Moncho Monsalve concede entrevista ao Terra na Turquia
Foto: Solly Boussidan/Especial para Terra
- Solly Boussidan
- Direto de Istambul (Turquia)
Técnico da Seleção Brasileira até janeiro deste ano, o espanhol Moncho Monsalve elogiou a qualidade dos jogadores e do técnico Rubén Magnano em entrevista exclusiva ao Terra em Istambul, mas lamentou o fato de a equipe seguir com desempenho irregular nos jogos do Mundial de Basquete.
Tricampeão da Liga Espanhola e quatro vezes campeão europeu quando atuava como jogador pelo Real Madrid, o experiente treinador foi técnico de diversos clubes europeus e das seleções nacionais da Suíça, da República Dominicana e do Marrocos.
Como comandante da Seleção, sagrou-se vitorioso na Copa América de Basquete de 2009, obtendo a classificação para o Mundial de Basquete de 2010, que ocorre agora na Turquia.
Confira a entrevista com Moncho Monsalve
Terra - O que está achando da atuação da Seleção Brasileira até o momento no Mundial da Turquia?
Moncho Monsalve - Creio que há grande talento e um grande técnico. Os jogadores, mentalmente, mudaram além alguns aspectos. Este não é o Brasil que perde de 10, 11 pontos e vai abaixo. Eles sempre creem. Acredito que o Brasil tem que pensar para o futuro urgentemente, e isso é um grande trabalho do Magnano. Trazer aqui o Raulzinho para ver, isso é muito importante. Temos que ter com claridade a posição três (ala). É algo descontínuo, mas creio que Marcus Vinícius tem que se adaptar a essa posição no futuro e daí, seguramente, Guilherme Giovannoni poderia jogar. Creio que na partida contra a Eslovênia foram dois matizes de jogos. Mas nos demais há tudo - talento, caráter, um bom grupo.
Terra - A Seleção Brasileira tem apresentado uma certa inconstância durante as partidas, com o aproveitamento decaindo ao longo do jogo de forma rápida, como ocorreu contra a Eslovênia. Qual a sua avaliação?
Moncho Monsalve - Esta é uma ótima reflexão e está realmente correta. No ano passado, em Porto Rico, tivemos 35 minutos fantásticos e no dia da final quase perdemos. Faz dois anos, no Pré-Olímpico de Atenas, fizemos fantásticos 25 minutos e depois a equipe perdeu. Isso, no entanto, nasce de um processo mental e físico, porque está claro que Tiago (Splitter) não está com 100% de condições - estou falando desse exato momento, em Istambul. O Anderson (Varejão), desafortunadamente, tampouco. O Marcelo Huertas está jogando 35 a 40 minutos - no basquete de hoje em dia isso não é possível. O Leandro quanto tem jogado? Entre 35 e 38 minutos também.
Por isso eu digo, no jogo contra a Eslovênia o Marcelo esteve maravilhoso e também vimos um processo fantástico do Guilherme (Giovannoni). No dia anterior, contra os Estados Unidos, Marcus Vinícius esteve fantástico, mas se perdeu no jogo contra a Eslovênia, sem saber se jogava na posição três ou na posição quatro (ala-pivô). Por isto, seguramente, este processo é mental e de continuidade. Eu chamo isso de pausa. Falávamos em pausa e equilíbrio. Mas a equipe está muito bem trabalhada. Com certeza estão fazendo um grande trabalho de reflexão, mas falta a eles a opinião que você tem e que muita gente tem. A equipe tem que ter mais continuidade.
Terra - E como alcançar esta continuidade?
Moncho - Para isso, eles precisam jogar partidas internacionais. Hoje em dia é muito difícil. Sei que é um processo difícil, pois hoje há grandes níveis da NBA, das ligas europeias, da nova liga do Brasil, das ligas com a Argentina. Como você sabe, temos um grande trabalho do Kouros (Monadjemi), da Liga Nacional de Basquete, mas o trabalho dos jovens é muito importante. Há alguns muito interessantes, que estão nos Estados Unidos e na equipe que jogou o Sul-Americano. É uma questão de organização e trabalho.
- Especial para Terra




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