Fórmula 1 - 2008

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Fórmula 1 - 2008

Segunda, 21 de julho de 2008, 13h24 Atualizada às 13h24

Vitoriosa, Mercedes impera na Fórmula 1

Entre as 10 equipes que disputaram o Grande Prêmio de Fórmula 1 da Alemanha, em Hockenheim, no último domingo, cinco das quais vinculadas a grandes montadoras de automóveis, nenhuma pode comemorar como a Mercedes. Em termos de realização, triunfo, controle sobre seu destino e custo/benefício em termos de vitórias obtidas, a Mercedes, com seus 40% de participação na equipe McLaren, é a mais consistente vencedora do grupo.

Mas embora a Mercedes tenha liderado a carga das grandes montadoras de automóveis à Fórmula 1, que se acentuou nos últimos 10 anos, e criado o modelo de negócios seguida por quase todas, ela é a única que não controla integralmente uma equipe - e é isso que deseja.

Ao correr em casa, no domingo, a Mercedes repetiu o sucesso obtido duas semanas atrás no GP da Inglaterra, vencido por Lewis Hamilton. Hamilton, líder do campeonato mundial de pilotos, repetiu a vitória na Alemanha. Seu companheiro de equipe, o finlandês Heikki Kovalainen, chegou em quinto na corrida e está em sexto no campeonato. No entanto, os dirigentes da Mercedes estão agudamente conscientes do fato de que uma outra montadora alemã, a BMW, ocupa o segundo posto no campeonato de construtores, depois de conquistar sua primeira vitória na Fórmula 1, em junho.

Ainda assim, Norbert Haug, o diretor de competições da Mercedes, diz não estar preocupado.

"Para nós, isso é bom", ele disse. "Temos duas marcas de automóvel de primeiro nível no país, e elas precisam se comportar com respeito em relação uma à outra. Por isso, respeitamos demais o que eles estão fazendo e realizando, e acredito que o mesmo possa ser dito sobre eles, quanto a nós".

De fato, Mario Theissen, que ocupa na BMW o mesmo posto que Haug ocupa na Mercedes, afirmou que havia sido exatamente o influxo de montadoras para a Fórmula 1 que havia convencido sua empresa a investir na categoria. E desde que a BMW venceu sua primeira corrida como proprietária de uma equipe - anteriormente ela fornecia motores à equipe Williams -, ele afirma que vencer torna as coisas ainda melhores.

"É diferente quando você tem a responsabilidade pelo pacote completo", disse Theissen. "A verdade é que o esforço de equipe vence provas, e nossos resultados são resultado de especial orgulho para todos os membros de nossa equipe".

Mas Michael Schmidt, jornalista da Auto Motor und Sport, uma revista alemã de automóveis, disse que a batalha entre as duas montadoras é realmente um assunto de interesse para os torcedores alemães do automobilismo. Já que a BMW controla integralmente sua equipe, disse ele, o público do automobilismo em seu país claramente gostaria de saber por que a Mercedes não mantém uma equipe própria.

O que vem preocupando essas duas montadoras, no entanto, é a realização conseguida por uma terceira empresa. Em 2005, a francesa Renault se tornou a primeira montadora de automóveis a conquistar o título de construtores com equipe própria, façanha que repetiu em 2006. Fernando Alonso, o piloto principal da equipe, ficou com o título de pilotos em ambos os anos.

Com a McLaren, a Mercedes conquistou o título de pilotos e o de construtores de 1998 e o de pilotos em 1999, mas a empresa está sedenta de vitórias próprias, ainda que Haug prefira apresentar uma visão mais moderada da situação.

"A questão é determinar nosso grau de sucesso", ele disse. "Não é de discutir que porcentagem da equipe nós controlamos. O importante é quantos pontos acumulamos no final de cada temporada. E até o momento nós conseguimos conquistar mais pontos por menos dinheiro - e isso é incomum para uma montadora de carros".

Desde que retornou ao esporte em 1993 - depois de ter abandonado as pistas em 1955 -, a Mercedes passou a concorrer nas pistas contra Renault, Toyota, Honda, BMW, Peugeot e Ford. Peugeot e Ford só ficaram na categoria por alguns anos, e não obtiveram sucesso. Excetuada a Peugeot, todas as demais montadoras compraram equipes na categoria. Uma notável exceção entre as equipes de montadoras é a da Ferrari, que em geral vende apenas carros esportivos de alto luxo.

Para muita gente na Alemanha, porém, a equipe McLaren Mercedes já é a equipe Mercedes.

"Na Alemanha, para os jornais diários, o nome McLaren não significa coisa alguma", afirma o jornalista Schmidt.

"Eles chegaram até a publicar uma reportagem dois ou três anos atrás, perguntando por que o hino nacional da Alemanha não era executado quando um piloto da Mercedes vencia", ele acrescentou, se referindo ao costume de executar o hino nacional do país de origem da equipe vencedora nas cerimônias de pódio.

