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O saguão do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), normalmente silencioso por volta das 5h, teve torcedores com pandeiro e outros instrumentos de percussão hoje. Faixas e até uma banda também davam o tom da euforia pela chegada dos brasileiros.
No desembarque, o mais assediado foi o nadador Clodoaldo Silva, que em solo grego faturou seis ouros e uma prata.
"Esperava uma recepção como esta, porque o povo brasileiro é caloroso. Como a Paraolimpíada foi transmitida para o Brasil, muitas pessoas hoje sabem quem nós somos. Fico feliz não por mim, mas pelo esporte paraolímpico", disse ele, apelidado de "Michael Phelps brasileiro".
Clodoaldo, que acredita que o desempenho do País em Atenas vai "motivar os deficientes físicos a saírem de casa e praticar esportes", aproveitou o momento para pedir, nas entrelinhas, um maior apoio aos atletas.
"Com este reconhecimento que estamos tendo hoje, acho que as coisas só tendem a melhorar para a próxima Paraolimpíada", afirmou. "Se um atleta normal já tem dificuldades para treinar, aqueles que têm alguma deficiência, têm mais dificuldade ainda."
O mais premiado brasileiro em Atenas disse que "foi uma surpresa ganhar tantas medalhas". "Na saída da Grécia, revistaram minha bagagem três vezes. Acho que foi excesso de bagagem, excesso de ouro", brincou.
Ádria Santos, que ganhou um ouro e duas pratas no atletismo, também foi cercada por torcedores e jornalistas. E não escondeu que já está pensando em 2008. "Quero chegar bem em Pequim", disse.
Ainda hoje alguns atletas desfilarão em carro aberto por ruas de São Paulo e Rio. Haverá ainda homenagem em outros pontos do País.
Em Atenas, o Brasil obteve seu melhor desempenho na história da Paraolimpíada, com 33 medalhas que garantiram o 14º lugar na classificação geral.