Mundial Masculino de Basquete

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 Com euforia, turcos comemoram passagem para a decisão do Mundial
12 de setembro de 2010 08h36 atualizado às 15h38

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Em Istambul, torcedores comemoram vitória turca contra a Sérvia que classificou a seleção para a final do Mundial de Basquete. Foto: Solly Boussidan/Especial para Terra

Turcos fazem festa para o ônibus da seleção, após vitória contra a Sérvia
Foto: Solly Boussidan/Especial para Terra

Solly Boussidan
Direto de Istambul

Ensurdecedor. Esse é o melhor adjetivo para definir a sensação de se estar na Sinan Erdem Arena em Istambul na noite de sábado durante a histórica semifinal entre o time da casa e a Sérvia pelo Mundial Masculino de Basquete da Turquia.

A arena atingiu sua lotação máxima com 15 mil torcedores, em sua grande maioria turcos, vibrando com o desenlace da partida que definiria o país que disputa hoje (domingo) o título do campeonato contra os EUA.

Os fãs foram brindados com uma partida emocionante. A Sérvia liderou por pequena margem de pontos os primeiros três quartos da partida. Mesmo assim, a torcida local não se sentou e empurrou o time anfitrião adiante.

Com cornetas, buzinas, apitos e sirenes, os turcos transformaram a arena em uma festa vermelho-e-branca. Muitos aplausos, gritos, vaias para a Sérvia e canções típicas do país embalaram a partida, além do tradicional "Türkyie, oh, Türkyie!" ("Turquia, ó, Turquia", no idioma local).

Nada, porém, poderia preparar os presentes que marcaram os segundos finais da disputa. Durante o último quarto, a Turquia já havia conseguido eliminar a diferença e empatar com a Sérvia. Os adversários, entretanto, revezavam-se na liderança da partida por diferenças que variavam entre um e três tentos.

Os fãs estavam desesperados. O barulho na arena era proporcional a emoção da partida - estratosférico. A energia que a torcida transmitia ao time da casa era quase palpável. Quando finalmente parecia que a Turquia ganharia o jogo, a apenas segundos do término, uma bola de três pontos coloca novamente a Sérvia à frente e o pânico toma conta dos presentes.

O técnico da Turquia para o jogo. O que se ouve na Sinan Erdem é um atordoante coro puxado pela música oficial do torneio: "uh, ah, dev adam, oniki dev adam, uh, ah, hey, hey, hey". Durante um minuto inteiro o verso ecoa e reverbera, fazendo o ginásio inteiro balançar: 'uh, ah, homens gigantes, 12 homens gigantes, uh, ah, hey, hey, hey"!

Os jogadores da casa parecem reenergizados - "12 Gigantes" é o apelido da seleção turca. A partida recomeça e, pela primeira vez desde o início do jogo, o silêncio é absoluto, até que a Turquia volta a passar à frente. Delírio absoluto. Torcedores, voluntários e a imprensa turca urrando de pé. Alívio geral - que dura pouco.

A Sérvia volta a converter tiros livres em uma falta e a, mais uma vez, superar o time da Turquia. Restam apenas quatro eternos segundos para os já exaustos torcedores locais. O ala-armador Hidayet Türkoglu, o gigante mais famoso do time turco, pega a bola e quase erra o passe, que por muito pouco é salvo pelo companheiro Kerem Tunçeri, convertendo a bandeja e levando a Turquia a 83 tentos frente aos 82 da Sérvia.

Final de partida e de novo a canção sobre os "12 homens gigantes" é entoada - desta vez com a participação dos jogadores e comissão técnica que pulam em círculo no meio da quadra. A comemoração lembra mais a celebração do título do que a conquista da vaga na final. Talvez, o motivo de tanta festa seja a tensão dos 40 minutos de um jogo vibrante e disputadíssimo.

Os torcedores se abraçam na arquibancada. Mais impressionante ainda: os jornalistas turcos, abertamente convertidos em torcedores, festejam na tribuna de imprensa e abraçam os colegas estrangeiros enquanto pulam e gritam.

"Jogamos nossa partida mais importante. Havia 70 milhões de pessoas (número equivalente à população da Turquia) conosco. Nós lutamos e jogamos bem desde o começo do Mundial e estamos muito felizes. Todos jogaram como um time - não temos um jogador que faz 30 pontos sozinho. Um de nós faz 15 em cada partida e esse é o segredo de nosso sucesso", diz Tunçeri, logo após o jogo, ainda claramente emocionado.

"Nos últimos segundos você não escuta nem vê nada. Não sabe quem é quem. Meu foco era penetrar e fazer a cesta", explica o armador.

O gigante Türkoglu definiu bem a sensação do time ao falar com o Terra: "A torcida tem sido ótima neste Mundial e eu sei que amanhã vai ser uma loucura por causa da final. Acho que amanhã depois do jogo ninguém da torcida vai ter mais voz. Isso é o que nós queremos deles e esperamos poder recompensá-los com a medalha de ouro".

O time sai de quadra abraçado e a torcida começa a esvaziar a arena. Do lado de fora, a algazarra continua - alguns minutos mais tarde, quando o ônibus do time deixa o ginásio centenas de fãs com bandeiras cercam o veículo e começam a cantar.

De dentro do ônibus, os jogadores filmam com seus celulares e batem fotos dos fãs. Tünçeri pega então um megafone e puxa o coro: "uh, ah, dev adam"!

A festa, ao que parece, vai continuar noite adentro - e isso ainda nem foi a vitória final.

Redação Terra
  1. Em Istambul, torcedores comemoram vitória turca contra a Sérvia que classificou a seleção para a final do Mundial de Basquete

    Foto: Solly Boussidan/Especial para Terra

  2. A arena atingiu sua lotação máxima com 15.000 torcedores no jogo entre Turquia e Sérvia

    Foto: Solly Boussidan/Especial para Terra

  3. O time saiu de quadra abraçado e a torcida começou a esvaziar a arena. Do lado de fora, a algazarra continuou - alguns minutos mais tarde, quando o ônibus do time deixa o ginásio

    Foto: Solly Boussidan/Especial para Terra

  4. Torcedor pinta o rosto para homenagear a seleção turca

    Foto: Solly Boussidan/Especial para Terra

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