Mas não será fácil para a Mercedes tomar o controle da McLaren. A equipe é a segunda mais antiga ainda em atividade e a segunda mais bem sucedida na história da Fórmula 1, superada apenas pela Ferrari, que disputa a categoria desde 1950.

A McLaren foi criada em 1966, e desde então já venceu oito títulos de construtores e 11 de pilotos. Ron Dennis, o diretor da equipe e um de seus acionistas, considera que seu papel na organização é defender e perpetuar essa herança.

Mas Martin Whitmarsh, presidente-executivo da McLaren Racing, confirmou que existem negociações em curso e que não podia negar a possibilidade de que a Mercedes venha um dia a assumir o controle total da equipe.

"Trata-se de uma questão interessante e de um dilema que os acionistas dessa empresa terão de enfrentar - e o mesmo se aplica em certa medida ao comando da organização nas pistas", disse. "Mas eu ficaria muito mais preocupado se a Mercedes não tivesse qualquer interesse em nos adquirir. Acredito que isso represente uma demonstração tangível do compromisso deles para conosco".

"Eles já realizaram sérios investimentos em suas empreitadas na Fórmula 1", acrescentou, "e o fato de que gostariam de tomar o controle da equipe representam um,a ambição saudável".

E no entanto a Mercedes também conta com uma das mais fortes heranças no mundo do automobilismo esportivo. Este mês, ela celebrou o centenário de sua primeira vitória em um Grande Prêmio, o de Dieppe, na França, em 7 de julho 1908.

Nos anos 30, a montadora dominava os grandes prêmios europeus. O Silver Arrows, lendário modelo de corrida da Mercedes, nasceu em 1934, ano em que o regulamento das provas européias de pista estipulava peso máximo de 750 quilos para o carro. Para atingir esse peso, a equipe removeu a pintura de seus carros. Devido à cor metálica de brilho baixo e ao chassis de alumínio, o modelo ganhou o nome de Silver Arrow flecha de prata.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a montadora retornou às pistas, e em 1954 e 1955 conquistou o título de pilotos com Juan Manuel Fangio, com um modelo uma vez mais denominado Silver Arrows. Mas a Mercedes optou por abandonar as pistas no final de 1955, depois que um de seus carros se envolveu em um acidente, em uma prova das 24 horas de Le Mans, no qual mais de 80 espectadores foram mortos.

A montadora voltou à Fórmula 1 em 1993, fornecendo motores à equipe suíça Sauber; a partir de 1995, começou a fornecê-los à McLaren. A tradição Silver Arrows voltou a ser adotada em 1997, quando os carros da equipe foram pintados de prateado.

Das 104 vitórias que a Mercedes conquistou em grandes prêmios desde 1908, 54 foram trabalho da McLaren Mercedes.

Além da pressão da Mercedes para tomar o controle da equipe, outro de seus objetivos - e esperança do público alemão - é que a equipe conte com um piloto da Alemanha. Ela tentou contratar Nico Rosberg, um jovem piloto nascido na Alemanha, à equipe Williams, no começo da temporada.

"Para o público, é o piloto que mais importa", disse Haug. "Mas não devemos subestimar os carros e as marcas, com suas fortes heranças".

"Fangio conquistou cinco campeonatos mundiais com diferentes carros", ele acrescentou. "Mas continua a ser identificado com o Mercedes Silver Arrow".

A BMW conta com o alemão Nick Heidfeld, mas ele ainda não venceu uma prova na categoria, depois de oito temporadas e meia. Hoje, existem cinco pilotos alemães na Fórmula 1, o maior total de todos os tempos, mas nenhum deles venceu, até agora.

"É claro que os alemães desejam um piloto do país na liderança", disse Rosberg. "Mas isso é complicado - ocupar esse vazio. Todos nós estamos nos esforçando ao máximo para fazê-lo, mas no momento é difícil".

Uma das chaves para a atual longevidade da Mercedes no esporte é seu esforço de atrair compradores mais jovens para seus carros de luxo. "A Mercedes conseguiu reverter sua imagem; tornou-se mais jovem, revigorada", disse Schmidt.

O envolvimento da empresa com a McLaren vai além das corridas. As duas produzem um esportivo de luxo, construído na fábrica da McLaren em Woking, Inglaterra. É um dos modelos de maior sucesso mundial na categoria, com 2,5 mil vendidos, em três versões diferentes, a preços superiores a 500 mil euros por unidade.

"Corridas são muito importantes para nós", disse Haug. "As corridas são a coisa mais importante, a Fórmula 1. Mas ter um esportivo como esse também ajuda a imagem. Cria muito entusiasmo da parte dos clientes, e isso é positivo".

Tradução de Paulo Migliacci ME

Herald Tribune

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