Perto da F1, Di Grassi diz que Nelsinho o vê como rival

05 de julho de 2009 • 11h54 • atualizado às 11h56
Lucas Di Grassi venceu na Turquia, pela GP2, e vive expectativa de ingressar na F1 Foto: GP2 Media/Divulgação
Lucas Di Grassi venceu na Turquia, pela GP2, e vive expectativa de ingressar na F1
03 de julho de 2009
Foto: GP2 Media/Divulgação

Diego Ribeiro




O piloto brasileiro Lucas Di Grassi convive com inúmeras especulações a respeito de seu provável futuro na Fórmula 1. No entanto, ele garante estar concentrado na disputa da GP2, principalmente depois de uma vitória (na Turquia) e uma segunda posição (na Inglaterra) nas duas últimas corridas. O brasileiro ocupa a quinta posição na tabela de pilotos, com 24 pontos, 16 a menos do que o líder Romain Grosjean.

Apesar de não admitir abertamente, Di Grassi já vislumbra o ano de 2010, que pode marcar de vez sua estreia na F1. Sua chegada à categoria ficou perto de acontecer no início deste ano, depois de testes na Honda. Além disso, quase substituiu Nelsinho Piquet na Renault, equipe em que já era piloto de testes. Essa possibilidade, inclusive, causou o descontentamento de Nelsinho, que criticou o rival no final do ano passado e causou mal estar entre os dois.

Em entrevista ao Terra, Lucas Di Grassi falou de sua temporada na GP2, as expectativas para a próxima temporada e a "conturbada" relação com Nelsinho Piquet.

Confira a íntegra da entrevista com Lucas Di Grassi:

Terra - Em quinto lugar no campeonato, você está meio frustrado com as dificuldades nesse início de temporada na GP2? Acredita em uma virada nas próximas etapas?
Lucas Di Grassi - Frustrado eu não estou. Meu trabalho está sendo bem feito, mas tivemos vários problemas mecânicos no carro, principalmente na primeira etapa (na Espanha). Nas duas últimas corridas tive uma primeira e uma segunda posição e já estou bem satisfeito com a performance atual do carro. Temos totais capacidades de chegar ao final do ano disputando o título e - quem sabe? - ser campeão. O começo não foi como eu queria, mas estamos trabalhando ainda mais do que no começo, para deixar o carro em ordem na sequência da temporada.

Terra - Como estão as negociações para a temporada 2010 da F1? A Campos Racing é a equipe da qual você está mais próximo (correu pelo time em 2008 na GP2)?
Di Grassi - Não tem uma equipe mais próxima. Claro que tenho um bom contato com a Campos, mas também tem a Manor e outras equipes com quem tenho uma relação. Ainda não há nada definido, por isso prefiro voltar meu foco para a GP2 e depois da temporada começar a resolver esses assuntos.

Terra - Como é o seu relacionamento com Nelsinho Piquet? Você acha que a pressão por resultados o tornou uma pessoa mais "amarga" nas declarações?
Di Grassi - É um relacionamento normal, sem problemas. Só que ele me vê como um possivel adversário no futuro na F1, na disputa de uma vaga, e por isso temos uma competitividade muito grande nesse sentido. Ele acaba sendo pressionado por conta dessa competição e tem de saber lidar bem com isso. Mas no momento nem me preocupo com isso.

Terra - Você trabalhou por muitos anos na Renault. Por que a equipe caiu tanto nos últimos anos?
Di Grassi - A Renault foi campeã em 2005 e 2006. Mas aí as regras mudam, complica um pouco. Também saiu a Michelin (fabricante de pneus), que fazia o carro trabalhar melhor. Mas o pessoal que está lá é o mesmo que foi campeão com o (Fernando) Alonso, eles são muito bons e estão trabalhando para retomar o melhor ajuste do carro. Meu relacionamento com os mecânicos e funcionários é muito bom, e acredito na competência deles.

Terra - Se um acordo com a F1 não sair em 2010, a Fórmula Indy seria uma alternativa?
Di Grassi - No momento não penso na Indy. Claro que é uma hipótese, ainda mais quando vemos pilotos brasileiros muito bem lá, principalmente o Helinho (Castroneves, atual vencedor das 500 Milhas de Indianápolis). É uma categoria muito grande, por isso nunca pode ser descartada.

Terra - Você acha que o Brasil terá problemas em ter novos talentos nos monopostos nos próximos anos? As categorias de base praticamente desapareceram e muita gente migrou para a Stock Car sem ter tido uma chance de evoluir em categorias como F3, F3000, GP2.
Di Grassi - Já está bem difícil de revelar novos talentos para a F1, e creio que isso se agrave no futuro. As categorias de base e o Kart já não existem mais ou não têm a mesma força de antigamente. A Fórmula Renault, que eu disputei, já não existe mais. Alguém precisaria renovar essas categorias urgentemente, caso contrário a fonte de bons pilotos vai acabar secando.

Terra - Qual a pista que você mais curte correr e a que mais detesta na temporada da GP2?
Di Grassi - Não tenho problemas com nenhuma pista. Mas uma que eu gosto muito é a da Turquia, sempre vou bem lá e dou sorte. A pista de Spa (na Bélgica) também é muito legal. Já outras pistas são mais sem graça, como a da Hungria, que é mais de baixa velocidade, sem muitas retas. Nessas eu não faço tanta questão de guiar (risos). Mas é o meu trabalho, tenho que me esforçar da mesma forma em todas as pistas.

Terra - Como você avalia essa temporada da F1? O Button já levou?
Di Grassi - Tem muita chance de o Button levar. Só um grande problema, ou azar, pode fazer com que ele não ganhe o campeonato. Mas, ao mesmo tempo, a Red Bull melhorou muito e evoluiu mais do que a Brawn. Nessa próxima corrida vai ficar bem mais clara a situação, em relação à situação das equipes inclusive. Mas acho que o ano é do Button.

Terra
 
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