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Última vitória de Ayrton Senna na F1 completa 20 anos; relembre a prova

7 nov 2013
08h13
atualizado às 11h08
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Quando se despediu da McLaren no Grande Prêmio da Austrália de 1993, Ayrton Senna causou grande alvoroço na Fórmula 1. Afinal, após seis vitoriosos anos pela equipe, estava de malas prontas para a Williams, que dominara as duas últimas temporadas da categoria. Sem poder brigar pelo título em seu último ano de vida, Ayrton Senna certamente não sabia, mas aquela prova na Austrália representou a última vitória de sua carreira. A data: 7 de novembro de 1993, exatos 20 anos atrás.

<p>Vitória na Austrália encerrou parceria de Senna com McLaren; foi a última do brasileiro na Fórmula 1</p>
Vitória na Austrália encerrou parceria de Senna com McLaren; foi a última do brasileiro na Fórmula 1
Foto: AFP

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Na foi um ano dos mais competitivos. Nas 15 primeiras corridas da temporada, que teve 16, a Williams conquistou a pole position em todas – foram 13 de Alain Prost e duas de Damon Hill. Campeão da temporada com duas etapas de antecedência, Prost deixou a F1 no fim daquele ano com o quarto título. Ayrton Senna então herdaria sua vaga na Williams.

<p>Com um carro menos competitivo que as Williams, Senna venceu o GP do Japão (foto) antes de chegar à Austrália; em Sydney, foi pole e venceu pela última vez na carreira</p>
Com um carro menos competitivo que as Williams, Senna venceu o GP do Japão (foto) antes de chegar à Austrália; em Sydney, foi pole e venceu pela última vez na carreira
Foto: Getty Images

A impressão que o brasileiro deixou antes da troca de equipe foi bastante positiva. Além de vencer a corrida no Japão, penúltima etapa do ano, Senna ainda rompeu a hegemonia da Williams ao conquistar a pole position em Adelaide. Era a primeira vez em 17 meses que Senna largaria do primeiro lugar do grid de largada, desde o GP do Canadá de 1992. De quebra, ainda encerrava a sequência de 24 pole positions do time de Frank Williams.

Com o tempo de 1min13s371, Senna abriu o grid de largada, à frente de Prost (1min13s807) e Hill (1min13s826). O jovem Michael Schumacher, da Benetton, ainda ameaçou o brasileiro nos minutos finais do Q1 (no antigo sistema de qualificação, divididos em dois treinos com todos os pilotos), mas conseguiu apenas o quarto lugar: 1min14s098. Terceiro no Q1, Schumacher foi superado por Hill no Q2.

Ao fim da primeira parte do treino, que lhe valeria a pole position posteriormente, Ayrton Senna conversou com repórteres da BBC na pista. “Tivemos um dia livre de problemas”, disse, com a fala pausada, aparentando cansaço. “Tive um desempenho muito bom. Houve uma pequena confusão no rádio: em minhas últimas voltas rápidas, achei que era hora de voltar para os boxes, não tinha certeza. Chamei a equipe pelo rádio, mas não obtive resposta”, completou, admitindo que não se concentrou como deveria na última volta lançada.

O começo da prova no dia seguinte (domingo, 7) foi dos mais tumultuados. Na primeira tentativa, o motor da Tyrrell de Ukyo Katayama (18º do grid da largada) apagou, provocando uma nova largada. O japonês acabou no fim do grid, provocando uma discussão acalorada entre Ken Tyrrell, chefe da equipe, com a direção de prova. Na segunda largada, Eddie Irvine teve problemas. Foi só na terceira vez que os carros conseguiram sair para 79 voltas.

<p>Prova na Austrália teve largada tumultuada, mas estratégia da McLaren levou Ayrton Senna à vitória tranquila; dupla da Williams completou o pódio</p>
Prova na Austrália teve largada tumultuada, mas estratégia da McLaren levou Ayrton Senna à vitória tranquila; dupla da Williams completou o pódio
Foto: AFP

Quando a corrida começou, Senna protegeu bem a posição e segurou atrás dele Alain Prost (Williams), Damon Hill (Williams), Michael Schumacher (Benetton), Gerhard Berger (Ferrari), Martin Brundle (Ligier), Jean Alesi (Ferrari) e Mika Hakkinen (McLaren). Tocado por Katayama, o português Pedro Lamy (Lotus) rodou na primeira volta. Rubens Barrichello, que largara em 13º com a Jordan, escapou da batida pela grama e caiu para 18º.

O brasileiro logo abriria alguma vantagem na liderança, enquanto Prost, Hill e Schumacher seguiam próximos entre si. Na oitava volta, o alemão ultrapassou Hill e começou a atacar Prost. O jovem da Benetton também parou nos boxes na volta 15, mas abandonou pouco depois com problemas de motor. Senna e Prost então passaram a disputar entre si as duas primeiras posições, com vantagem para o tricampeão sobre o tetracampeão.

