
Atualizada às 14h49 A imprensa mundial mostrou, neste sábado, a sua preocupação com o futuro do Rally Dakar, depois da suspensão, que ocorreu nesta sexta-feira, da edição de 2008 da tradicional prova do automobilismo internacional devido às ameaças de grupos terroristas.
Alguns veículos chegaram a assegurar na edição deste sábado que "assistimos a morte da corrida", considerando que a prova não será mais realizada nos próximos anos.
Em Portugal, João Lagos, responsável pela organização portuguesa do Dakar-2008, disse ao Diário de Notícias, que era favorável enfrentar o terrorismo e não ceder à chantagem destes grupos.
"Há quem defenda que a melhor maneira de contrariar, de combater o terrorismo, é enfrentá-lo de frente. Estou totalmente de acordo", disse Lagos. "Por ameaças similares ao Rally se teria cancelado os Jogos Olímpicos ou um Mundial de futebol?", perguntou.
A imprensa portuguesa debateu sobre a decisão dos organizadores. O próprio Diário de Notícias destacou que a suspensão da prova acarreta perdas de 15 milhões de euros (cerca de R$ 39 milhões) para os diferentes segmentos portugueses envolvidos com o Rally.
"Ceder à chantagem da Al Qaeda motiva os que cultivam o terror", disse o jornal em seu editorial, julgando 2008 "um precedente perigoso".
Por sua vez, o Publico especulou sobre a atitude do Governo francês e suas pressões para cancelar o Rally. "Se o Rally se chamasse Paris-Dakar em vez de Lisboa-Dakar, o Governo francês teria sido tão exigente, como o foi nesta edição em matéria de segurança?", questionou o jornal.
A imprensa espanhola também se mostrou pessimista sobre as possibilidades de que o Dakar supere o golpe recebido. A ameaça terrorista da Al Qaeda "matou o Dakar", segundo El Mundo, jornal espanhol, que considerou a suspensão foi um "desastre econômico" e uma nova má notícia para a África.
Os outros diários espanhóis compartilharam este ponto de vista. Para o ABC, "Al Qaeda liquida o Dakar", enquanto que o La Razón disse que "Al Qaeda dinamita o Dakar". O esportivo Marca personificou a ameaça e publicou "Bin Laden ataca o Dakar".
A representação espanhola no Rally de 2008 era a segunda mais numerosa depois da França e nela estavam vários favoritos, como Marc Coma (moto), Carlos Sainz e Nani Roma (ambos em auto).
A imprensa espanhola também especulou sobre a possibilidade de o próximo Rally ser realizado na América do Sul ou na Rússia.
No Senegal, a notícia foi recebida pela imprensa com uma grande decepção, afirmando que a abriram uma concessão ao terrorismo. Para o jornal nacional Le Soleil, "seja talvez a sentença de morte do Dakar tradicional".
"O Dakar é uma tribuna extraordinária para fazer um nome. Alguns grupelhos o vêem assim, e usam e abusam disso", afirma o jornal, indicando que existem grupos que tentam aproveitar publicitariamente com as ameaças à prova.
O jornal evitou condenar a decisão dos organizadores de cancelar a prova pela primeira vez em sua história, mas se mostra preocupado com seu futuro. A publicação ainda apontou o Chile como possível destino das próximas edições, onde dirigentes visitaram recentemente.
AFP
13h04 » Diretor do Dakar apresenta prova na Europa Central
17h44 » Organização do Dakar anuncia prova na Hungria e Romênia