Organização foi criticada por não interromper partida entre Brasil e Croácia, vencida pelos brasileiros
Foto: AP
- SOLLY BOUSSIDAN
- Direto de Istambul (Turquia)
Se a quinta-feira foi de vitórias e tranquilidade para o Brasil no Mundial de Basquete masculino, o mesmo não pode ser dito para a organização do torneio disputado na Turquia. Dois incidentes ao longo do dia aqueceram os ânimos em Istambul.
Durante a partida entre EUA e Tunísia, um estudante ergueu na arquibancada uma grande faixa com os dizeres "não ao AKP!". O AKP é o partido governista de direita do atual primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan.
O partido convocou um referendo popular para o próximo dia 12 - mesmo dia da final do Mundial - para poder modificar a Constituição da Turquia.
Muitos analistas avaliam que as mudanças propostas visam diminuir o poder do Judiciário e dos militares do país, de modo a garantir a concentração e manutenção do poder pelo AKP e facilitar uma guinada mais ortodoxa a valores islâmicos em um país tradicionalmente secular.
As normas locais proíbem manifestações políticas como esta em locais de eventos esportivos. Policiais prenderam e retiraram o estudante da arena.
Para terminar o dia, logo no início da partida entre Brasil e Croácia, uma maleta metálica foi encontrada no sanitário masculino da zona mista. Como a Turquia ocasionalmente tem problemas com extremistas islâmicos e curdos, que já realizaram ataques no país, o sanitário e a zona mista foram interditados durante a primeira metade do jogo para assegurar que a maleta não continha explosivos.
A organização foi criticada por não interromper a partida e evacuar a arena até ter certeza de que o artefato não apresentava risco. Em quadra, a Seleção conseguiu facilmente frear o jogo da Croácia e abrir seu maior placar no torneio até o momento: 92 a 74.
Foi a primeira vez que o Brasil venceu uma seleção europeia em torneios internacionais desde 2002.
- Especial para Terra




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