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Quando a delegação brasileira paraolímpica voltou dos Jogos de Sydney, em 2000, com 22 medalhas, não havia nenhuma badalação no aeroporto ou insistentes pedidos de autógrafos e entrevistas.
O que mais se falava era sobre o fracasso dos atletas olímpicos, que não tinham trazido da Austrália nenhum ouro.
A sexta-feira, dia em que desembarcaram os paraolímpicos brasileiros vindos de Atenas, foi bastante diferente.
O que indica, segundo dois campeões na Grécia, que a pressão por resultados desta vez era maior, principalmente pelo maior apoio financeiro que receberam.
"O Brasil já tinha feito bonito pouco antes de começarmos a competir e tínhamos de mostrar de quê somos capazes", disse a velocista Ádria dos Santos, que já conquistou três títulos paraolímpicos, o último deles nos 100 metros em solo ateniense.
"Nunca tinha ficado tão nervosa na minha vida. A final que venci veio no dia em que fiquei mais tensa. Tinha medo de não conseguir fazer o que eu fazia nos treinos. Eu me sentia muito cobrada, foi muito medo de dar errado", disse.
O Brasil conquistou na Paraolimpíada de Atenas um total de 33 medalhas, sendo 14 de ouro, 12 de prata e 7 de bronze.
O nadador Clodoaldo Silva, campeão paraolímpico em seis provas na Grécia, também se disse aliviado com as vitórias após o fim das competições.
"Dessa vez nós não fomos só para competir. Nós tínhamos de ganhar para retribuir o investimento que fizeram", afirmou.
"Eu me disciplinei muito desde o início do ano, treinei muito mesmo. Agora que estamos em casa eu fico mais tranquilo", falou.
Ele ainda brincou com o nervosismo que teve no aeroporto de Atenas, quando iniciava a viagem de volta ao Brasil, ao ser perguntado se não o tinham barrado na alfândega por excesso de bagagem, uma vez que trazia sete medalhas da capital grega.
"Deve ser isso. Revistaram minha bagagem umas três vezes. Eu lá, querendo voltar logo, e eles demorando, só para aumentar a minha ansiedade", brincou.
O ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, se divertiu com o incidente. "Nem duvide disso, porque essa pilha é muito pesada", divertiu-se.
Queiroz e Jorge Mattoso, presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), a principal patrocinadora do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), negaram que houvesse pressão por resultados.
Para eles, as conquistas viriam naturalmente por meio de um trabalho de longo prazo, com base nos recursos destinados pela lei Agnelo/Piva, que destina dois por cento das loterias federais ao Comitê Olímpico Brasileiro (85 por cento) e ao CPB (15 por cento).
"Sabíamos que eles iriam bem, mas não existiu nenhuma meta nesse sentido. E se existisse, eu diria que os resultados teriam superado qualquer expectativa", disse Mattoso, que estuda a possibilidade de assinar contratos individuais com atletas paraolímpicos, além daquele já firmado com o CPB.
O ministro compartilhou a avaliação do presidente da CEF. "Depois de Sydney, sabíamos que era necessário manter os recursos destinados aos atletas paraolímpicos. O sucesso em Atenas só prova que o esporte paraolímpico está consolidado no Brasil, que hoje compete de igual para igual com países de primeiro mundo e inclui socialmente essa importante parcela da população", afirmou.
O presidente do CPB, Vital Severino, preferiu minimizar a pressão e comemorar o histórico desempenho em Atenas. "As dificuldades são naturais e, mais do que ninguém, nós sabemos como lidar com elas. Agora é dar continuidade a esse trabalho e buscar melhorar ainda mais em Pequim", disse ele.
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