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Fabiana prevê pressão, mira 4,90 m, e quer ser competitiva até 2016

30 ago 2011
20h45
Vagner Magalhães
Direto de Daegu (Coreia do Sul)

Ao conquistar a primeira medalha de ouro para o Brasil em um Mundial de Atletismo, a brasileira Fabiana Murer, do salto com vara, tem consciência de que o título será um fator de pressão em relação ao desempenho dela em Londres 2012. Será o reencontro da competidora com os Jogos Olímpicos, depois do fatídico caso das varas desaparecidas em Pequim 2008.

Com a experiência de quem chegou ao topo aos 30 anos, ela reconhece que precisa melhorar alguns parâmetros técnicos, diz que pretende estender a carreira pelo menos até os 35 anos para disputar a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, ainda de forma competitiva, e comenta estar pronta para superar os 4,90 m. Nesta terça, Fabiana Murer saltou 4,85 m, igualando o recorde sul-americano, que pertence a ela mesma. A marca anterior foi alcançada em Birmingham, na Inglaterra, no ano passado.

No caminho, a atleta brasileira sabe que tem a supercampeã russa Yelena Isinbayeva, que nesta temporada também não passou dos 4,85 m (em pista coberta). Na visão dela, a amiga ainda é a atleta a ser batida no esporte. A marca mundial de 5,06 m segue sendo um sonho distante para Murer.

"Eu já havia sido campeã mundial em pista coberta, no ano passado, em Doha, e agora consegui o mesmo feito na Coreia do Sul. Estou muito feliz. Esta é a melhor marca da minha carreira e me sinto pronta para superar os 4,90 m", afirmou.

Murer diz que se sente confiante, e que tem melhorado com os anos de experiência. Ela se considera uma atleta técnica, que não depende tanto da força para saltar. Isso a faz acreditar que possa chegar com a qualidade necessária para a disputa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

"As atletas do salto com vara começam a parar por volta dos 33 anos. Eu estou com 30 e meu objetivo é aprimorar ao máximo a minha técnica. Se dependesse exclusivamente da força, seria mais difícil chegar lá", disse.

A brasileira disse que, em 2011, se preparou voltada para o Mundial e o resultado foi obtido por meio de muito treino. "No ano passado, tive uma temporada maravilhosa, porém, este ano fui um pouco mais inconstante. Agora é prosseguir, pensando na Olimpíada do ano que vem. Posso aprimorar a minha técnica e é nisso que eu vou trabalhar", comentou.

Nesta terça, durante a volta da vitória no Estádio de Daegu, Fabiana se encontrou com o maior recordista de todos os tempos do salto com vara, o ucraniano Sergei Bubka. Disse ter ouvido dele palavras de incentivo e os parabéns pela medalha de ouro.

Na cabeça dela, consolidar a marca dos 4,90 m é, a partir de agora, o objetivo a ser atingido. "Hoje faltou pouco para eu conseguir, talvez um pouco de velocidade. Eu estava tão feliz que nem sei o que aconteceu direito. Alguma coisa bateu e derrubou o sarrafo".

Durante a prova, ao ver a russa Isinbayeva eliminada, percebeu que era o dia dela. "Não há como negar que conta muito a saída dela. Mas eu coloquei na minha cabeça que eu tinha de ganhar a medalha, Naquele momento, ainda estava atrás da alemã, mas consegui superá-la".

O próximo salto já tem data marcada. Será durante a Diamond League, em Zurique, na Suíça, no próximo dia 8 de setembro. Nessa competição, em 2009, depois de deixar o Mundial de Berlim sem chegar ao pódio, Isinbayeva marcou o nome na história ao saltar 5,06 m, atual recorde mundial.

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Foto: EFE
Terra

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