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Algumas pessoas ficaram sem ar quando Flavio Briatore saiu das sombras e tomou seu lugar no palco iluminado no lançamento do novo carro da Renault para a temporada 2006 de Fórmula 1. Seu paletó azul escuro de borda creme, vestido por cima de um jeans gasto e camisa cor de rosa quase chamaram tanta atenção quanto o carro. Os repórteres, que se juntaram ao redor do diretor da equipe no Fórum Grimaldi, em Mônaco, na terça-feira, não paravam de perguntar. Onde ele conseguiu aquele paletó? E, mais ainda, quanto ele pagou por ele? Nunca na história dos lançamentos da Fórmula 1 um homem conseguiu tirar a atenção do real motivo de todos estarem naquele lugar: o novo carro. Para o jornal londrino Daily Telegraph, Briatore parecia em todos os aspectos um playboy de meia-idade. Não importando o que vista, Briatore tem sido o centro das atenções desde a bomba que a McLaren soltou antes do Natal ao anunciar que o campeão mundial Fernando Alonso se juntará à equipe em 2007, deixando a Renault após a temporada 2006. O espanhol é empresariado por Briatore, uma das mentes mais espertas dos paddocks e o homem que tirou o pouco conhecido Michael Schumacher das mãos de Eddie Jordan 15 anos atrás. Proprietário de boates exclusivas e sempre acompanhado das mulheres mais bonitas do mundo, Briatore normalmente não perde uma oportunidade. Nem é pego desprevenido. Apesar disso, ele disse saber tanto da perda de seu piloto quanto do preço de seu paletó. "Eu não sei, vocês precisam ligar para a minha loja. Honestamente, eu não sei sobre isso." SEM RESPOSTAS Mesmo que o lançamento de terça-feira não tenha deixado nenhuma dúvida de que a campeã Renault será uma séria candidata ao título desta temporada, algumas questões-chave ficaram sem resposta. "No momento em que fiquei responsável pela Renault, eu não tive qualquer envolvimento com nossa empresa de gerenciamento e Bruno Michel lidou completamente com isso", disse Briatore. "Eu não tenho que esclarecer nada. Eu não tomei parte na mudança de Alonso. Fernando assinou um contrato com alguma companhia e eu não tenho nenhuma parte atuante nessa companhia", acrescentou. "Fernando quer pilotar para a McLaren em 2007, ele fez uma boa escolha, isso é fantástico, eu estou muito feliz." A posição da Renault, equipe que venceu o campeonato de pilotos e construtores na temporada passada e cujo novo carro está começando a ser testado, parece mais sólida do que nunca, apesar da partida de seu principal piloto. Briatore não é o único que não é capaz ou que não quer falar a respeito do mistério que envolve a mudança de Alonso. O piloto estava menos disposto ainda. "Nós podemos falar sobre isso em outra coletiva de imprensa, mas não aqui", declarou Alonso. "Não é o momento certo. Acredito que será bom para esclarecer o que fizemos, qual é a motivação para este ano e qual é o alvo este ano." "Mas não acho que esse seja o momento certo para falar de todos esses detalhes." Então, como ele se sentiu a respeito do possível prejuízo que a Renault terá com o anúncio de sua partida com um ano de antecedência, com o time se preparando para alardear seu sucesso. "Nós podemos falar sobre isso tudo, mas não hoje", continuou o espanhol. "Eu faço o que devo fazer e todo mundo é livre para fazer qualquer coisa depois que termina uma relação com outro time." O que Briatore achou? "Isso é entre mim e Flavio." O que a Renault poderia ter feito para mantê-lo? "Isso é entre mim e a Renault." O presidente da equipe, Patrick Faure, que deixará o cargo no final do ano, também não foi capaz de esclarecer a questão, mas insistiu que Briatore não tinha culpa nenhuma. "Essa operação foi realizada sem o conhecimento do Flavio, que, na verdade, não ficou muito satisfeito," declarou. "Isto é absolutamente certo, por isso eu colocaria minha mão no fogo." E Briatore continua no comando.
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