LeBron James é um dos astros da NBA
29 de outubro de 2009
Foto: AP
Howard Beck
Se LeBron James decidisse registrar suas metas de carreira em um bilhete curto, a lista possivelmente seria a seguinte:
- Conquistar o prêmio de melhor jogador da NBA.
- Conquistar uma medalha de ouro olímpica.
- Vencer um campeonato da NBA.
- Tornar-se um símbolo mundial.
Não são aspirações modestas, mas James, o astro do Cleveland Cavaliers que atende pelo apelido "King" (rei), não é uma figura modesta. Ele conquistou uma medalha de ouro olímpica em 2008, e foi escolhido como o melhor jogador da temporada 2008/9 da NBA. Até agora não conseguiu conquistar um título na liga, mas está se saindo bem quanto à busca de celebridade mundial, já que suas camisas de basquete vendem muito bem não apenas nos Estados Unidos mas também na Europa e na Ásia.
Por isso, o que alguém poderia dar de presente a um superastro que já tem tudo? Mais fama? Mais prêmios? Mais dinheiro? As respostas a essa pergunta podem determinar em que time James estará jogando a partir do campeonato do ano que vem, se, como esperado, ele optar por não renovar seu contrato com o Cavaliers, ao final desta temporada.
James poderá ponderar suas opções visualmente, na noite de sexta-feira, quando o Cavaliers visita o Madison Square Garden para enfrentar o New York Knicks, visto pela maioria dos observadores como o principal candidato à sua contratação em 2010.
Em Cleveland, James teve a sorte de contar com colegas de equipe sólidos, desempenho respeitável nos playoffs e com a presença em uma final da liga. Já os Knicks, que não têm nada disso a oferecer, só pode tentar hipnotizá-lo com o glamour dos luminosos da Broadway e as perspectivas publicitárias mais amplas que a cidade oferece.
O raciocínio que costuma dominar todas as discussões sobre o fim de contrato de James costuma ser esse: caso ele deixe Cleveland, será para correr atrás de fama e fortuna no maior de todos os mercados.
Mas essa busca talvez não seja a escolha mais inteligente, porque se baseia em uma falsa premissa.
"Na verdade não estou certo de que jogar em Nova York possa ter tanto impacto para ele, do ponto do marketing e das mercadorias licenciadas", disse Darin David, diretor de contas na Millsport, uma agência e consultoria de marketing esportivo sediada em Dallas.
Steve Rosner, sócio e co-fundador da 16W Marketing, em Rutherford, Nova Jersey, disse que "sempre considerei um erro essa interpretação de que os atletas devem jogar em Nova York para conquistar mais contratos publicitários".
David Falk, antigo superagente do basquete que representou jogadores como Michael Jordan, Patrick Ewing e Alonzo Mourning, disse que "não acredito que, hoje, a localização física do jogador seja tão importante quanto há 20 anos".
O mundo mudou desde que Falk intermediou os contratos que fizeram de Jordan o maior veículo de marketing esportivo de todos os tempos, nas décadas de 80 e 90. A Internet propicia aos fãs conexão permanente com os seus ídolos esportivos, não importa em que cidade estejam jogando. Os jogos são transmitidos por canais de televisão em todos os hemisférios, e também para computadores e celulares que os recebem via satélite. Os jogadores dialogam com os torcedores por meio de blogs, do Twitter e do Facebook.
No mundo do esporte, a distância não importa. E o tamanho de um mercado, no passado visto como consideração essencial para os contratos de patrocínio, se tornou virtualmente irrelevante, de acordo com agentes, consultores e especialistas em imagem. Transferir-se para Nova York poderia melhorar um pouquinho a situação de James, mas a maioria dos especialistas considera que o efeito seria mínimo.
"Eu fico imaginando quanto mais um sujeito como ele poderia crescer", disse David, cuja empresa presta serviços de consultoria de marketing esportivo a grandes corporações norte-americana. "Os superastros conquistam reconhecimento onde quer que joguem".
