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05 de agosto de 2012 • 08h32 • atualizado às 10h59

Jamaicana supera doping por "dor de dente" para levar bi dos 100 m

Fraser enfrentou uma suspensão por doping e um resultado ruim em Mundial antes do ouro em Londres Foto: AP
Fraser enfrentou uma suspensão por doping e um resultado ruim em Mundial antes do ouro em Londres
Foto: AP
 

Enquanto o mundo do atletismo aguarda a tão esperada exibição de Usain Bolt na decisão dos 100 m livre, o público no Estádio Olímpico de Londres pôde testemunhar no último sábado a consagração de outro nome jamaicano na prova mais rápida da modalidade. Shelly-Ann Fraser, 25 anos, superou o favoritismo da campeã mundial, a americana Carmelita Jeter, e conquistou pela segunda vez a medalha de ouro na prova, confirmando o domínio do país nas disputas de velocidade nas pistas.

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Em uma prova definida somente nos últimos metros, Shelly-Ann Fraser cravou 10s75 e superou a rival americana por somente 0s03. De tão grande o equilíbrio, a bicampeã olímpica só comemorou a vitória depois da confirmação do resultado oficial no telão. Com a confirmação do resultado, a atleta jamaicana desabou no chão, chorou e desabafou: "oh, meu Deus". Incrédula, não acreditava que conseguira a segunda vitória nos Jogos Olímpicos.

"Os últimos dois anos foram muito difíceis para mim. É muito difícil se manter focada, mas estou aqui, com saúde, graças a Deus. Não executei uma corrida perfeita, mas meu técnico disse: 'se você fizer o que tinha que fazer, você vai vencer'. Mas não poderia fazer isso sozinha, quero agradecer ao meu técnico (Steven Francis). Acho que ele acredita mais em mim do que eu", discursou a jovem bicampeã olímpica.

Os dois anos difíceis ressaltados por Shelly-Ann Fraser começaram depois da consagração máxima na carreira. Depois de ter conquistado o ouro em Pequim, há quatro anos, a velocista jamaicana sacramentou o domínio na prova mais rápida do atletismo no Mundial de Berlim, em 2009. De maneira precoce, a corredora já conseguira os dois títulos mais importantes da modalidade.

O domínio nas pistas consequentemente atingiu a vida pessoal de Shelly-Ann Fraser. Ainda ofuscada por toda fama e pompa de Usain Bolt, a velocista recebeu uma honraria rara em fevereiro de 2010. Defensora ferrenha dos direitos infantis das crianças jamaicanas, Fraser foi apontada como Embaixadora da Boa Vontade da Unicef no país - a primeira pessoa na Jamaica a receber a indicação desde o ano de 1977, algo que nem Bolt ainda "conquistou".

Inquestionável dentro das pistas e vista como uma heroína fora delas, Fraser recebeu um duro golpe meses depois de receber o título da Unicef. Em outubro, a Iaaf (Associação Internacional das Federações de Atletismo) anunciou que a campeã olímpica e mundial, flagrada em um exame antidoping realizado em maio de 2010 na etapa de Xangai da Liga de Diamante, seria suspensa por seis meses das competições.

O anúncio abalou a competidora. Em sua defesa, Shelly-Ann Fraser afirmou que a substância encontrada no exame (oxicodona) foi utilizada apenas para combater dores de dente, que a incomodavam antes da competição na China. Sem conseguir derrubar a punição da entidade máxima do atletismo mundial, a jamaicana se afastou das pistas e só retornou em 2011, último ano do ciclo olímpico e do esperado Mundial de Daegu.

Fraser decepcionou na Coreia do Sul. Na tentativa de defender o título mundial, a jamaicana chegou no quarto posto e viu Carmelita Jeter, dos Estados Unidos, subir no lugar mais alto do pódio. A derrota, que seria vingada neste sábado, serviu de estímulo para a ainda jovem corredora recuperar o posto de mulher mais veloz do mundo.

O "recado" às adversárias foi dado na seletiva jamaicana, que definiu a forte equipe do país que disputa os Jogos de Londres. No qualificatório, Shelly, completamente livre da punição dada da Iaaf, atingiu o tempo de 10s70, obtendo a melhor marca da carreira. Com o nome de volta entre as tops da prova mais nobre do atletismo, Fraser precisava da vitória na decisão olímpica para "limpar" a reputação e apagar as barreiras dos últimos dois anos. O ouro e o alívio vieram, e a jamaicana pôde, enfim, voltar a sorrir.

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