Relembre momentos históricos de Senna na F1

01 de maio de 2009 • 00h01 • atualizado às 02h31
Senna conseguiu vitória em Interlagos, em 1991 Foto: Getty Images
Senna conseguiu vitória em Interlagos, em 1991
30 de abril de 2009
Foto: Getty Images

Rafael Gomes

São Paulo


Vitórias, poles, rivalidades e um amor pelo Brasil e seu povo. Essas são algumas das marcas de Ayrton Senna, tricampeão mundial de Fórmula 1 e que morreu em um acidente há exatos 15 anos, na Itália, mas que até hoje é lembrado pelos fãs do automobilismo, que choraram sua morte ocorrida no circuito de Ímola, mais precisamente na curva Tamburello, quando ele bateu forte com sua Williams.

Antes da tragédia, Senna protagonizou boas disputas na F1, a maioria delas envolvendo o francês Alain Prost, tetracampeão do mundo e que chegou a ser seu desafeto declarado. Em pouco mais de dez anos na categoria, de 1984 a 1994, o brasileiro conquistou os títulos de 1988, 1990 e 1991.

Para chegar a esses títulos, Senna teve de passar pelo kart e em outras categorias do automobilismo europeu, como a Fórmula 3 Inglesa, antes de disputar a F1. Considerado o "Rei da Chuva", o brasileiro conquistou 41 vitórias e fez 65 poles na categoria, somando 614 pontos e 80 pódios até o fatídico 1º de maio de 1994.

Confira o histórico de Senna na F1:

1984
Depois de testar pela Williams no ano anterior, Senna aceitou o desafio de ingressar na Fórmula 1 em 1984, como piloto oficial, pela modesta Toleman. Então destaque da Fórmula 3 Inglesa, ele fez sua estréia no GP do Brasil e marcou seus primeiros pontos na África do Sul, quando largou em 13º e fechou a prova em sexto.

Em Mônaco, sob pista molhada, Senna fez uma prova magistral, depois de largar em 13º, e foi passando seus adversários - incluindo o austríaco Niki Lauda, campeão do mundo em 1984 - até encostar no líder da prova, o francês Alain Prost, declarado vencedor logo em seguida, quando a prova foi paralisada por causa da chuva. Era o primeiro pódio da carreira do brasileiro.

1985
No cockpit da Lotus, Senna não pontuou na primeira corrida de 1985, no Brasil, mas levou o País ao lugar mais alto do pódio logo no GP seguinte, em Portugal, depois de largar na pole position. Nas sete próximas seguintes, porém, o brasileiro não somou pontos e ficou de fora da briga pelo título, que ficou nas mãos de Prost de forma antecipada.

Na segunda metade da temporada, Senna venceu outra corrida na F1, desta vez na Bélgica, e somou outros quatro pódios. O brasileiro só voltou a cair de rendimento nas duas últimas provas do ano, mas já com a certeza de que poderia fazer ainda mais para ele o automobilismo do País na categoria.

1986
Em sua segunda temporada na Lotus, Senna já dividia as atenções do público brasileiro com Nelson Piquet, que na carreira também conquistou três títulos mundiais da F1.

Como no ano anterior, o brasileiro venceu a segunda corrida do ano, desta vez na Espanha, e voltou a comemorar um triunfo nos Estados Unidos, quatro provas depois. Naquela mesma corrida, para minimizar a tristeza brasileira pela eliminação para a França no Mundial do México, o piloto pegou a bandeira brasileira e a carregou dentro do cockpit após vencer a corrida - um gesto imortalizado.

1987
Mantendo a média dos últimos anos, Senna conquistou duas vitórias com a Lotus na temporada de 1987 da F1, em Mônaco e Estados Unidos, e fechou sua participação em terceiro lugar, atrás do inglês Nigel Mansell e do campeão Piquet. O brasileiro chegou a liderar o Mundial de Pilotos e iniciou ali um longo relacionamento com a Honda, fornecedora de motores da Lotus e posteriormente da McLaren.

Com propostas para deixar a Lotus, Senna aceitou o desafio de ser colega de equipe de Prost na McLaren, mas desde que tivesse as mesmas condições do francês, hoje tetracampeão mundial de F1, e contasse com um carro capaz de ganhar títulos. As exigências surtiram efeito logo na temporada seguinte.

1988
A trajetória de Senna na McLaren começou bem, cravando a pole para o GP do Brasil de 1988, mas sem conseguir fechar a prova após ser desclassificado. A primeira vitória, porém, veio logo na corrida seguinte, em San Marino, e outras cinco vieram até a decisão em Suzuka.

Disputando o título ponto a ponto com Prost, Senna levou a melhor na disputa com o francês no GP do Japão. Naquela corrida, o brasileiro, pole, teve problemas na largada e caiu para a 14ª posição. Em uma prova de recuperação memorável, Senna ultrapassou todos os seus rivais até chegar ao colega de equipe, então líder da disputa, e também deixá-lo para trás, garantindo seu primeiro título na F1 de forma antecipada.

1989
A segunda temporada de Senna na McLaren desencadeou uma das principais rivalidades da história da F1, envolvendo ele e Prost. Depois que o brasileiro ultrapassou o rival e ficou com a vitória no GP de San Marino, enquanto havia um "pacto" para que um evitasse passar o outro, por questões de segurança, a "guerra interna" ganhou proporções ainda maiores.

