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Brasil pode não ter medalha no atletismo pela 1ª vez desde 1992

8 ago 2012
09h48
atualizado às 12h10

Se não houver uma surpresa positiva que reverta o quadro de decepções com as saltadoras Fabiana Murer e Maurren Maggi, o atletismo do Brasil vai sair dos Jogos Olímpicos de Londres sem subir ao pódio pela primeira vez desde a Olimpíada de Barcelona 1992.

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Atual campeã mundial do salto com vara, Murer era o grande nome do Brasil na modalidade na capital britânica, mas ficou pelo caminho ainda nas eliminatórias. O mesmo destino teve Maurren, que apesar de ter sido campeã olímpica do salto em distância em Pequim 2008 chegou a Londres após uma contusão que prejudicou sua preparação.

Duas medalhas do revezamento 4x100 m rasos masculino (bronze em Atlanta 1996 e prata em Sydney 2000) e um bronze do maratonista Vanderlei Cordeiro em Atenas 2004, além do ouro de Maurren na China, garantiram ao atletismo uma sequência de quatro Olimpíadas no pódio. Em Londres, vai ser difícil manter a série.

A maratona e o revezamento 4x100 m são exatamente as principais possibilidades, mas os brasileiros estão longe de estar entre os favoritos.

Nenhum velocista do país disputou as semifinais dos 100 m rasos no masculino, num indicativo de que será muito difícil brigar pelo pódio em uma prova com Jamaica, Estados Unidos e outras potências das provas de velocidade nas pistas.

Já o maratonista Marilson Gomes dos Santos tem no currículo um bicampeonato da Maratona de Nova York (2006 e 2008), porém desde sua última vitória na cidade americana ele não conquistou mais nenhum título importante na prova que encerra os Jogos Olímpicos.

Seria preciso uma grande surpresa, como foi quando Vanderlei Cordeiro disparou na liderança da prova de 2004 até ser derrubado por um manifestante irlandês que o tirou da disputa pelo ouro, para que Marilson suba ao pódio. Os outros representantes nacionais na prova são Franck Caldeira e Paulo Roberto de Almeida, que também não são favoritos diante de atletas etíopes e quenianos que dominaram as principais maratonas do mundo nos últimos anos.

"A gente não fala de expectativa de medalha. Acreditamos que vamos estar na final dos revezamentos 4x100 m masculino e feminino se nada de surpreendente acontecer", disse o chefe da delegação de atletismo do Brasil em Londres, Martinho Nobre dos Santos, quando questionado em quais provas o Brasil ainda poderia brigar pelo pódio na Olimpíada.

A possível falta de medalhas será uma decepção para o atletismo brasileiro, principalmente após o título mundial conquistado por Murer no ano passado no salto com vara.

A atleta, que se repetisse na Olimpíada sua melhor marca pessoal (4,85 m) teria sido campeã, ficou fora da final após errar seus dois primeiros saltos para 4,55 m e nem mesmo executar a última tentativa, reclamando do vento no Estádio Olímpico.

Já Maurren tinha o status de campeã olímpica, mas as expectativas quanto a ela eram menores, uma vez que nunca mais superou a marca de 7,00 m desde a conquista do ouro em Pequim 2008. Ela ainda sofreu uma contusão no quadril pouco mais de dois meses antes da Olimpíada.

"Eu tinha esperança de ir bem aqui, me classificar para a final, e depois ia ser igual a Pequim, uma prova aberta. Infelizmente não deu", lamentou a saltadora, 36 anos, após a eliminação.

A possível ausência do atletismo no quadro de medalhas pode ter impacto na meta de 15 pódios estabelecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para Londres. Murer, como campeã do mundo, era nome certo na lista.

Até agora o Brasil conquistou 9 medalhas (2 ouros, 1 prata e 6 bronzes) e tem mais três pódios garantidos: um no boxe, um no vôlei de praia masculino e um no futebol masculino. Vôlei de quadra masculino e feminino, basquete masculino e vôlei de praia feminino são outras modalidades com chances de pódio.

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Maurren era uma das esperanças de medalha para o Brasil
Maurren era uma das esperanças de medalha para o Brasil
Foto: Alaor Filho/Agif/COB / Divulgação
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