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Adrianinha condena troca de técnicos e aprova Janeth no comando

5 nov 2012
05h00
atualizado às 08h46

Medalha de bronze nas Olimpíadas de Sydney 2000, Adrianinha disputou todas as edições dos Jogos desde então. Uma das mais experientes no elenco que fracassou em Londres 2012, a armadora, 33 anos, condenou as seguidas trocas de técnico na Seleção Brasileira e disse aprovar a efetivação da ex-companheira Janeth no começo do ciclo do Rio de Janeiro 2016.

"Com certeza, essa troca prejudica bastante. Tem algumas seleções que antigamente a gente enfrentava sem tanto receio e agora já possuem uma filosofia de jogo, como o Canadá, por exemplo. Eu vejo ex-atletas que já enfrentei no banco de reservas dos nossos adversários. Fazer a Seleção ganhar uma cara, uma identidade é algo muito importante", disse Adrianinha, recém-contratada pelo Sport.

Nomeada por Carlos Nunes para dirigir as Seleções femininas da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) em maio de 2009, Hortência é a responsável pelas trocas constantes no comando. Para reconduzir Iziane à equipe, ela dispensou Paulo Bassul e contratou Carlos Colinas. Em seguida, o espanhol saiu e foi substituído por Ênio Vecchi, que por sua vez acabou trocado por Luiz Cláudio Tarallo.

Como exemplo, Adrianinha citou a Seleção masculina do Brasil. Contratado em janeiro de 2010, o argentino Rubén Magnano, que já renovou até 2016, levou o time nacional de volta aos Jogos Olímpicos e quebrou um jejum iniciado em Atlanta 1996 para terminar o torneio em Londres na quinta colocação. "No começo, o Magnano não conseguiu resultados tão expressivos, mas teve a chance de continuar o trabalho e fez bonito em Londres. A Seleção dele tinha uma cara. Já a gente fica sem identidade e isso atrapalha, porque uma Seleção não se monta da noite para o dia. Você precisa trabalhar para criar essa identidade com o passar do tempo", declarou a armadora.

Nos Jogos Olímpicos de Londres, Adrianinha encerrou sua trajetória com a camisa do Brasil, decisão que não cogita rever. Livre para opinar, a experiente armadora citou Janeth, ex-auxiliar técnica da Seleção, quando indagada sobre o trabalho de Luiz Cláudio Tarallo, que fez sua estreia no comando do time adulto logo na Inglaterra.

"Vou ser muito sincera. Em outras Seleções que participei, tinha a Janeth no banco de reservas. Senti um pouco de falta disso, porque é uma ex-atleta com quem tive o prazer de conviver e às vezes me entendia melhor, dava uns toques que eu precisava", disse Adrianinha, que classificou a convivência com Tarallo como "normal".

Na véspera dos Jogos Olímpicos de Londres-2012, a ala Iziane foi cortada por levar o namorado à concentração da Seleção Brasileira, atitude que surpreendeu a experiente armadora Adrianinha.

"A gente tem regras a seguir. Mesmo sendo das mais velhas, também levei umas broncas. Mas eu não esperava (um ato de indisciplina como o de Iziane), porque ela não é novata. Vai saber os motivos que levaram a isso", declarou.

Questionada se há clima para uma eventual volta da ala ao elenco do time nacional, Adrianinha preferiu se esquivar. "Ah, aí eu não sei. É difícil falar, porque essa decisão não cabe a mim", disse.

Questionada sobre a possível efetivação de Janeth como treinadora da Seleção principal, a armadora aprovou. "É uma ex-jogadora com uma grande carreira. Já participou de torneios com as Seleções de base e está amadurecendo como técnica. Por que não?", perguntou.

Em uma campanha sofrível na Inglaterra, a Seleção Brasileira foi derrotada por França, Rússia, Austrália e Canadá - a única vitória veio sobre a inexpressiva Grã-Bretanha. Chateada com sua despedida do time nacional, Adrianinha divide a responsabilidade pela decepção.

"É difícil criticar agora, já que todo mundo tem a sua parcela de culpa, da jogadora que jogou menos até a CBB. As atletas também são responsáveis, porque estávamos na quadra. As jogadoras, a CBB e a comissão técnica devem rever o que pode ser melhorado", afirmou.

Adrianinha lamentou a campanha realizada pela Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres
Adrianinha lamentou a campanha realizada pela Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres
Foto: AP
Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva

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