O estopim desse duelo particular foi, mais uma vez, no GP do Japão. Em vantagem no Mundial de Pilotos, Prost jogou seu carro em cima de Senna para forçar um duplo abandono, mas o brasileiro conseguiu voltar à prova e cruzou a linha de chegada em primeiro. Sua vitória, porém, foi anulada pela Fisa (atual FIA), à época dirigida por seu desafeto Jean Marie Balestre, e o título ficou nas mãos de Prost.

1990
Passada a polêmica decisão do GP de Suzuka do ano anterior, Senna iniciou a temporada de 1990 na McLaren com o austríaco Gehard Berger como colega de equipe. Atual campeão, Prost trocou a equipe inglesa pela Ferrari para formar dupla com o inglês Nigel Mansell.

Com um bom início - apesar do terceiro lugar no GP do Brasil, depois de largar na pole e ser atrapalhado pelo japonês Satoru Nakajima -, Senna chegou ao final da temporada em Suzuka brigando pelo título com Prost, assim como nos anos anteriores. Desta vez, porém, foi o brasileiro - em vantagem na classificação - quem causou um acidente com o francês, os dois saíram da prova e o bicampeonato ficou com Senna.

1991
Um ínicio de temporada arrasador em 1991 deu mostras de que Senna estava pronto para se tornar tricampeão mundial de F1. Quatro triunfos, incluindo o primeiro no Brasil - o primeiro do País desde que Piquet venceu em 1986 -, deixaram o piloto da McLaren em vantagem na liderança do Mundial de Construtores.

Em Interlagos, Senna fez história ao terminar apenas com a primeira e a sexta marcha nas últimas voltas. Por causa do enorme esforço, o piloto precisou de ajuda para deixar o carro no final da corrida e, emocionado, virou com apenas uma das mão o champagne no alto do pódio. Guiando a Williams, Mansell se destacou a partir do meio da temporada, mas Senna voltou a brilhar no Japão e assegurou o seu terceiro título mundial. No GP de Suzuka, a McLaren fez um belo jogo de equipe. Berger largou em primeiro, com o brasileiro em segundo e Mansell, que chegou a abandonar a prova, em terceiro. Senna chegou a liderar a prova, mas cedeu sua posição a Berger nos metros finais como forma de agradecê-lo pela ajuda na conquista do tri.

1992
Com os motores Honda em decadência, a McLaren de Senna não conseguiu acompanhar a arrasadora Williams, com seus propulsores da Renault, e o brasileiro viu Mansell liderar a temporada de 1992 de ponta a ponta, com direito a nove vitórias no ano e outros três pódios.

Diante do cenário pouco competitivo, restou a Senna ficar com o quarto lugar no Mundial de Pilotos, atrás do então jovem promissor Michael Schumacher. O brasileiro, ao menos, somou três vitórias: Canadá, Hungria e Itália.

1993
A rivalidade entre Senna e Prost voltou a dominar a F1, com o brasileiro na McLaren e o francês na Williams. Senna poderia até ter trocado de equipe antes da temporada, mas a Renault já tinha um contrato com Prost e ele "vetou" uma possível contratação do brasileiro para ser seu colega de equipe na Williams.

Com carros diferentes, Senna e Prost brigaram pelo título e o francês acabou levando a melhor - e também deixando a Williams logo depois de ser campeão. A decisão abriu caminho para o acerto entre Senna e Williams, antes de o brasileiro somar mais cinco vitórias - uma delas histórica, em Interlagos, quando ele largou em terceiro, na chuva, e "driblou" o inglês Damon Hill para ficar com a vitória, comemorada pelos fãs que o carregaram ainda na pista.

Outra vitória marcante naquele ano foi em Donington Park, onde, debaixo sob forte chuva e pista extremamente escorrregadia, fez uma das melhores "primeiras voltas" de um piloto na história da F1. Na Austrália, Senna despediu-se da McLaren com uma vitória e, no pódio, fez as pazes com Prost ao puxar o tetracampeão, segundo na corrida, para ficar ao seu lado no ponto mais alto.

1994
Contratado pela melhor equipe da F1 na época, a Williams, agora sem Prost, Senna entrou para a disputa da temporada de 1994 como grande favorito ao título. As duas primeiras corridas, porém, foram ruins para o brasileiro, uma delas em Interlagos, quando ele abandonou a prova após cometer um erro quando tentava se aproximar de um novo rival, Schumacher. Na etapa seguida, em Aida, Senna abandonou ao ser tocado na largada e viu o alemão da Benetton abrir 20 pontos.

O GP de San Marino, em Ímola, terceira prova da temporada de 2009, ficaria marcada na lembrança dos brasileiros. E de quem gosta do esporte e teme pela segurança dos pilotos, já que, nos treinos de sexta-feira, Rubens Barrichello bateu forte e foi impedido de correr, enquanto, no sábado, o austríaco Roland Ratzenberger morreu após um terrível acidente no treino classificatório.

Mesmo com a tragédia, os carros alinharam no grid de Ímola no dia 1º de maio de 1994. Cabisbaixo antes da corrida, Senna foi à pista como os demais pilotos e guiou sua Williams até a curva Tamburello, quando bateu forte e morreu. Naquele momento, o Brasil parou para acompanhar o fim de um ciclo na F1.

Redação Terra
 
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