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À exceção de Rubinho, brasileiros têm ano para esquecer na F1

14 nov 2010
13h07
atualizado às 13h42

A temporada 2010 da Fórmula 1 terminou neste domingo em Abu Dhabi, consagrando o novo campeão Sebastian Vettel. No entanto, para os quatro pilotos brasileiros que disputaram a categoria neste ano, o calendário representou bem menos que a briga por títulos e vitórias. Foram, sem dúvida, 19 corridas de pouco brilho para Felipe Massa, Rubens Barrichello, Lucas di Grassi e Bruno Senna.

Pilotos do Brasil que disputam a F1 chegam quase sempre cercados de expectativas. E não foi diferente com cada um do quarteto. Porém, diante de rivais quase sempre melhor equipados, o quarteto nacional fez participações apagadas, diferente do que se viu em 2009.

Felipe Massa foi o exemplo disso. Único piloto sem vitórias no ano dentre os integrantes das três principais equipes de 2010, o brasileiro da Ferrari terminou o ano brigando apenas para manter sua sexta posição no Mundial de pilotos, ameaçado pelo polonês Robert Kubica (Renault) e pelo alemão Nico Rosberg (Mercedes). Seu companheiro Fernando Alonso, com cinco pódios seguidos entre os GPs de Itália e Brasil, ressurgiu na briga pelo campeonato e levou a decisão do título - que era dado com certo para Mark Webber ou Sebastian Vettel - para a última prova do ano. Acabou vice-campeão.

Sem vencer uma corrida desde o GP do Brasil de 2008, Massa ainda conviveu com um fantasma comum à Ferrari: o favorecimento de um dos pilotos da escuderia vermelha. A partir da fatídica ordem dada por rádio no GP da Alemanha, quando cedeu o primeiro lugar a Alonso, Massa percebeu logo que haveria dois pesos e duas medidas no tratamento da equipe com seus contratados. Passou a ser escudeiro, e a campanha do ano se apagou logo. Por fim, só garantiu o sexto lugar do ano por dois pontos: 144, contra 142 de Rosberg.

Rubens Barrichello talvez seja uma exceção. Apesar do surpreendente resultado de 2009 com a Brawn GP, quando venceu duas corridas e foi terceiro na temporada, Barrichello certamente não esperava brigar por vitórias quando acertou sua ida para a Williams. E, de fato, a tradicional escuderia de Sir Frank Williams pouco pôde fazer em 2010, quando andou sempre no meio do grid.

Mesmo assim, Rubens Barrichello esteve próximo de atingir as expectativas permitidas pela equipe. Presença constante no Q3 dos treinos de classificação, o brasileiro levou a melhor com sobras sobre seu companheiro de equipe, o alemão Nico Hulkenberg. Porém, acabou ofuscado por Hulkenberg justamente no melhor momento do time no ano: a pole position no GP do Brasil - situação parecida com a que viveu na Stewart em 1999, quando era superior a Johnny Herbert e viu seu companheiro vencer o GP da Europa.

No fim do grid, Lucas di Grassi e Bruno Senna chegavam à Fórmula 1 com expectativas particulares. Di Grassi, por exemplo, estreou respaldado pelos bons resultados nas categorias de acesso - foi vencedor no GP de Macau de Fórmula 3 em 2005, vice-campeão da GP2 em 2006 e terceiro na mesma categoria em 2007 e 2008.

Ex-piloto de testes da Renault, o paulista ainda contava com o investimento de Richard Branson, que fortaleceu sua imagem ao se envolver com a Brawn GP em 2009 e que assumiu a Manor Grand Prix para transformá-la em Virgin. Tudo muito bom, mas a falta de testes no carro - todo concebido por computador - fez com que Di Grassi tivesse como melhor resultado no ano o 14° lugar na Malásia. Pior: tem sua vaga para 2011 ameaçada por pilotos como Jérôme d'Ambrosio e Giedo van der Garde.

Mas em matéria de expectativa, ninguém lidou tanto com isso quanto Bruno Senna. Vice-campeão da GP2 em 2008, o sobrinho de Ayrton Senna esteve cotado para correr na Fórmula 1 em 2009 por equipes como Honda (que acabou dando lugar à Brawn GP) e Toro Rosso. Não acertou, foi correr em carros de turismo e só conseguiu uma chance em 2010, graças à novata espanhola Campos Meta.

Mas a equipe, sem condições, foi vendida a José Ramón Carabante antes mesmo da primeira corrida do ano, e acabou estreando como Hispania. Com um carro feito em cima da hora e praticamente sem patrocinadores, o time acostumou-se a ver seus pilotos na última fila do grid de largada. Aí, tudo que Bruno conseguiu foi disputar 18 das 19 corridas do ano (ficou de fora no GP da Inglaterra, substituído por Sakon Yamamoto) e cruzar em 14° a linha de chegada da conturbada prova da Coreia do Sul.

Mas 2010 já é página virada para o quarteto brasileiro da Fórmula 1, que precisa pensar agora pensar no futuro. E da lista, o único que tem vaga assegurada é Felipe Massa, que conta com a promessa do chefe de equipe da Ferrari, Stefano Domenicali, de uma disputa interna mais equilibrada em 2011.

Barrichello, por sua vez, pode ficar sem sua vaga na Williams. A equipe perdeu seus principais patrocinadores após 2010, e depende da injeção de verba para ser minimamente competitiva. Aí, quem pode ganhar uma chance é o venezuelano Pastor Maldonado, que chega forte com o apoio da petrolífera PDVSA para tentar um lugar na Fórmula 1. Sem dúvidas, Maldonado chega para brigar com Barrichello e Hulkenberg por um lugar.

A situação é parecida com a de Di Grassi. Em São Paulo, antes do GP do Brasil, o piloto disse em entrevista coletiva que conta com o apoio da Virgin para continuar ao lado de Timo Glock no próximo ano. Mesmo assim, sabe que um piloto com um patrocínio forte pode roubar seu espaço, o que pode levá-lo a ocupar um posto de piloto de testes de qualquer outra escuderia.

Bruno Senna, por sua vez, busca um futuro - de preferência, longe da Hispania. A possibilidade mais forte é que ele corra pela Lotus, na qual Jarno Trulli deve se aposentar. O time promete vir melhor ano que vem, com motores Renault e parceria técnica com a Red Bull. Porém, em meio à crise da equipe Renault, o time malaio ainda pode ter novo destino: virar a Air Asia e beneficiar a escuderia franco-luxemburguesa, que passaria a ser a Renault Lotus.

Di Grassi, Barrichello, Massa e Bruno: brasileiros fizeram ano apagado na F1
Di Grassi, Barrichello, Massa e Bruno: brasileiros fizeram ano apagado na F1
Foto: Reuters
Fonte: Redação Terra
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