Por que os difusores da Brawn GP causam revolta?

27 de março de 2009 • 09h37 • atualizado às 14h14
Barrichello faz o segundo melhor tempo no 1º dia Foto: EFE
Barrichello faz o segundo melhor tempo no 1º dia
27 de março de 2009
Foto: EFE

VICTOR FONTANA

A Brawn GP chegou ao Grande Prêmio da Austrália autorizada pela FIA a utilizar os difusores originais de seu modelo que, segundo escuderias rivais, violariam as normas da Fórmula 1. A equipe do brasileiro Rubens Barrichello foi sensação do período de testes de pré-temporada nas últimas sessões em Jerez de La Frontera e Barcelona.

As equipes BMW Sauber, Ferrari e Renault apostavam em um protesto formal contra o equipamento da equipe comandada por Ross Brawn. Williams e Toyota também foram alvos das reclamações, pois, assim como o time mais novo da F1, apresentaram projetos de difusores que se aproveitavam de uma "brecha" no regulamento.

Com a manifestação rejeitada pela FIA, as equipes decidiram apelar da decisão. A apelação será examinada entre as corridas da Malásia e da China. Até lá, a Fórmula 1 deve gerar ainda mais debates, já que em Melbourne, os carros da Brawn GP, Williams e Toyota formaram seis dos sete melhores tempos no primeiro dia do GP da Austrália, com Barrichello em segundo.

O que é um difusor?
Difusor é um componente aerodinâmico que permite aumentar a velocidade com que o ar passa por baixo de um automóvel, conferindo maior estabilidade. Tomadas de ar na parte frontal do veículo recolhem o fluxo contrário ao carro e o despejam numa câmara espaçosa, na qual o vento tem que percorrer um caminho maior.

Este processo reduz a pressão embaixo do monoposto, permitindo que haja menor força empurrando o carro para cima. Assim, aumenta-se o downforce (pressão aerodinâmica) - efeito que pressiona o veículo, para propiciar maior contato dos pneus com o asfalto e, portanto, mais aderência para o automóvel.

"É como se fosse uma asa de avião ao contrário, que empurra o objeto para baixo e não para cima. O ar percorre um caminho maior sob o assoalho do que sua trajetória sobre ele. Isso gera um efeito adicional às asas dianteira e traseira", explica ao Terra o engenheiro mecânico Daniel Trigo.

O downforce

"Downforce, como o próprio nome diz, é a força em direção ao solo. É como se aumentasse o peso do carro. Isso permite maior velocidade nas curvas, porque gera mais aderência. Nas retas até atrapalha um pouco, porque é como se o carro estivesse mais pesado", afirma o engenheiro mecânico Antônio Franzoni.

No pacote de mudanças de regras da FIA para a temporada 2009 da F1, uma série de determinações reduziram em até 50% o downforce, também chamado de "efeito-solo". Entre as novas normas, um difusor menor do que o utilizado no ano passado.

Regulamentações como esta não são novidade na Fórmula 1. A Lotus de 1979 foi a primeira a se beneficiar do efeito-solo, quando o projetista Colin Chapman desenvolveu um assoalho inteiro para aumentar o efeito-solo. A entidade máxima do automobilismo logo proibiu o uso desse tipo de assoalho.

A maneira que as equipes encontraram para compensar isto foi a criação do difusor. Quanto maior ele for, mais downforce e mais parecido ele será com o primeiro projeto de Chapman.

O difusor da Brawn GP

Os projetistas da Toyota e da Williams encontraram uma maneira de criar um canal a mais para a saída de ar e, assim aumentaram o tamanho dos seus difusores. Parte da própria carroceria do carro é utilizada, fazendo com que o componente seja um pouco mais alto que o das concorrentes.

O carro da Brawn GP se utilizou da mesma brecha nas regras. Entretanto, ela consegue ainda um efeito maior ao fazer com que o ar saia por cima de uma pequena "asa", aumentando ainda mais a pressão aerodinâmica.

O impasse

9 de março: A Brawn GP lidera em seu primeiro teste coletivo, levantando as sobrancelhas de quem assistiu à estréia do carro com Jenson Button, que superou Renault, Ferrari e McLaren.

10 de março: É a vez de Barrichello surpreender. Ele fica com o segundo melhor tempo, atrás apenas de Kimi Raikkonen, da Ferrari.

11 e 12 de março: A Brawn GP continua na frente. Agora, dando dores de cabeça para Felipe Massa, que anda atrás de Button em um dia e de Barrichello no outro.

13 de março: Começa a reação e as acusações depois dos bons resultados da equipe de Ross Brawn. Flavio Briatore insinua que o carro estaria irregular para conseguir patrocínio. "Se você não tem patrocinadores no seu carro, você vem para cá e faz grandes tempos de volta. Do contrário, você se concentra na preparação da sua máquina".

18 de março: O próprio Rubens Barrichello se diz surpreso com o rendimento da Brawn GP. "Eu fui atrás para ver se o meu carro estava com menos peso, eu fui, afinal de contas, os tempos eram muito expressivos. Não existe possibilidade de blefe".

19 de março: Já sob acusações quanto aos difusores e não mais em relação a correr abaixo do peso, a Brawn GP é defendida por Charlie Whiting, delegado da FIA. "As equipes usaram uma lacuna que sempre esteve no regulamento. Já os outros times têm uma visão diferente".

23 de março: Red Bull e outras equipes ameaçam protesto formal contra os difusores.

26 de março: Renault, BMW Sauber e Ferrari apresentam reclamação formal contra Brawn GP, Toyota e Williams por interpretação errada do novo regulamento sobre os componentes aerodinâmicos.

Depois de resolução da FIA favorável aos difusores, as equipes que se sentem prejudicadas, decidem apelar da decisão. Uma manifestação final da entidade deve ser divulgada entre as corridas da Malásia e da China.

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