E também seria possível perguntar até que ponto James poderia se tornar ainda mais rico. Ele divide a sexta posição na lista da revista ¿Forbes¿ para os atletas mais ricos, com total de salário e patrocínios estimado em US$ 40 milhões anuais. Entre os astros do basquete, apenas Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers, e Jordan, com renda anual de US$ 45 milhões, estão à frente de James.
A questão do dinheiro pode ter papel decisivo para James quando chegar o momento de considerar suas opções de contrato. Nos termos das regras da NBA, o Cavaliers teria condições de oferecer mais dinheiro e o contrato mais longo a James - um valor estimado em US$ 126 milhões por um contrato de seis anos. Os Knicks, o New Jersey Nets e outros interessados ficariam limitados a ofertas máximas de US$ 96,3 milhões em prazo de cinco anos. (Os números exatos só serão conhecidos em julho.)
O sistema foi concebido dessa maneira com o objetivo de manter os superastros em seus times, mesmo que estes joguem em mercados menores. A História demonstra que o sistema é efetivo: nos últimos 14 anos, apenas quatro superastros legítimos mudaram de time por expiração de contrato: Shaquille O'Neal, Tracy McGrady, Grant Hill e Steve Nash.
O¿Neal tomou essa decisão - trocando o Orlando Magic pelos Lakers - em 1996, antes que a NBA instituísse um limite para os salários individuais. O Lakers ofereceu tanto mais dinheiro quanto os atrativos de Hollywood, para atrair O'Neal.
"A situação para mim, naquela época, era muito diferente do que é agora para LeBron", disse O'Neal, hoje colega de time de James, em entrevista ao site Yahoo Sports, na semana passada. "Eu tinha mais a ganhar mudando de time, mas esse não é o caso para LeBron, hoje. Ele tem mais a ganhar ficando em Cleveland".
O'Neal, em tom bem semelhante ao de um consultor de marketing esportivo, acrescentou que "não é mais necessário jogar em um grande mercado".
Uma fabricante de calçados esportivos como a Nike, que tem contrato com James, pode em certos casos oferecer contratos maiores a jogadores que defendam times nos grandes mercados. Mas isso não é automático em todos os casos. A melhor oportunidade de elevar o faturamento pessoal pode vir dos royalties, agora.
"O lugar em que ele mora não vai afetar o que ele recebe", disse Falk. "O jogador vai ganhar de acordo com a sua capacidade de vender".
Dinheiro é claramente importante para James. Ele tem entre os seus ídolos o bilionário investidor Warren Buffett, com quem fez amizade. Tendo conquistado o estrelato, James afirma que seu grande objetivo é se tornar um símbolo em todo o mundo.
E o fato de que ele jogue perto de Akron, sua cidade natal, em um mercado que ocupa apenas 18ª posição entre os maiores mercados de mídia norte-americanos, não reduziu seu ímpeto quanto a isso. De acordo com a NBA, James ocupa o segundo posto nas vendas de camisas na China (atrás de Bryant), e o quarto posto na Europa.
Em seu país, James tem o quarto mais alto índice "Q" entre os atletas do país, de acordo com a Q Scores, uma empresa que mede a familiaridade e popularidade de celebridades. Apenas Tiger Woods, Peyton Manning e Michael Phelps estão acima dele.
Outra classificação de popularidade, o Índice Davie Brown, mostra James em companhia de alguns gigantes entre as celebridades, bem atrás do ator George Clooney mas à frente de Jay-Z, o magnata do hip-hop ¿mais um dos amigos de James.
Deixar Cleveland poderia, na verdade, prejudicar o jogador, dizem os consultores, caso o público venha a considerá-lo como desleal, egoísta ou cobiçoso, ou caso o seu novo time venha a apresentar desempenho muito ruim.
Será que James pode se tornar maior, mais ousado, mais rico, mais conhecido? Os especialistas consideram que sim, mas não necessariamente por meio de uma transferência para Nova York.
"A coisa mais importante é vencer", disse Falk, apontando os seis títulos de Jordan na NBA como exemplo. "Se ele fosse meu cliente, eu o aconselharia que a melhor escolha é um time no qual ele possa vencer quatro ou cinco títulos".
Tradução: Paulo Migliacci ME






