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‘Homem de gelo’ não é tão frio assim, diz família de Raikkonen | F1 Onboard
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‘Homem de gelo’ não é tão frio assim, diz família de Raikkonen

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Qual o segredo de um piloto conhecido pelo apelido de ‘homem de gelo’, que vence provas e parece nem se importar com o resultado, que derrotou Felipe Massa na disputa pelo Mundial de 2007, que depois disso simplesmente abandonou a Fórmula 1, pois estava de “saco cheio”? O que explica o fato de Kimi Raikkonen, que tem todas as características típicas de um anti-herói, ter tantos fãs no Brasil e no mundo? A Lotus entrevistou familiares e amigos próximos do finlandês atrás desta resposta. O homem que eles descrevem vai muito além do piloto, é um competidor nato, focado, “boa gente” e nem tão gelado assim como dizem.

O ‘homem de gelo’ é carismático justamente por parecer não ter carisma algum. Uma espécie de patinho feio da Fórmula 1, um mundo repleto de glamour, onde o mais importante é quem está ao seu lado e quem você aparenta ser, não quem realmente você é. A magia de Raikkonen é deixar todo o resto de lado quando entra em seu carro. E o mais importante: ele também deixa tudo de lado quando sai dele. Além disso, é o personagem de momentos épicos fora das pistas.

O apelido 'homem de gelo' foi dado por Ron Dennis; Raikkonen correu 5 anos pela McLaren

Como não lembrar dos vídeos que Raikkonen já estrelou, disponíveis no YouTube? Em um deles, o finlandês, que estava cambaleando e certamente não conseguiria ‘fazer o 4′ com as pernas, tamanho o ‘fogo’ que deve ter tomado, cai de cabeça do alto de um iate, após arremessar algo para longe. Em outro vídeo famoso, Kimi tenta desviar, mas “atropela” uma pequena criança asiática enquanto caminhava apressadamente na área interna de um circuito. Uma mulher, possivelmente a mãe dela, pede um autógrafo ao piloto, mas logo desiste ao perceber que a filha ficou estatelada no chão após o choque, chorando. O então piloto da Ferrari percebe a situação, mas finge que não é com ele e segue o seu caminho.

Nas pistas, o estilo guerreiro de Raikkonen conquistou muito fãs brasileiros. O estranho é que todo o rival de um piloto nacional geralmente assume a fama de vilão, muitas vezes criada e constantemente reafirmada pela transmissão patriótica da Rede Globo. Foi assim com Nigel Mansell, Alain Prost, Michael Schumacher, Fernando Alonso, entre outros. Kimi jamais fez parte do “lado negro da força”. Se fora do cockpit ele tem fama de gelado, dentro dele seu estilo é muito quente. O finlandês parece assumir uma alma latino-americana, agressiva e calculista, o que talvez explique o fato de tanta torcida por estas bandas.

Kimi Raikkonen celebra vitória no GP do Brasil e o improvável título do Mundial em 2007

Do quebra-cabeça ao kart: competição é tudo para Kimi

A mãe do finlandês, Paula, disse que nada deixa o filho bravo, triste ou feliz por mais de 15 minutos. A única situação que ela percebeu o contrário foi durante uma consulta médica, quando Kimi tinha 6 anos. O garoto foi colocado de lado para se divertir com brinquedos, enquanto sua mãe conversava com o doutor. Subitamente, ele começou a ficar muito agitado. O médico pensou que Kimi poderia ter algum problema de concentração.

“Era apenas um problema com os brinquedos. Naquela época, Kimi estava interessado em quebra-cabeças e sentiu que o que estava disponível para ele era muito fácil. Ele viu um quebra-cabeça para crianças mais velhas (de 10 a 15 anos) mas não conseguia alcançar. A assistente do médico se recusou a pegar o brinquedo e disse que era feito para crianças mais velhas, não para ele”, conta Paula. “Finalmente, ele conseguiu pegar o quebra-cabeça, colocou as peças no lugar e sorriu”, lembra a mãe. O doutor apenas riu, convencido de que a criança não tinha qualquer problema de concentração”.

O raro registro de um sorriso de Raikkonen em foto com a banda Kiss, no GP da Austrália

A brincadeira preferida certamente deve ter ajudado a desenvolver a concentração de Kimi, a principal característica de um piloto de corridas. O outro traço, a competitividade, foi percebido não muito depois por Paula: “desde pequeno, se eu quisesse que ele me ajudasse em alguma tarefa doméstica – como colocar o lixo para a rua – eu tinha de perguntar no modo oposto. Eu dizia para ele ‘você não vai tirar o lixo, vou fazer isto eu mesma’. Então, assim, ele fazia”.

Os pais só perceberam que aquele garoto concentrado e competitivo realmente tinha talento para as corridas quando Kimi tinha 10 anos. Nesta época, ele competia em uma classe júnior de karts na Finlândia. O pai de um dos pilotos, que tinha experiência como mecânico, que notou que aquela criança era especial. Ele disse que com aquela atitude e aquela velocidade, ele poderia chegar longe. Será que o homem imaginou o quão longe?

Raikkonen sobe lugar mais mais alto do pódio do Grande Prêmio da Austrália, neste ano

Rami Raikkonen descreve o famoso irmão como um dedicado membro da família, que gosta de ajudar e de estar perto. Kimi é padrinho de um dos filhos de Rami e constantemente presenteia os sobrinhos com todo o tipo de brinquedos de corridas. “Os garotos competem entre eles como eu competia com Kimi”, conta o irmão. “Nossa relação é muito normal. Nós conversamos quase toda semana, jogamos hóquei no gelo e fazemos alguns esportes juntos. Nós dois temos nosso próprio trabalho e isso toma tempo, especialmente para Kimi que viaja muito”.

Apesar das carreiras seguirem direções diferentes, Toni Vilandes, um experiente piloto de GT, é um dos melhores de Kimi. Os dois começaram juntos no kart e também foram companheiros no serviço militar. “Como corremos em lugares diferentes, não nos vemos muito, mas eu acho que a amizade é para sempre”, diz. Kimi também é padrinho do filho de Toni.

“Eu estava muito surpreso com a volta de Kimi. Quando ele parou, estava tão cansado da Fórmula 1 e vivia dizendo ‘nunca mais’. Eu acho que é uma boa coisa manter uma certa distância de tudo e fazer algo totalmente diferente, como correr de rally. É assim que o seu pensamento muda e você fica cada vez mais forte”, disse o amigo.

E você? O que acha de Kimi Raikkonen nas pistas e fora delas?

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Marcos Chavarria Marcos Chavarria

Marcos Chavarria

Marcos Chavarria é jornalista do Terra. Já trabalhou nos jornais Zero Hora e Diário Gaúcho, do grupo RBS. É apaixonado pelo circo da Fórmula 1 desde que se entende por gente.



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