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Domingo, 15 de janeiro de 2006, 12h02 
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O francês Luc Alphand (Mitsubishi), ex-esquiador, venceu neste domingo o Rali Dakar 2006 na categoria carros, após disputar a 15ª e última etapa, com chegada no Lago Rosa.

O trecho não foi cronometrado, em sinal de luto pelas duas crianças que morreram na sexta-feira e no sábado, respectivamente, após serem atropeladas por veículos participantes da prova.

"Estou feliz por ter vencido o Rali Dakar. Eu me arrisquei, eu dirijo a 200 por hora em estradas que eu não conheço."

O sul-africano Giniel de Villiers (Volkswagen) terminou em segundo e o espanhol Joan Roma (Mitsubishi) no terceiro lugar.

Alphand havia participado do Dakar em 1999, 2002, 2003, 2004 e 2005, terminando em quarto e depois em segundo nas duas últimas corridas, antes de ser coroado vencedor neste domingo, sob a sombra de dois garotos mortos na estrada do rali.

"Claro que estamos pensando neles e suas famílias, mas há acidentes em casa, em frente às escolas. Há motoristas descuidados em casa", afirmou no sábado, depois de os organizadores terem anunciado que a etapa de domingo não seria mais contada.

Do esqui para o deserto

Das montanhas de esqui para as dunas de areia, velocidade e ousadia sempre foram a força motora de Luc Alphand. O título do Dakar, neste domingo, chegou nove anos depois dele levantar o troféu da Copa do Mundo de esqui alpino.

A longa e agitada carreira desse audacioso esportista começou em Briancon, no coração dos Alpes, numa máquina de lavar.

"Isso foi no tempo das missões lunares, quando eu e meu irmão queríamos ir à lua. A máquina de lavar parecia que tinha vindo do espaço, então meu irmão fechou a porta atrás de mim", contou ele aos jornalistas antes do início da corrida.

"Meu irmão não sabia como abrir a porta, mas ainda bem que não ligou a máquina e a minha mãe estava por perto."

Filho de um guia das montanhas, o jovem Luc começou a esquiar logo que aprendeu a andar, dois anos depois de seu nascimento, no dia 6 de agosto de 1965.

Ele venceu sua primeira grande prova aos 11 anos e conquistou o título mundial júnior de descida de montanha em Sestriere, em 1983, mas logo descobriu que as encostas de esqui não eram uma cama de rosas.

Os primeiros anos de sua carreira no esqui foram marcados por contusões: fraturou o pulso e rompeu os ligamentos do dedão em 1987, teve uma fratura exposta da fíbula em 1988, rompeu os ligamentos do joelho direito em 1989, quebrou uma vértebra em 1990.

Em 1993, ele se recuperou de uma queda espetacular na Montanha Whistler, nos Estados Unidos, onde sofreu rompimento do abdome e dos ligamentos do joelho, mas recusou a se curvar.

Um ano mais tarde, ele venceu sua primeira prova de descida de montanha em Val d''Isere e, no inverno de 1995, conquistou a Copa do Mundo em Kitzbuehel, na Áustria.

Ele tinha 29 anos quando sua carreira tinha acabado de começar. Depois de ser o número 1 do ranking mundial na descida de montanha em 1995 e 1996, Alphand se tornou, em 1997, o primeiro francês a vencer a Copa do Mundo no geral desde Jean-Claude Killy, em 1968.

Alphand se aposentou do esqui no final da temporada, mas um ano mais tarde participou de seu primeiro Rali Dakar.

Deserto assustador

"Acho que era viciado na velocidade do esqui e conseguia minha dose diária de adrenalina esquiando. Tive a oportunidade de começar com corrida de carros por causa do nome que fiz no esqui e as pessoas ouviram que eu amava corridas", declarou em Dakar.

"Meu principal objetivo no início era me divertir. Na primeira vez em que estive num carro, me senti seguro dentro da cabine. O barulho do motor era ótimo."

Alphand admite que sua estréia ao volante foi difícil no começo, assim como o início de sua carreira no esqui.

"Era um mundo diferente. Tinha uma boa vantagem com a visão e habilidade de analisar a velocidade, mas você precisa de tempo para aprender", disse.

"Eu não estava preparado para o deserto. Eu nasci para temperatura abaixo de zero e alturas de 1.500 metros. Estar fora de casa no inverno era minha vida."

"O deserto é um mundo diferente, 45 graus Celsius no deserto e mais de 50 graus no carro é um pesadelo real para mim. O deserto era assustador no começo."

"O primeiro Dakar foi um desastre. Nós terminamos num helicóptero dois dias antes de terminar a competição e deixamos o carro no deserto. Disse a mim mesmo, eu não estarei lá novamente."

Com informações da Reuters
 

EFE

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