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Simpática, Isinbayeva evita desculpas e avisa: "não sou máquina"

6 ago 2012
21h03
atualizado em 7/8/2012 às 03h39
Cirilo Junior
Direto de Londres

Eram quase 11 da noite quando a russa Elena Isinbayeva, uma das principais estrelas do atletismo mundial, chegou à segunda das três zonas mistas de entrevistas do Estádio Olímpico de Londres berrando, em tom de brincadeira, com seus compatriotas. Quem esperava cara fechada, poucas e resignadas palavras após ter falhado na defesa das medalhas de ouro olímpicas conquistadas em Atenas e Pequim, se enganou redondamente.

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Mostrando as mãos completamente sujas em função da competição, falando alto, atendendo pacientemente todos os jornalistas e demonstrando ótimo humor, ela minimizou a derrota e exaltou a conquista de sua medalha de bronze nesta Olimpíada. Para desespero da organização do evento, que tentava fazer com que a russa falasse rapidamente, ela atendia um a um que pedia uma entrevista. A essa altura, a final do salto com vara, vencida pela americana Jeniffer Suhr, tinha acabado há mais de uma hora.

"Obrigado aos meus fãs pelo amor e apoio. Por favor, celebrem essa medalha de bronze. Não chorem, não fiquem tristes porque não ganhei o ouro. Não sou uma máquina, sou um ser humano. Às vezes acontece, Fiquem felizes, dei tudo de mim", afirmou.

A dona de dezenas de recordes mundiais preferiu evitar lamentações e desculpas sobre as condições climáticas durante a prova. Exaltou suas adversárias, e, sem passar impressão de que fazia apenas um discurso protocolar, comemorou o 3º lugar. Justificou lembrando dos treinamentos e das horas de dedicação ao esporte, que eram compensadas pelo momento de estar ali, competindo numa Olimpíada. "Eu não perdi a medalha de ouro. Eu ganhei a medalha de bronze", comemorou.

Foi exaltada pelas adversárias que a venceram um pouco antes. Medalha de prata, a cubana Yarisley Silva dizia ter orgulho de competir ao lado da recordista mundial e olímpica. Já a americana campeã em Londres declarou que vencer a russa engrandece ainda mais sua conquista.

"É uma honra tê-la na pista, e chegar ao topo tendo ela como adversária. Ela representa muito para o evento", destacou a americana.

Entre as 12 atletas finalistas do salto com vara, não havia dúvidas de que todas as atenções estavam voltadas para aquela que é detentora dos recordes olímpico e mundial. Mesmo que nos últimos anos não estivesse apresentando o mesmo desempenho da fase áurea da carreira, era apontada com o a principal favorita para o ouro, especialmente depois de ter batido, no início do ano, o recorde mundial indoor.

Isinbayeva só foi menos aplaudida na apresentação dos atletas do que a britânica Holly Bleasdale. No início da prova, a russa preferiu descartar os primeiros dois saltos, e só entrou na disputa quando o sarrafo estava em 4,55 m. Falhou na primeira tentativa, e resolveu partir logo para 4,65 m. Não teve problemas, e ainda ultrapassou os 4,70 m.

Foi a partir daí que começou o drama particular da atleta. Poucos no estádio tinham dúvidas de que, naquele ritmo, a russa logo superaria os 4,75 m. Ledo engano. Após a segunda tentativa frustrada, a americana Suhr e a cubana Yarisley já tinham atingido a marca. Isinbayeva parecia sentir a pressão e a possibilidade real de perder o ouro. Incrédula, se escondeu embaixo de uma toalha, e parecia tentar um momento de concentração particular, diante de um público de 80 mil pessoas que queria vê-la fazer um salto perfeito.

Decidiu arriscar, e subiu o sarrafo para 4,80 m. Partiu para o salto decisivo, e instantes depois, com o sarrafo no chão, dava um adeus sem graça para o público, e ao mesmo tempo, para o tricampeonato olímpico. Terminava ali a Olimpíada de Londres para Elena Isinbayeva, que saiu da pista do estádio Olímpico carregando, orgulhosa, a bandeira da Rússia.

Ao mesmo tempo, nascia a possibilidade de que ela não encerrasse seu ciclo olímpico. Ela revelou que pretendia parar de competir em Olimpíadas se conquistasse a 1ª posição em Londres. Com o fracasso, a russa já pretende ir ao Rio de Janeiro daqui a quatro anos. Quer fechar com ouro sua brilhante carreira.

Ao deixar a pista e ser questionada pela imprensa, Isinbayeva, inicialmente, disse que pretendia parar um pouco, descansar, e começar a pensar no assunto após o Mundial de Moscou, no ano que vem. Questionada pela reportagem do Terra se o fãs brasileiros já poderiam começar a reservar os ingressos para vê-la, ela não resistiu.

"Vou pensar sobre isso agora, porque não consegui a medalha de ouro hoje.... Sim... Vocês vão me ver. Não é difícil de dizer", afirmou.

Sobraram até mesmo palavras de consolo para a brasileira Fabiana Murer, que sequer chegou à final. Ao saber que falava com um veículo brasileiro, imediatamente citou a principal saltadora do País.

"Sinto muito por ela, mas o tempo estava terrível durante a competição. Claro que o potencial dela é maior do que 4,50 m. Vocês ainda vão vê-la brilhando".

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Isinbayeva falhou na tentativa de renovar seu ouro olímpico
Isinbayeva falhou na tentativa de renovar seu ouro olímpico
Foto: Marcelo Pereira / Terra
Fonte: Terra
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