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Empresário se diz favorecido por restrição e critica Minardi

29 dez 2010
20h28
atualizado às 21h45

A Confederação Brasileira de Atletismo (Cbat) limitou o número de estrangeiros em corridas de rua desde o começo de 2009. Quase dois anos após a medida, Moacir Marconi, mais conhecido como Coquinho, principal articulador da vinda de africanos ao País, se diz favorecido e critica Alexandre Minardi, técnico do Cruzeiro e favorável a aumentar a restrição aos forasteiros.

Seis mil mulheres participaram da segunda etapa do Circuito de Vênus em São Paulo
Seis mil mulheres participaram da segunda etapa do Circuito de Vênus em São Paulo
Foto: Divulgação

"O Minardi não suporta os quenianos e nem quem trabalha com os quenianos. Isso incomoda pouco, porque só vai espernear e não vai dar em nada. Ele simplesmente deixou de falar com a gente e eu nem faço questão, porque ele não faz meu tipo como personalidade. Se ele trabalha bem ou mal é problema dele. Eu procuro fazer bem o meu trabalho. Ele não tem competência para me influenciar", disse Coquinho.

Em provas da chamada Classe A-1 Nacional, a Cbat estabeleceu o número máximo de três atletas por país. No entanto, a entidade pode rever o limite a seu critério em disputas deste nível. Na categoria masculina da São Silvestre, por exemplo, serão seis quenianos.

Diante da regulamentação, Coquinho procurou diversificar seu elenco e passou a trabalhar com africanos de outras nacionalidades, como tanzanianos e etíopes. De acordo com o treinador e empresário, a restrição imposta pela Cbat foi benéfica para seus negócios.

"Até aumentou (os lucros), porque todos os organizadores das provas não gostam só de quenianos, mas também de estrangeiros de outros países para aumentar o nível técnico. Eu precisei de um maior investimento no começo, mas hoje está muito melhor para mim, porque consigo oferecer para as organizações atletas de vários países", explicou.

Na temporada de 2006, Franck Caldeira foi o último brasileiro a vencer a Corrida Internacional de São Silvestre. O atleta do Cruzeiro também reprova a participação dos estrangeiros em corridas de rua. Minardi, por sua vez, chegou a propor um máximo de três atletas do continente africano por prova.

"Basta ter talento e condições que você pode ganhar dos quenianos. Ninguém é imbatível. O Marilson e o próprio Franck já provaram isso na carreira. Ficar correndo com os mesmos resultadinhos que nós fazíamos há 25, eu não acho interessante", disse Coquinho.

Franck Caldeira conquistou a São Silvestre de 2006 e no ano seguinte foi campeão da Maratona dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Questionado sobre o atleta, Coquinho voltou a criticar Minardi.

"Na minha opinião, acho que o grande erro dele foi trocar de técnico. O Franck foi para o Cruzeiro e precisou largar o técnico que descobriu ele (Henrique Viana). Foi uma infelicidade e talvez tenha abalado ele um pouco", disse.

Atualmente, Henrique Viana treina Damião Ancelmo. "Antes, o Franck ganhava do Damião e agora o Damião ganha dele. O doutor Henrique é um grande técnico e já provou isso", disse Coquinho.

Ex- corredor, ele aponta o queniano James Kipsang como favorito na São Silvestre e critica os competidores nacionais. "Antes, precisávamos viajar para aumentar nosso nível técnico. Agora, eles têm isso de graça e deveriam me agradecer pelo aprendizado. Eles só pensam em vencer, mas vencer com nível técnico é outra coisa e é assim que você ganha expressão internacional. A maioria só quer fazer o pé de meia", acusou.

Ao argumentar, Coquinho citou a realização dos Jogos de 2016 no Rio de Janeiro. "Se não tiver gente competitiva aqui, vai ser um desastre. Nossos atletas têm que ter a consciência de enfrentar os outros naturalmente. Se eles não têm condições de enfrentá-los nem em provas menores que a São Silvestre, como será na Olimpíada? Vão olhar os outros e começar a tremer achando que já perderam", encerrou.

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