Natal (RN).

Todos os meses, destina a maior parte para a construção de uma casa para morar com a mãe e os quatro irmãos.

A performance de Clodoaldo se tornou a maior da história de um atleta do país em uma única edição dos Jogos, sejam olímpicos ou paraolímpicos. Além das 7 medalhas conquistadas na Grécia, ele ainda tem mais quatro no currículo, três de prata e uma de bronze, obtidas em Sydney.

No total, as 11 o colocam como o segundo maior vencedor do país, atrás da também paraolímpica Ádria dos Santos, do atletismo. Ela, que compete desde Seul-88, tem 12.

Em número de ouros, porém, o potiguar está na frente, já que a mineira tem quatro. Sua coleção é completada com oito pratas.

Clodoaldo tem 25 anos e garante ter pique de sobra para ir até Pequim-08. No período, porém, quer seguir os estudos para "garantir o futuro". Ele interrompeu o cursinho pré-vestibular que fazia este ano, para se preparar à Paraolimpíada. "Muitas vezes me perguntei se tudo valia a pena. Tinha dia que acordava às 4h30 da manhã, para ir treinar, e estava cansado. Outros, ia com chuva. São oito ônibus por dia, depois uma "caminhada" de dez minutos (que faz com cadeira de rodas). Mas o resultado está aí. Não posso reclamar de mais nada, todo o esforço foi recompensado", diz o nadador, que é classificado como S4. Ele teve paralisia cerebral por falta de oxigenação durante o parto.

De volta ao Brasil na madrugada desta quinta-feira, Clodoaldo diz que a primeira coisa a fazer é rever parentes, amigos e a namorada. Depois, vai tirar apenas uma semana de férias, para já retomar a rotina que foi a fórmula para as vitórias. "Entre 14 e 17 de outubro já tem o Campeonato Brasileiro, que eu vou nadar. É isso que eu faço, esporte é a minha paixão", afirma.

A perspectiva de uma melhora na qualidade de vida é o que move o atleta. O potiguar diz que deve tudo na vida à natação, o esporte que talvez tenha evitado que ele tivesse o mesmo final de muitos amigos da infância, que hoje não estão mais ao seu lado, devido a problemas como roubo ou uso de drogas.

"Se faltaram coisas materiais na minha vida, nunca faltou amor, luta. Nunca me senti abalado com as dificuldades porque sempre tive minha família ao lado, que também soube me criar como se eu não tivesse diferença nenhuma. Terminei meu ensino médio aos 20 anos, perdi quatro deles por causa das cirurgias que sempre tive que passar", conta.
 

Lancepress!