Graças à estratégia da McLaren para a prova, adiando o segundo pit stop de Senna, o brasileiro conseguiu uma vantagem grande da primeira posição. Assim, conduziu sem dificuldades até o final da prova, deixando a dupla da Williams nos degraus laterais do pódio. Alesi, Berger e Brundle completaram a zona de pontuação, então restrita aos seis primeiros. Rubens Barrichello foi o 11º. Na última curva, a Mistral, Ayrton Senna diminuiu a velocidade e passou rente ao muro à direita para receber os cumprimentos. Na pista, desfilou levantando os braços, levantando a bandeira do Brasil com a mão esquerda.

Era o fim de uma trajetória de sucesso do brasileiro na McLaren: 96 corridas, 35 vitórias. Com os 10 pontos somados em Adelaide, palco de sua quinta vitória no ano, Senna chegava a 73 e conquistava o vice-campeonato, à frente dos 69 de Damon Hill. Era o adeus à vitoriosa parceria, na mesma prova em que Alain Prost, Riccardo Patrese e Derek Warwick deixavam a Fórmula 1. Mais do que isso, era o marco do início de uma nova fase na F1: a ida de Senna para a Williams, com a qual ele tinha contrato de dois anos, surgindo como favorito para destruir recordes.

Foi o que deixou claro Galvão Bueno, narrador da Rede Globo, durante o fim da transmissão daquela prova para o Brasil. “E o que ele (Ayrton) deve estar satisfeito... Não deixou o Prost sair da Fórmula 1 com uma vitória. Tem agora dez vitórias a menos que Prost (51 a 41), pelo menos dois anos de contrato com a Williams. Tem tudo para, na sequência de sua carreira, não só conquistar mais títulos mundiais, como bater o recorde absoluto de vitorias”, narrou na época. Senna já era o detentor de pole positions na F1, com 62, contra 33 de Jim Clark.

<p>Transferência para a Williams depois de seis anos de McLaren gerava expectativa em torno de quebra de recordes de vitórias e títulos na Fórmula 1</p>
Transferência para a Williams depois de seis anos de McLaren gerava expectativa em torno de quebra de recordes de vitórias e títulos na Fórmula 1
Foto: Getty Images

Recebido por Ron Dennis (então chefe de equipe da McLaren), Senna foi abraçado no parque fechado. O brasileiro ainda cumprimentou de maneira breve Damon Hill, que viria a ser seu companheiro em 1994. Depois, apertou a mão de Prost e deu dois tapinhas nas costas do francês. Abraçou Jo Ramirez, então seu mecânico-chefe, e subiu ao pódio. No topo do pódio, o Hino Nacional tocou – o que só voltaria a acontecer em 30 de julho de 2000, com Rubens Barrichello (Ferrari) no GP da Alemanha. Na festa, Senna cumprimentou os rivais da Williams, trazendo Prost para festejar no degrau do primeiro lugar.

As previsões para Senna na Williams, porém, não se concretizaram. Nas três primeiras provas do ano (Brasil, Pacífico e San Marino), o brasileiro largou na pole position e aumentou ainda mais seu domínio no critério (65 na carreira). Porém, em 1º de maio de 1994, não resistiu ao acidente no Autódromo de Ímola, deixando no automobilismo brasileiro uma marca que, duas décadas depois, ainda não foi apagada.

Confira o resultado oficial do Grande Prêmio da Austrália de 1993:

Posição Piloto País Equipe Tempo
1 Ayrton Senna BRA McLaren Ford 1h43min27s476 (79 voltas)
2 Alain Prost FRA Williams Renault + 9s259
3 Damon Hill GBR Williams Renault +33s902
4 Jean Alesi FRA Ferrari + 1 volta
5 Gerhard Berger AUT Ferrari + 1 volta
6 Martin Brundle GBR Ligier Renault + 1 volta
7 Aguri Suzuki JAP Footwork Mugen-Honda + 1 volta
8 Riccardo Patrese ITA Benetton Ford + 2 voltas
9 Mark Blundell GBR Ligier Renault + 2 voltas
10 Derek Warwick GBR Footwork Mugen-Honda + 2 voltas
11 Rubens Barrichello BRA Jordan Hart + 3 voltas
12 Erik Comas FRA Larousse Lamborghini + 3 voltas
13 Andrea de Cesaris ITA Tyrrell Yamaha + 4 voltas
14 Toshio Suzuki JAP Larousse Lamborghini + 5 voltas
Abandono Karl Wendlinger AUT Sauber Ilmor  
Abandono J. J. Lehto FIN Sauber Ilmor  
Abandono Jean-Marc Gounon FRA Minardi Ford  
Abandono Mika Hakkinen FIN McLaren Ford  
Abandono Michael Schumacher ALE Benetton Ford  
Abandono Ukyo Katayama JAP Tyrrell Yamaha  
Abandono Eddie Irvine GBR Jordan Hart  
Abandono Johnny Herbert GBR Lotus Ford  
Abandono Pierluigi Martini ITA Minardi Ford  
Abandono Pedro Lamy POR Lotus Ford  
Fonte: Terra

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